quinta-feira, 11 de abril de 2019
O lapso
DEUS - PÁTRIA - REI: O lapso: Diz o deputado Fernando Negrão que as “relações familiares não podem ser preponderantes nas decisões do país”, e tem toda a razão. En...
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Semana Santa 2019 no Sardoal

06 abril | sábado | A partir das 10 horas | Reconciliação
12 horas | Celebração da Eucaristia (Ofício dos Defuntos) | Igreja Matriz
07 abril | domingo | 16 horas | Celebração da Eucaristia | Procissão dos Passos do Senhor
(A cargo da Irmandade da Cruz - Sermão do Encontro e Sermão do Calvário) | Saída da Igreja Matriz
14 abril | domingo | 09 horas | Benção e Procissão dos Ramos
Saída da Capela do Espírito Santo
Celebração da Eucaristia | Leitura da Paixão | Igreja Matriz
18 abril | quinta-feira | 19h30m | Celebração da Missa Vespertinada Ceia do Senhor
Cerimónia do Lava-pés e Trasladação do Santíssimo Sacramento
Adoração com a participação dos Irmãos da Irmandade do Santíssimo Sacramento
Igreja Matriz
21h30m | Procissão do Senhor da Misericórdia (Fogaréus)
Sermão do Mandato (A cargo da Santa Casa da Misericórdia, na Igreja do Convento)
Esta Procissão, que sai da Igreja da Misericórdia, é feita à luz das velas, archotes
e candeeiros, com a eletricidade da rede pública desligada.
19 abril | sexta-feira | 17h30m | Celebração da Paixão do Senhor
Adoração da Cruz | Igreja Matriz
19 horas | Procissão do Enterro do Senhor
Sermão da Soledade (Enterro)| (A cargo da Irmandade da Vera Cruz e Santíssimo Sacramento)
Saída da Igreja Matriz
PROGRAMA RELIGIOSO
Semana Santa 2019
20 abril | sábado | 20 horas | Celebração da Vigília Pascal,
Bênção do Lume Novo, Liturgia da Palavra, Liturgia Batismal
(Bênção da Água, Renovação das Promessas do Batismo)
(A cargo da Irmandade do Santíssimo Sacramento) | Igreja Matriz
21 abril | domingo | 10 horas | Procissão | Anúncio Solene da Ressurreição do Senhor
(A cargo da Irmandade do Santíssimo Sacramento) | Saída da Igreja Matriz
Celebração da Eucaristia | Dia da Ressurreição do Senhor
28 abril | domingo | CABEÇA DAS MÓS Festividades do Senhor Jesus da Boa Morte
15 horas | Domingo da Misericórdia | Celebração da Eucaristia | Procissão
MAIO Dia 5 | domingo | SARDOAL Festividades do Senhor dos Remédios
15 horas | Celebração da Eucaristia no Convento de Santa Maria da Caridade | Procissão
JUNHO Dia 9 | domingo | SARDOAL Festa do Espírito Santo (ou o Bodo)
Organização: Paróquia de São Tiago e São Mateus, Sardoal | Santa Casa da Misericórdia e Irmandades
Fonte: Município do Sardoal
Fonte: Município do Sardoal
DEUS - PÁTRIA REI
terça-feira, 9 de abril de 2019
AS MENTIRAS DE ESTADO E DO ESTADO – PARTE II[1]
“Um tolo está sempre pronto a alvoroçar-se perante qualquer teoria ou discurso”.
Hieráclito[2
E aqui chegamos às tais mentiras do Estado do actual regime.
E a primeira é logo a da diabolização do regime anterior, conhecido por “Estado Novo”. E, para isso, basicamente o que dizem dele e dos seus principais próceres, nomeadamente do Professor Salazar é, basicamente, tudo mentira tanto na substância, como na forma e nas intenções.
Depois vem a sacrossanta “guerra colonial”, que nunca existiu, e de que dizem o que Maomé não se atreveu a dizer do toucinho, como se usa dizer.
Também nisto não têm pingo de razão, pois tratou-se uma guerra justa, nacional, patriota, de direito, defensora dos interesses portugueses, de legítima defesa e apenas um continuado prolongamento da nossa atribulada História.
Guerra (de guerrilha) em que não tínhamos, desde a Guerra da Restauração, tão bom desempenho e com muito menos sacrifícios.
Ora estas mentiras inquinaram tudo e passaram a influenciar tudo, sobretudo porque condicionaram psicologicamente uma grande parte da população.
A partir daqui nasceram mentiras menores que vão desde o que inventaram sobre a figura do Cônsul Aristides Sousa Mendes, ao afirmarem, com ar sério, que estamos perante a geração mais bem preparada de sempre!
O que se tem aduzido sobre a figura do cônsul – que não tem culpa nenhuma do que fizeram dele na actualidade – visou sobretudo interesses sionistas e atacar a figura do fundador do Estado Novo, o que deu origem a um chorrilho de disparates e mentiras a que todos os órgãos de soberania deram o seu aval – a que tinham resistido – aparentemente até duas visitas a Lisboa de um congressista luso-americano, de seu nome Tony Coelho.
A mentira da propagandeada geração mais bem preparada é uma falácia de inacreditável desvergonha baseada, ao que se supõe, no facto de nunca ter havido tanto diploma distribuído.
Só que distribuir diplomas não é sinal que os “alunos” estejam bem preparados, pois a falência generalizada do ensino em Portugal é possivelmente o maior “calcanhar de Aquiles” do País, lançando na sociedade todos os anos, dezenas de milhares de “cidadãos” muito mal preparados para a vida em todos os âmbitos (intelectual, cultural, físico, cívico, moral, etc., o que tem sido extraordinariamente agravado pela crise em queda livre da família tradicional; do fim do Serviço Militar Obrigatório e a doentia dependência tecnológica (como os telemóveis, videojogos, internet, etc.).
Como pano de fundo temos a mentira do “Relativismo Moral”, que é o pior de todos os cancros; é transversal a tudo e impede qualquer matriz referencial que possa orientar e dar coerência, seja a que actividade humana for.
Ilustremos algumas outras mentiras “de Estado e do Estado”:
- Mário Soares é o pai da Democracia; mentira, o pai do regime democrático, como ele é descrito maioritariamente, foi o bacharel Manuel Fernandes Tomás, principal responsável pela implantação do Liberalismo em Portugal, em 1822;[3]
- O PCP é patriota; perdão? Como é que se pode considerar “patriota”, um partido que desde a sua fundação esteve sempre obediente a uma potência estrangeira, através do seu partido totalitário, chamado Partido Comunista da União Soviética?
- A Democracia é o menos mau dos Sistemas Políticos; mentira é o “pior” dos regimes políticos, pois é aquele que entra no âmbito psicológico e melhor engana o cidadão votante, pois fá-lo acreditar que pode “influenciar” alguma coisa;
- O Golpe de Estado do 25 de Abril foi feito para restaurar a Democracia e a Liberdade em Portugal; mentira, foi feito por causa do Decreto-Lei 353/73 de Julho desse ano, que interferia na normal promoção dos oficiais do Quadro Permanente das Forças Armadas e por um desentendimento que o então General Spínola teve com o Professor Marcello Caetano;
- Os Partidos Políticos são indispensáveis à Democracia; mentira, os Partidos Políticos são, por norma, os coveiros da Democracia (pelo menos entre nós); e já houve quatro tentativas fracassadas, que colocaram Portugal de pantanas!
- Os encontros semestrais entre os governos de Portugal e Espanha foram, até há bem pouco tempo, chamadas cimeiras ibéricas; pois foram, mas é mentira, foram sempre luso - espanholas, pois não se deve confundir uma realidade geográfica com duas realidades políticas, coisa que o Estado Português levou mais de 30 anos a perceber;
- Cristóvão Cólon era genovês e trabalhou para os Reis Católicos; é mentira, já se consegue provar que o Cristóvão Cólon não é o Colombo italiano e não há a certeza para quem ele “trabalhava”;
- Não se reconhece juridicamente Olivença como fazendo parte de Espanha, é certo, mas nada se faz para a sua retrocessão para a sua Pátria – tão pouco se fala no assunto;
- Os pais da agora União Europeia são o Jean Monet, De Gaspari, Robert Schuman, Konrad Adenaur, Paul-Henri Spaak, Johan Beyen, Joseph Bech e outros, como Winston Churchill (desde que a Grã-Bretanha não pertencesse…) e todos os “clássicos” com que nos enchem os ouvidos; é mentira, os pais da UE, são o “estranhíssimo” (e vou ficar por aqui) político Conde Richard Coundenhove - Kalergi e o seu Movimento Pan-Europeu;[4]
- O “Poder Local” é uma das conquistas de Abril e um sucesso do regime; é mentira, o Poder Local é um feudo dos Partidos; uma extensa rede de nepotismos; um desregramento de gastos; um poço de dívidas; o reino das taxas e taxinhas; da especulação imobiliária; do envelope por baixo da mesa; da pouca-vergonha do IMI; do “complexo de quinta”; do deslumbramento das “rotundas”, etc.;
- O Serviço Nacional de Saúde (SNS), esse sim, podemos orgulhar-nos! Mentira, o SNS tem pessoal dedicado; organização razoável e um serviço assistencial que não deslustra, mas o seu custo é incomportável e incompatível, com a nossa economia e poupança; o desregramento financeiro era pavoroso; o negócio com as obras hospitalares (como o das escolas) merecia “mil” investigações da PGR; o número de “meios materiais” que “desaparecem” ao longo da cadeia que vai da mulher-a-dias ao topo da hierarquia está longe de ser despiciendo; acrescenta-se o descontrolo relativo a medicamentos e acções complementares de diagnóstico e o duplo ou triplo emprego, etc..
Quando o Governo recentemente começou a cortar verbas; acabou com a escandalosa abundância de horas extraordinárias e caiu na asneira de reduzir as horas de trabalho semanais para 35, o sistema começou de imediato a entrar em colapso;
- O PR, o Governo, o Parlamento, passam a vida a elogiar as Forças Armadas e a dizer que está tudo bem, enfim, “há falta de meios, mas o país não pode pagar mais, mas as missões não estão afectadas”, etc. É mentira; os conflitos institucionais estão sempre presentes; as palavras são de circunstância; a tropa está de rastos e tem falta de tudo, há décadas. Não há, aliás, instituição/empresa/sector, em todo o País, que tenha sido mais mal tratado. Está tudo preso por fios como o triste caso de Tancos, finalmente evidenciou, com estrondo. Até agora ninguém retirou ilações do caso, que está longe de estar resolvido. Esta componente fundamental da Defesa Nacional é, pois, uma grandessíssima mentira e a Defesa, no seu todo, ainda é maior;
- Andam sempre com a frase (tirada do contexto) do Pessoa de que a “minha Pátria é a língua portuguesa”, como expoente da importância que dão à língua e respectiva cultura; mentira, se assim fosse não se teria assinado o negregado “acordo ortográfico”, cedendo a interesses brasileiros, subalternizando-nos; não apoiam as comunidades portuguesas e outras que querem manter ligações culturais a Portugal e, pior que tudo, abarracaram o ensino do português aos próprios descendentes dos “que de luso ou lisa, filhos foram, parece, ou companheiros”!
- A quebra catastrófica da natalidade e o facto de os casais não quererem ter filhos, é das fracas condições sociais e económicas; mentira, se assim fosse ninguém tinha filhos desde o Afonso Henriques! É justamente por as condições terem melhorado que o pessoal não quer ter descendentes, pois o seguro de vida antigamente, para a velhice, eram justamente os filhos. Mas não só, seguem-se muitas outras razões: em primeiro lugar aumento exponencial dos métodos contraceptivos, com destaque para a “pilula”; depois o feminismo, a homossexualidade e a propaganda do aborto; finalmente o materialismo, o hedonismo e outros “ismos”, bem como a “despromoção” da maternidade a uma coisa menor, etc.. Dá um livro;
- Para combater o inverno demográfico temos de chamar e acolher imigrantes e migrantes; mentira, o que temos que fazer é justamente combater todas as causas da quebra da natalidade; evitar que os portugueses emigrem; combater as redes de tráfego humano; dignificar o trabalho; repor as escolas técnicas e deixar de querer que todos sejam “doutores”; combater o preconceito de que há boas e más profissões, mas sim bons e maus profissionais; deixar de pactuar com a subsídio - dependência e com a cáfila de aleijados morais que por aí abundam, etc.. E acabar de vez com a pouca vergonha que nos rebaixa, de andar a oferecer e a vender a nacionalidade portuguesa como não se contratam “serviços” num prostíbulo. Medidas que tardam;
- Os fogos florestais são causados pelas mudanças climáticas, desordenamento florestal e falta de limpeza! Mentira, os fogos são causados por mãos humanas, quer por dolo ou por incúria!
Chega, não direi mais.
De tanta mentira, passámos a conviver com ela como se fosse uma coisa normal.
A única coisa que ainda fazemos como comunidade e individualmente é, entre duas garfadas de comida e um copo (nisso a verdade existe…), refinarmos o cinismo e mantermos o sarcasmo nas piadas que sempre aparecem como cogumelos.
É curto!
Por tudo isto se pode concluir que a maioria dos agentes do Estado, a começar naqueles de categoria mais elevada, mentem e mentem extensivamente. E calar uma verdade também é mentir. Dizer uma coisa hoje, e o seu contrário amanhã; não cumprir as promessas eleitorais, não assumir responsabilidade sobre nada, também é mentir, além de demonstração de muito fraco carácter. A frase “o Estado tem de ser servido por pessoas sérias”, daria um bom “título”, mas até hoje nunca a vimos publicada em nenhum manifesto eleitoral…
O que se passou e passa, com a situação da banca e das finanças nacionais é disso uma evidência bárbara e criminosa.
De tanto se mentir cuido até, que já nem se dão conta de que o fazem, pois a vergonha, se alguma vez existiu, há muito se lhe perdeu o rasto.
Para já não falar nos seguidores de Lenine, para quem uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade.
No fundo para todos aqueles para quem os fins justificam os meios. E esses não ficam “alvoroçados” pois não são tolos.
João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto-Aviador (Ref.
[1] Nem a propósito do 45º aniversário do 25 de Abril…
[2] Éfeso 540-470 A. C. Filósofo pré-socrático, considerado o “pai da Dialética”. Recebeu a alcunha de “o Obscuro”.
[3] Figueira da Foz, 30/6/1771 – Lisboa, 19/11/1822.
[4] Tóquio, 16/11/1894 – Schruns, Áustria, 27/7/1972. Começou por ser Austro-Húngaro, depois Checoslovaco e finalmente Francês. Filho do Conde Henrich Von Condenhove-Kalergi e da aristocrata japonesa Mitsuko Aoyama.
DEUS - PÁTRIA - REI
segunda-feira, 8 de abril de 2019
As eleições para o Parlamento Europeu

Nesta pré-campanha eleitoral para o Parlamento Europeu muito se fala sem nada se dizer sobre a Europa e sobre Portugal. As esquerdas e as direitas portuguesas de todos os quadrantes não sabem bem ao que andam, sem um conceito arrimador sobre a civilização em que nos integramos, sem saber identificar o vínculo que nos liga à Europa e sem sequer equacionar o interesse nacional. Ouvimos muito, não aprendemos nada. Falam por cifras, frases feitas para cada um dos supostos "problemas", tomam a nuvem por Juno no alinhavar de lugares comuns carregados de superstição ideológica e de rodriguinhos importados destinados a clientelas há muito estabilizadas; em suma, a campanha não servirá para nada.
Em primeiro lugar, a Europa não é uma fatalidade nem o fim de Portugal. Fora ou dentro da Europa, poderemos indicar mil e uma alternativas no quadro do interesse nacional sem afrontar a unidade de destino inscrita na história desta comunidade deste o momento da sua criação, há quase novecentos anos.
Todos, da extrema-esquerda à direita extrema, exibem um doloroso seguidismo não português (e muitas vezes até, anti-português) que se contenta em situar os problemas contemporâneos da nação por referência a problemas específicos dos restantes estados do continente. A agenda de todos os partidos parece um químico das supostas "famílias ideológicas" em que cada formação se integra, desconhecendo que o interesse francês, alemão ou italiano colide, quase sempre, com o interesse português, não apenas na identificação dos problemas como na sua resolução. Neste particular, da extrema esquerda à direita extrema, há muita Europa e nenhum Portugal: são cópias de cópias pedindo protecção externa.
Ouviram falar de Portugal, do Portugal fora do portugalinho dos 500X200 km, do Portugal de ontem que está presente em todos os continentes, feito de brancos, mestiços, negros e asiáticos, dessa ideia de fraternidade universal que criámos e fecundámos ao longo de meio milénio ? Ouviram falar do espaço português extra-europeu, que se projectou no Atlântico e tem hoje no Brasil uma potência económica em crescente afirmação ? Ouviram falar em políticas de robustecimento dessa unidade global que carrega na língua o elemento aglutinador que nos condena ao irreversível entendimento ? Não. De facto, não foi Portugal que entrou na Europa, mas a União Europeia que entrou em Portugal.
Nova Portugalidade
A Aldeia Portuguesa de Ayutthaya, na Tailândia
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| Foto: ruínas da Aldeia Portuguesa |
A aldeia portuguesa do Sião (actual Tailândia) era o maior e o mais consistente estabelecimento português na região, se bem que Ayutthaya (capital do Sião) nunca tivesse sido prioridade comercial para os portugueses. Do Sião - situado no caminho entre o Índico e o Mar da China – precisava Macau de arroz e um porto seguro e se bem que a aldeia se transformasse num grande núcleo de refugiados, nunca ali possuiu o Estado da Índia qualquer entreposto comercial. O bandel (aldeamento) não era, decididamente, uma prioridade para a fazenda dos negócios portugueses no Oriente. No Sião, não havia nem feitoria nem fortaleza, pelo que ali funcionou uma forma híbrida de auto-governo centrado na figura do Capitão de Bandel indicado por Goa e confirmado pelo Rei do Sião.
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A população do "Bân Protukét" (Aldeia dos Portugueses) tendeu a crescer na proporção dos reveses militares portugueses na Insulíndia. Quando Malaca se rendeu aos holandeses (1641), parte da população católica fugiu para o Camboja e daí transitou para Ayutthaya. Anos depois, já na década de 1660, Macassar foi abandonada e a população refugiou-se no Sião. Seriam os portugueses cerca de quatro mil em finais da década de 1680, estabilizando-se o seu número até 1767, ano em que a capital siamesa foi tomada e destruída pelos exércitos birmaneses. Mais do que uma aldeia, constituía um distrito na ordem administrativa siamesa e o seu Capitão ou Nay (นาย /chefe) nomeado pelo Rei siamês estava submetido à autoridade do Phra Khlang, o ministro responsável pelo comércio marítimo.
O Bân Protukét acolhia uma população etnicamente heteróclita que cobria as diversas variantes da espantosa mistura afro-indiana, indo-malaia, nipo-portuguesa, sino-indiana e peguano-portuguesa – para além, claro, de thai-portuguesa – ou seja, um verdadeiro laboratório de miscigenação.
Hoje, a Aldeia dos Portugueses do Sião é uma das grandes atracções turísticas da Tailândia, recebendo anualmente centenas de excursões.
DEUS - PÁTRIA - REI
Castelo Branco - O ALBICASTRENSE: A NOTÁVEL VILA DE CASTELO BRANCO
Castelo Branco - O ALBICASTRENSE: A NOTÁVEL VILA DE CASTELO BRANCO: A TERRA ALBICASTRENSE ATARVÉS DOS TEMPOS Carta de 1535, de El-Rei D. João III, de honra e mercê e favor da Vila de Castelo Branco. El...
domingo, 7 de abril de 2019
AS MENTIRAS DE ESTADO E DO ESTADO – PARTE I[1]
“Um tolo está sempre pronto a alvoroçar-se perante qualquer teoria ou discurso”.
Hieráclito[2]
Antigamente as “mentiras de Estado”, utilizavam-se principalmente para proteger o Estado como tal, no pressuposto que servia a Nação, de algo mais grave. Mais grave do que a própria mentira.
Até porque mentir nunca é bonito.
Tal acontecia muitas vezes em tempo de guerra, dado que a contra - informação é uma arma muito importante. Que o digam algumas estações de rádio que emitiam contra o Estado e a Nação Portuguesa durante as últimas campanhas ultramarinas portuguesas…
O “Estado de Direito Democrático” – se é que existe alguma definição oficial – como é comum a classe política e a maioria da opinião publicada, referirem-se ao actual regime ou sistema político, em vigor na sociedade portuguesa (já nem refiro a Nação, pois foi termo escorraçado do vocabulário da língua portuguesa) presumo que tal seja entendido como um sistema em que supostamente os três “poderes” – executivo, judicial e legislativo – estão “separados”; existem eleições “livres” onde cada cidadão vota num candidato que supostamente o representa – tanto no Parlamento, na Presidência da República, nas Autarquias e nessa figura de estilo que toma o nome de “Regiões Autónomas”.
Ou seja, um sistema em que a fonte legitimadora do Poder se encontra no voto popular (de toda a população). Tudo isto segundo a sacrossanta disposição de normas estatuídas num documento, que toma o pomposo título de “Constituição”. E como em Portugal se implantou ilegitimamente – já não falo de “ilegalmente”, pois todas as revoluções/golpes de estado são, por definição, ilegais – a tiro e à bomba, em 1910, após o assassinato a sangue - frio do Rei e do herdeiro da Coroa, em 1908, um regime a que chamaram República, a constituição chama-se, Constituição da República (CR).
Não deixa porém, de ser curioso assinalar, que a única Constituição – isto é, um papel que substitui uma pessoa ou conjunto de pessoas, na cadeira do Poder – que foi aprovada por plebiscito nacional, foi a Constituição de 1933, o que torna – pelas razões atrás apontadas – o “Golpe de Estado” de 25 de Abril de 1974, além de ilegal, também ilegítimo.
E tornou-se uma traição ao alienar 90% de território e 60% da população, do país que então éramos, sem consulta aos “interessados” e no meio de uma indescritível cobardia, desnorteamento e caos.
Foi assim que nasceu e se implantou o actual Estado de Direito Democrático (EDD), que de Estado tem pouco, de Direito idem e de Democrático menos.
Em síntese: a CR foi aprovada debaixo de sequestro, é antinatural, por conter ideias marxistas; antipatriota pelas mesmas razões e não só; baseada em “Direitos” em vez de “Deveres”; prolixa, dando para quase tudo o que resulta em quase nada; mal escrita, antinacional, (não fala uma única vez em “Nação” e apenas uma vez em “Pátria”, para alegar o dever e o direito de a defender, mas acabando com o Serviço Militar Obrigatório – Art.º 276); e antidemocrática por, entre outras coisas, obrigar à revisão republicana da CR e colocar a acção política exclusivamente nas alfurjas dos Partidos Políticos.
Permite ainda a existência e interferência de organizações cuja acção é assumidamente discreta e, ou, secreta, tanto de âmbito nacional como internacional. Uma absoluta incongruência num EDD…
A CR é, na prática também, uma mentira, pois todos os agentes políticos e órgãos de soberania, não cumprem objectiva e despudoradamente o principal ditame da mesma, que diz que Portugal é um país soberano e independente. Porquê? Pois porque alienam tal estatuto, constantemente e sob várias formas, sem nunca se ter feito um referendo para tal!
Juro que não tenho culpa de quase ninguém reparar nisto. Ou se reparam, estão calados.
O Estado é, pois, um espaço público teatral onde os filiados nos partidos políticos, e sindicatos afins, se mantêm numa espécie de guerra civil permanente e só serve para cobrar impostos. A Segurança e a Justiça não estão nas suas preocupações. E já há muito que desistiram sequer de imprimir moeda e levantar tropas.
E da Autoridade foi feita tábua rasa! Estão apenas interessados – é o que a realidade nos prova – na Economia e nas Finanças na medida em que tal possa favorecer os seus interesses pessoais e ganhar votos – a fórmula que uma revolução sanguinária, debochada e naturalista, inventou para que os seus sequazes assumissem o Poder. Estou a falar da Revolução Francesa (antecedida pela Americana).
A seguir trocaram os Dez Mandamentos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos; o Teocentrismo pelo Androcentrismo e o Direito Natural pelo Direito Positivo.
A coisa nunca mais parou, nem vai parar, porque a sua essência é diabólica (e uma revolução é como uma bicicleta: quando pára, tomba…).
O Estado é democrático? Não é, é partidocrático. E os Partidos são estruturas ordinárias, sem escola, sem princípios, sem doutrina, sem gente capaz, pois ninguém os selecciona, forma, supervisa ou sanciona. Uma espécie de central distribuidora de tachos. E quando aparece alguém capaz é trucidado…
Por isso os chamados “homens bons dos concelhos” fogem de se juntar a tal trupe.
Partidos, onde um chefe do mesmo, acolitado ou não, pelos seus mais próximos, escolhe as listas de deputados que irão (supostamente) representar o povo…
A tendência é sempre para piorar. Quando se vêm acossados, blindam o sistema, atrás de um corrupio de leis; compram influências; prometem o que sabem que não vão cumprir e fazem demagogia. Sempre.
A fórmula final adquire os contornos de nepotismo, que é aquela em que parece que estamos.
Mas quem manda na realidade não são eles; são, aparentemente, as tais organizações “sem rosto” atrás apontadas. E, no meio internacional onde nos situamos, as grandes organizações financeiras internacionais, paredes-meias com as ideologias subversivas da sociedade (olá “Escola de Frankfurt”), com especial incidência na ocidental e dentro de esta, na cristã, onde se destaca a católica…
Sendo o Estado fraco, cheio de corrupção (não há dia algum que não saiam nos “media” notícias sobre corrupção), antinacional e inepto (a não ser para cobrar os tais impostos), a Justiça – que se transformou quase exclusivamente no exercício deletério do Direito - e a organização social, económica e financeira, etc., seguem-lhe os passos.
O equilíbrio dos tais “três poderes” é ilusório, a sua desejada complementaridade é um embuste.
Cada um puxa a brasa à sua sardinha, guerreiam-se e sabotam-se. Mais uma vez é a Nação (que a ouvir os responsáveis políticos, desapareceu…) que sofre e fica à deriva.
Aquilo que se vai fazendo de útil são as iniciativas de empreendedorismo, de cidadãos, que aproveitam nichos de liberdade; investigadores, artistas, desportistas, outros profissionais, que devido ao seu valor e ocasiões que sabem aproveitar, sobressaem, a maioria deles, no estrangeiro; e o que resta de antigas e veneráveis instituições ou corporações que vão sobrevivendo e trabalhando em prol da comunidade, como são os exemplos ainda existentes na Igreja, nas Forças Armadas, na Diplomacia, nas velhas Academias, em áreas universitárias (não muitas), em Instituições de Solidariedade Social, etc.
Deixou de haver “País” como tal, não há um ideal comum, tudo é centrífugo, nada é centrípeto. Está tudo “partido”, pudera…
O que existe resulta apenas da “energia cinética” de quase 900 anos de História comum, que a muitos já pouco diz.
O resto virou uma calamidade, onde sobressai a corrupção, o relativismo moral, o “deus mamon”, a criminalidade, o desregramento da comunicação social, a incultura, a decomposição da família e das instituições, etc., enfim as barbaridades feitas “normalidades”.
Ora um sistema destes, só se mantém, através dos subsídios (haver um mínimo de dinheiro no bolso), algum pão e muito circo (futebol, telenovelas, “reality shows”), imbecilização através dos OCS (sobretudo a televisão); de uma escola que quase só produz analfabetos encartados e acesso desregrado ao crédito.
Tudo isto produziu uma dívida escandalosa, impagável nas próximas gerações, se é que em alguma.
Essa dívida – cuja principal responsabilidade, reside na falta de senso e prudência dos responsáveis portugueses – tem sido fomentada e, ou, aproveitada, desde há 250 anos pela finança apátrida internacionalista, que tem – no nosso caso e em termos contemporâneos - origem na dependência da Coroa Portuguesa, desde 1805, da Casa Inglesa Barings, falida há meia dúzia de anos na voragem da crise espoletada em 2008 – e que tinha sido mantida em respeito, durante o consulado do Professor Salazar, com vontade indómita e pulso de ferro. [3]
Essa maneira de lidar com o dinheiro (chamemos-lhe assim) voltou em força no fim dos anos 70, a que a nacionalização da banca em 1975, só deu asas…
Para os menos crentes lembra-se, se é que alguma vez deram conta, que o maior “Golpe de Estado”, alguma vez feito em todo o mundo, ocorreu em 23 de Dezembro de 1913, no próprio Congresso e Presidência Americana, o que deu origem ao “Federal Reserve Bank” (“FED”, para os amigos…).
Numa palavra não temos qualquer Democracia, mas sim uma Plutocracia onde com o decorrer do tempo, o dinheiro e o Poder, estão concentrados em cada vez menos mãos.
Estas “forças” já se aproveitaram (e nós pusemo-nos a jeito) das três bancarrotas que em Portugal já houve, desde o dia em que os cravos floriram por artes mágicas nos canos das espingardas. A quarta bancarrota vem já a caminho.
Por sorte, não tem havido ruptura de abastecimento, nem bombas nas ruas. O sol e a praia ajudam.
O vinho está (ainda) barato e é bom. Eis a grande conquista de Abril. Que já vinha detrás…
Ora um sistema como o descrito, onde sobressai a imoralidade e a dívida, só se aguenta, também, pela mentira.
É o que ilustraremos na segunda parte do escrito.
João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador (ref.)
[1] Nem a propósito do 45º aniversário do 25 de Abril…
[2] Éfeso 540-470 A. C. Filósofo pré-socrático, considerado o “pai da Dialética”. Recebeu a alcunha de “o Obscuro”…
[3] Banco Barings (1762 – 1995), fundado por Francis Baring, era o banco mais antigo de Londres. Colapsou quando um seu empregado, que trabalhava na filial de Singapura, Nick Leeson, provocou 827 milhões de libras de prejuízo ao fazer investimentos fraudulentos (especulação), sobretudo em “contratos de futuro”.
DEUS - PÁTRIA - REI
sábado, 6 de abril de 2019
D. João I, Mestre de Avis, é aclamado rei de Portugal.

On this day, in the year 1385, the Council of the Kingdom, i.e. the Portuguese Cortes, convened at Coimbra and declared Dom João, Master of the Knights of St. Benedict of Aviz, King of Portugal.
sexta-feira, 5 de abril de 2019
Conversas Reais com o Engº António Carmona Rodrigu...
DEUS - PÁTRIA - REI: Conversas Reais com o Engº António Carmona Rodrigu...: Conforme prometido na última Assembleia Geral, a Real Associação de Lisboa regressa aos Jantares Tertúlia Conversas Reais já no próx...
quarta-feira, 3 de abril de 2019
O nosso Príncipe no Sri Lanka
DEUS - PÁTRIA - REI: O nosso Príncipe no Sri Lanka: Altas horas da noite, recebemos de SAR, o Príncipe da Portugalidade, imagens da sua estadia no Sri Lanka, onde se encontra a convite ...
terça-feira, 2 de abril de 2019
Livre sur l’infante Filipa de Portugal
Ouvrage consacé à l’infante Filipa de Portugal. Filipa, Maria, Ana, Joana, Micaela,Rafaela de Bragance, infante de Portugal est née au château de Fischhorn le 27 juillet 1905. Elle est le 9ème enfant des 11 enfants de Miguel, duc de Bragance (1853-1927) et de sa seconde épouse la princesse Marie Therese de Löwenstein-Rosenberg (1870-1935).
Née en exil, l’infante Filipa ne peut pénétrer sur le sol du Portugal. En 1938, elle est toutefois autorisée par le général Salazar à entrer sur le sol portugais. Elle y revient à plusieurs reprises jusqu’en 1946, date à laquelle elle s’installe dans sa patrie.
Elle oeuvre pour la restauration de la monarchie. C’est alors son frère Dom Duarte Nuno qui est le chef de la maison royale. Elle entretient une correspondance soutenue avec le dictateur Salazar. L’auteur Paulo Drumond Braga a analysé cette correspondance. Fallait-il voir autre chose qu’une amitié de circonstance ?
L’infante est décédée à Ferragudo au Portugal en 1990.
Fonte: Noblesse & Royautés
quinta-feira, 28 de março de 2019
DEUS - PÁTRIA - REI: SAR, A SENHORA D.ISABEL DE BRAGANÇA PRESENTE NA 43...
DEUS - PÁTRIA - REI: SAR, A SENHORA D.ISABEL DE BRAGANÇA PRESENTE NA 43...: Realizou-se no domingo, dia 17 de Março, 2º domingo da Quaresma, a 432ª Procissão do Senhor dos Passos da Graça. Mais uma vez, foi um...
quarta-feira, 27 de março de 2019
segunda-feira, 25 de março de 2019
23º Aniversário de SAR, O Senhor D. Afonso de Bragança, Príncipe da Beira

Dom Afonso de Santa Maria Miguel Gabriel Rafael de Herédia de Bragança, filho primogénito de SS.AA.RR., Dom Duarte Pio de Bragança, Duque de Bragança e de Dona Isabel de Herédia de Bragança, Duquesa de Bragança, nasceu numa segunda feira, 25 de Março de 1996, às 7h38 da manhã, no Hospital da Cruz Vermelha , em Lisboa. Ostenta os títulos de Príncipe da Beira e Duque de Barcelos.
S.A.R., Dom Afonso de Bragança, ao celebrar neste dia 25 de Março o seu aniversário, enche o coração de Portugal de esperança e de confiança num futuro promissor pela qual todos nós Portugueses sonhamos.
Desejamos ao nosso Príncipe Real, Saúde, Paz, Harmonia e muito Amor com toda a Nossa Querida Família Real, no mais belo exemplo de União e Tradição.
Que Deus o guie e ilumine naquela que desejamos seja uma longa vida cheia de sucesso.

VIVA SUA ALTEZA REAL DOM AFONSO, PRÍNCIPE REAL!
VIVA A FAMÍLIA REAL!
VIVA PORTUGAL!
DEUS - PÁTRIA - REI
domingo, 24 de março de 2019
O mito do perigo amarelo

Leio no Observador Cego mais um textozinho cheio de ignorância e baias concitando a uma cruzada contra a China. Importa que façamos a história desta fobia.
Por cá, ainda há 20 anos, os chineses eram uns homenzinhos amarelos, insignificantes vendedores de quinquilharia. Lembro ainda com amargura ter jantado com alguns embaixadores e empresários na embaixada do Brasil - num daqueles excelentes convívios que José Aparecido de Oliveira acolhia - e ter ouvido, entre outras, colossais manifestações de desprezo pelas novidades da Ásia. Lembro, particularmente, um embaixador português afirmando com certeza kantiana ter "a China os dias contados".
Do desprezo, passámos para o "perigo chinês", como se a China estivesse a controlar o mundo sem o assentimento daqueles que outrora se viravam para Washington e só receberam coices. Para alguns, se há um aliado de peso a escolher, esse deve ser a Índia. Ora, a China é menos perigosa do que a Índia. A Índia tem uma tradição marítima e comercial importante, foi colónia e, no fundo, transporta o ressentimento de todos os ex-colonizados. Acresce que os indianos têm importantes colónias em África e no Sudeste-Asiático, colónias que vivem fora e em auto-exclusão. O chinês quer ser respeitado. O chinês contenta-se com isso. O Estado chinês não é aquela poderosa, precisa e metódica máquina que muitos julgam. O improviso, o não saber como fazer de outro modo, o desleixo crónico, mascarados com aprumo e teatro, mantêm a China de pé.
A China é, quiçá, a única grande civilização não expansionista. Não quer universalizar qualquer ideia absoluta, quer seja esta de natureza religiosa, quer a de uma forma específica de regime político. Os muçulmanos querem-no; os americanos/europeus exigem-no. Os chineses, não. O chinês não pretende impor-se como norma unificadora, antes pelo contrário, quer preservar a sua identidade. Mesmo o mais quadrado dos defensores do etnicismo compreendê-lo-á. Afinal, que culpa têm os chineses ? A culpa pelo desastre económico e falta de competitividade europeia e norte-americana é dos chineses ou dos americanos e europeus? É, sem dúvida, dos europeus e americanos. Preparem-se agora, pois os chineses já começaram a fabricar foguetões e até puseram um homem no espaço.
Ao invés desses insuportáveis "comissários europeus" que aqui aportam semana sim, semana não para nos dar ordens, diktats amiúde carregados de ameaças, como quem coloca um caldo em frente de um faminto e lhe diz: "hoje comes, amanhã só tens o caldo se fizeres o que te mandarmos fazer", a China está longe, muito longe, não nos manda comissários, não nos ameaça com a privação do caldo, não nos impõe regulamentos nem a expulsão de clube algum em que ocupamos o lugar extremo. A China, ao contrário da Europa, exibe sempre elegantes atitudes, nos gestos como nas palavras.
Há que pôr fim ao mito da "ameaça chinesa".
Miguel Castelo Branco
sábado, 23 de março de 2019
Nas velas das caravelas
DEUS - PÁTRIA - REI: Nas velas das caravelas: Passam este mês 700 anos sobre a fundação da Ordem de Cristo. Corria o ano de 1319 e por bula papal, a pedido de D. Dinis, Rei de Portugal, ...
sexta-feira, 22 de março de 2019
DEUS - PÁTRIA - REI: TOMAR – Já arrancou a primeira fase das comemoraçõ...
DEUS - PÁTRIA - REI: TOMAR – Já arrancou a primeira fase das comemoraçõ...: Já arrancou a primeira fase das Comemorações Oficiais dos 700 Anos da Ordem de Cristo, organizadas com o Convento de Cristo em Parcer...
quinta-feira, 21 de março de 2019
SAR, O Senhor D. Duarte de Bragança esteve presente nas Comemorações dos 700 anos da Ordem de Cristo
Já começou a primeira fase das Comemorações Oficiais dos 700 anos da Ordem de Cristo, uma organização do Convento de Cristo em parceria com as Fundações D. Manuel II e Oureana. O aniversário da Bula “Ad ea ex quibus” realizou-se, no dia 14 de Março, na Real Lipsanotheca, da Fundação Oureana, no Castelo de Ourém. No dia seguinte, decorreu, na Igreja de Santa Maria dos Olivais, em Tomar, uma missa solene de abertura oficial do VII Centenário da Ordem de Cristo, que contou com a presença, entre outros, do Duque de Bragança, D. Duarte.
No dia 16 de Março realizou-se uma visita guiada ao Convento de Cristo, tendo os convidados seguido para visitarem uma pequena mostra de artefactos que vão integrar a exposição comemorativa dos sete séculos da Ordem de Cristo, que se realiza em Maio, na antiga sacristia filipina, no Convento de Cristo.
Fonte: O Mirante
DEUS - PÁTRIA - REI
quarta-feira, 20 de março de 2019
Magalhães
Uma instituição com os pergaminhos da Real Academia de la Historia jamais se deveria permitir emitir um comunicado que enferma de simplismo, omissão, distorção de factos e falta de informação.
Li com surpresa um Informe de la Real Academia de la Historia sobre la Primera Circunnavegación a la tierra. Com esse comunicado pretende a ilustre academia espanhola, “evitar que la Conmemoración de estos años se conviertan en una fuente de disidencias entre los dos países vecinos”. É caso para dizer: que desaforos não teria proferido a douta assembleia se o seu escopo fosse, em vez de evitar dissidências, fomentá-las…
Uma instituição com os pergaminhos da Real Academia de la Historia jamais se deveria permitir emitir comunicados levianamente escritos sobre os joelhos. A historiadores desportivos facilmente se perdoam quejandos pecadilhos — mas tal não é o caso da instituição aqui em causa. Ora, como vou tentar mostrar, o comunicado enferma de simplismo, omissão, distorção de factos e falta de informação.
Comecemos por notar que, uma vez que Fernão de Magalhães era português — e não conheço documento algum que prove que se tenha alguma vez naturalizado castelhano —, assiste a Portugal o mesmo direito de se associar à comemoração do quinto centenário da histórica viagem que assistiu a Génova para se associar ao centenário de Colombo.
Como a própria academia reconhece no seu comunicado, tanto nas capitulações que em Maio de 1518 celebrou com el-rei D. Carlos, que no seu informe cita, como em muitos outros documentos que não cita, mas que se podem ler na obra clássica de D. Martín Fernández de Navarrete Colección de los Viajes y Descubrimientos que hicieron por Mar los Españoles desde fines del siglo XV, Magalhães e seu companheiro Rui Faleiro são quase sempre referidos na documentação oficial como “caballeros naturales del reino de Portugal”.
Mas quiçá que tal seja de pouca importância. O que o não é é afirmar-se que Magalhães “instituyó un mayorazgo en el que dejaba heredero a su hijo Rodrigo, nacido en Sevilla y, si éste falleciese sin descendencia, impone a su familia portuguesa que quien lo herede debería castellanizar su apellido, llevar sus armas y vivir en Castilla”. Na realidade do testamento original de Magalhães subsiste apenas uma folha, embora no Archivo General de Indias em Sevilha se guardem duas cópias quinhentistas. Das duas deve a priori ser a mais antiga a que merece mais fé; ora nessa cópia lê-se por 18 vezes a forma Magalhaes e uma única Magallanes. Sendo a primeira, do ponto de vista castelhano a lectio difficilior, é a essa, como o sabe qualquer aprendiz de crítica textual, que se deve dar a preferência. Por conseguinte, é abusivo afirmar que quem herdasse o morgadio “debería castellanizar su apellido, llevar sus armas y vivir en Castilla”: o que o testamento estatui é que o morgadio deve ser herdado por varões que continuem a usar quer o nome da família quer as suas armas “sin las mesclar con otras algunas”; segundo a letra do texto a cláusula de residir em Castela apenas se aplica a quem, não sendo descendente direto do navegador, mas de um colateral, viesse por varonia a herdar o morgadio — o que é lógico, pois os bens que Magalhães vincula se situavam naquele reino.
De tudo isto conclui a douta academia que Magalhães “se considera por tanto un castellano más”. Logicamente, o mesmo se deveria aplicar aos companheiros do capitão; fica-se então sem perceber porque razão reduziu a Casa de la Contratación drasticamente o número de participantes portugueses na expedição, impondo nomeadamente a exclusão de Rui Faleiro, sem embargo de ter sido, por carta régia de 22 de Março de 1518, nomeado capitão de um dos navios, e a sua substituição por Juán de Cartagena.
Se tudo se passava entre bons irmãos castelhanos fica-se igualmente sem compreender por que motivo foram, à última hora, impostos a Magalhães mais dois capitães oriundos de Castela, Luís de Mendoza e Gaspar de Quesada; e por que razão se rebelaram tanto este último como Juán de Cartagena contra o capitão português, levando-o a pôr este a ferros em Outubro de 1519 e em seguida a abandoná-lo na Patagónia a 24 de Agosto do ano seguinte, 17 dias depois de aquele ter sido executado. Igualmente sem explicação fica a destituição, a 16 de Setembro de 1521, de João Lopes de Carvalho, capitão da frota desde 2 de Maio, pela maioria castelhana da tripulação, que elegeu Gonzalo Gómez de Espinosa para lhe suceder.
É neste passo oportuno notar que a distinta academia dá no seu informe um salto mortal no tempo ao resumir: “Después de la desaparición de Magallanes, ya en el Índico, se hicieron cargo de los dos navíos que quedaban una vez que llegaron a las Molucas, Juan Sebastián Elcano de la Victoria y Gonzalo Gómez de Espinosa de la Trinidad“. A história é um pouco mais complicada: morto Magalhães em Mactán foi escolhido para lhe suceder seu cunhado Duarte Barbosa. Como Barbosa não tivesse sobrevivido ao cunhado senão quatro dias, foi eleito para o substituir um terceiro português, João Lopes de Carvalho. Só quando este foi destituído pela chusma assumiu Juán Sebastián de Elcano, mestre da Concepción, queimada a 2 de Maio, o comando da Vitória.De boa ou de má fé, escamoteia assim o informe o facto de a frota ter sido sucessivamente capitaneada por três portugueses.
Embora a ninguém seja lícito fazer ao próximo processo de intenções, dir-se-ia que é na mesma lógica que se insere a agilidade com que a douta academia despacha em cinco linhas a atuação de Magalhães: “Fernando de Magallanes, tras una serie de contratiempos y motines entre la tripulación, logró encontrar el paso al Océano Pacífico por el Estrecho que lleva su nombre y una vez cruzado este océano, con sólo dos navíos, murió en Mactán, una isla del archipiélago de las Filipinas”. O seu mérito parece assim reduzir-se ao de ter achado a passagem para o Pacífico, com que qualquer um, costeando a América do Sul como ele fez, acabaria por topar. Fica no tinteiro o essencial da sua proeza: ter, quando o Atlântico demorara 54 anos a ser explorado, atravessado à primeira tentativa, em apenas três meses, a imensidão do Pacífico, que tanto quando sabemos jamais alguém atravessara. Se o fez não foi graças ao apoio que recebeu de Carlos I de Castela, mas graças à ciência náutica portuguesa que tinha bem assimilada. Foi dela que lhe veio a intuição genial de que o regime de ventos do Pacífico devia ser idêntico ao do Atlântico. Começou, assim, por rumar aproximadamente a norte, aproveitando os ventos alísios de sueste e a corrente de Humboldt que deles recebe a moção. Acompanhando a circulação do grande anticiclone do Pacífico sul inflectiu depois gradualmente para oeste, pondo-se de ló com os alísios do hemisfério sul. Tendo cruzado a 13 de Fevereiro de 1521 a linha equinocial, pôs-se finalmente a c. de 10° de latitude norte, para aproveitar dos alísios do hemisfério boreal e da corrente equatorial do norte; e com eles, ao cabo de três meses de navegação no desconhecido, alcançou as Filipinas.
Um último reparo, ainda que de somenos importância: lamenta-se a academia quer dos protestos portugueses tentando convencer Carlos I a cancelar a expedição, quer do que veio a suceder aos tripulantes da nau Trinidad, que sem um capitão ou um piloto da fibra de Magalhães, tentou, mas em vão, alcançar o Panamá, vagueando três meses pelo Pacífico até não ter outro remédio senão render-se aos portugueses de Ternate. A cena repetir-se-ia, aliás, com todas as sucessivas expedições castelhanas mandadas a Maluco, pois foi apenas em 1565, quarenta e três anos após ter Elcano concluído a primeira circum-navegação do Globo, que Felipe de Salcedo, assistido do cosmógrafo Frei Andrés de Urdaneta, conseguiu ganhar o México a partir das Filipinas, colocando-se à latitude do Japão para beneficiar dos ventos gerais de oeste. Concluiu assim a primeira travessia do Pacífico no sentido oeste-este, abrindo o caminho ao célebre Galeão de Manila, que a partir daí sulcou anualmente o oceano, entre Manila e Acapulco. Nesta conformidade será um ato de nacionalismo histérico afirmar que, ao tempo, a ciência náutica portuguesa estava mais adiantada? É isso o que explica o frequente recurso de Castela a pilotos e cartógrafos portugueses: Magalhães, João Dias de Solis, Rui Faleiro, Diogo Ribeiro, Fernão da Alcáçova, João Rodrigues Cabrilho, Pedro Fernandes de Queirós e tantos outros.
Afirma a academia: “los tripulantes de la Trinidad, apresados por los portugueses, no pudieron regresar hasta varios años después, cuando fueron liberados al firmar las coronas de Castilla y Portugal un acuerdo sobre la posesión de las Molucas”. Respeito profundamente o seu drama humano; mas convém explicar que o sofreram por terem invadido os domínios que, pelo tratado de Tordesilhas, cabiam à coroa de Portugal. Segundo os cálculos que em detalhe exponho no meu livro O Drama de Magalhães e a volta ao Mundo sem querer (Gradiva, Lisboa, 2018), demasiado complexos para se resumirem aqui, a raia de Tordesilhas recaía necessariamente entre 48° 28’ e 43° 35’ W de Greenwich. O antimeridiano passava, por conseguinte, entre 131° 32′ e 136° 25′ E de Greenwich, ou seja, pelo menos a uns 4° a nascente de Ternate e Tidore, que ficam a c. 127° W. Após a sua travessia do Pacífico, Magalhães aterrou, a 16 de Março de 1521, na ilha filipina de Samar, sita a c. 125° E, por conseguinte, dois graus a oeste da posição real das ilhas de Maluco, nove e meio da que no seu memorial a el-rei D. Carlos lhes atribuíra. Bom marinheiro como era, é provável que se tenha de imediato apercebido do seu erro. Se assim foi, deve ter-se sentido frustrado, senão perdido: traíra el-rei de Portugal para provar que as Molucas pertenciam de direito ao reino comarcão; restava-lhe agora o dilema: ou dar a mão à palmatória, traindo el-rei de Castela, ou obstinar-se no erro e trair assim a sua própria consciência.
Foi talvez a angústia resultante do transe em que se via que o inibiu de rumar logo de seguida às ilhas que constituíam o objetivo da sua expedição, pondo-se durante quarenta dias a vaguear pelas Filipinas, até colher a morte numa luta tribal em que se imiscuiu, de mais que diminuto interesse para a Coroa de Castela. Assim feneceu tragicamente a vida de um homem que foi quiçá o mais ousado navegante da história da humanidade. Outros castelhanos e portugueses ao serviço de Castela, utilizando a favor desta quer as imprecisões de Tordesilhas quer as divergências na correspondência dos graus de longitude a léguas, deslocavam, de boa ou de má fé, a raia muito mais para ocidente do que fazia Magalhães. Se o faziam de má fé, tinham em certa medida desculpa, pois tentavam vergar a favor da potência de que dependiam a realidade matemática das coisas. Já a Real Academia de la Historia, com o que de officio é obrigada a saber, de todo em todo a não tem…
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