sábado, 5 de agosto de 2017

O que andamos a fazer na Europa ?

Fujamos da Europa. O nosso lugar é no mundo. Aqui está a prova que tentam ocultar: fazer esquecer aos portugueses que estivemos na Ásia durante meio milénio, reduzir-nos a um obscuro e periférico lugar no canto extremo do ocidente da Europa dos negócios e dos colarinhos brancos. Venham à Ásia, visitem Goa, Malaca, Flores, Timor, Banguecoque e Macau e descobrirão a tamanha fraude em que nos deixámos enredar. A titulatura régia de outrora mantém plena actualidade: pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. Perdeu-se o Império mas ficaram as gentes fiéis a essa ideia de fraternidade universal que nenhum mercado pode destruir. Enfurece-me ver tanta ignorância adamascada, tanto pateta inteligente e tanto candidato a europeu convencidos da bondade do caminho da anulação em que entusiasticamente nos precipitámos. Ainda há tempo !

A história é simples. No primeiro quartel do século XIX, os holandeses e os franceses foram simplesmente varridos do mapa político da Ásia. Portugal, se bem que Goa fosse ocupada pelos britânicos, recrudesceu a sua iniciativa, pois era aliado do Reino Unido e um precioso complemento para a acção comercial e diplomática da Companhia Britânica das Índias Orientais. Na década de 1820, durante a governação de Diogo de Sousa, Conde de Rio Pardo, Portugal lançou generalizada ofensiva e restabeleceu parcialmente a influência que detivera em finais do século XVII, nesse ainda tão mal conhecido período da regência de D. Pedro. Os dois grandes travões ao retorno de Portugal à Ásia após a independência do Brasil foram, gostemos ou não, a criação da cidadania - que privou os portugueses asiáticos de ligação formal ao corpo da nação - e logo de seguida a extinção das ordens religiosas, que mutilou para sempre a actividade missionária do Padroado no Oriente. Não obstante estes dois fenómenos, verifica-se pujante actividade comercial em torno dos bandéis portugueses espalhados ao longo das costas do Índico, do Mar da China e do Pacífico: da foz do Ganges ao Irrawady, de Penang-Malaca a Singapura, de Batávia a Macau, do Tonquin ao Sião, não esquecendo a consolidação do funcionalismo especializado colocado junto das cortes do Camboja, Birmânia e Sião.

Ao contrário do que recita sem fundamento a lenda negra da decadência - uma pecha comum à tão aclamada Geração de 70 - tínhamos os melhores administradores, os mais sagazes diplomatas, conhecíamos melhor a região que os britânicos, detínhamos a lingua franca, estávamos profundamente incrustados nas sociedades de acolhimento, não nos envolvíamos em conflitos militares possuíamos o tal estatuto de Potência Histórica que funcionava e garantia confiança dos interlocutores. Os britânicos, por seu turno, não representavam um Estado, mas uma companhia, a sua elite tropical era de baixa extracção e falha de preparação, desconhecia as línguas e dialectos locais e eram tidos como agressivos e concorrentes no domínio dos circuitos comerciais há muito estabelecidos: o junk trade chinês e as rotas marítimas que ligavam os negari islâmicos da Insulíndia ao golfo pérsico. Em mais de duzentas obras consultadas até ao presente - memórias e relatórios de viagens de britânicos, franceses, holandeses e germânicos que pelo Sudeste-Asiático passaram entre as décadas de 1810 e 1860 - o mesmo resultado: os portugueses estavam em todo o lado, mantinham entre sí vínculos e trocavam informações, batiam a concorrência, impediam o acesso de forasteiros aos seus santuários. Foi há pouco tempo. Esse capital de memória, se bem que afectado pelo colonialismo europeu na região, manteve-se e ainda hoje, na Índia, no Paquistão, no Sri Lanka, no Bangladesh, na Birmânia, Tailândia, Singapura, Malásia e Indonésia há quem reclame o traço distintivo da herança sanguínea portuguesa.

Ontem, uma agradável descoberta. Dez documentos de uma assentada relativos à chegada da embaixada que Francisco Isidoro Guimarães, Governador de Macau, encabeçou ao Sião em 1859. Comparando-a com os documentos referentes a britânicos, norte-americanos e holandeses, duramente negociados, com "talks about talks" que se prolongaram por anos entre as autoridades siamesas e sucessivos enviados, a embaixada de Portugal apareceu na foz do Chao Phrya, enviou notícia da chegada a Banguecoque e foi recebida. No primeiro acto solene, o Rei Rama IV (Mongkut) disse, satisfeitíssimo: "estávamos há vossa espera há anos e agora apareceram, meus bons amigos". As negociações decorrem em meia dúzia de dias, sempre entre banquetes, representações teatrais e espectáculos de música, com as portas dos palácios e templos abertos em par a oficiais e marujos portugueses. Não houve resistência, medo e aquele ganhar de tempo que caracteriza a diplomacia dos asiáticos. Foi tudo assinado de cruz, regado com Madeira e juras eternas de amizade.

Se me fosse possível falar com o Primeiro-Ministro, dir-lhe-ia: "Excelência, não tenham medo, corram o risco, apareçam em Colombo, Dacca, Naypyidaw, Banguecoque e Phnom Pehn e digam-lhes aqui estamos, para restabelecer o que por ignorância quase deixámos cair no esquecimento". "Para que servem embaixadas na Argentina, Áustria, Bulgária, República Checa, Chile e em Cuba, no Egipto, Finlândia, Irlanda, Sérvia ou na Grécia ? Realizam captação de investimento, a expansão do comércio português, elevam a capacidade negocial portuguesa ? Não tenham medo, invistam o esforço na Ásia nestas últimas décadas de hegemonia ocidental, preparem o futuro".
Miguel Castelo Branco

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Aveiro Cidade dos Canais

REPORTAGEM FOTOGRÁFICA DA XV TOURADA REAL EM SALVATERRA DE MAGOS

XV TOURADA REAL à Antiga Portuguesa | Salvaterra de Magos
Colaboração da Real Associação Ribatejo e Causa Real.
Com a presença de SS.AA.RR. Os Duques de Bragança.
Créditos Fotográficos: Nuno de Albuquerque

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.
O grupo de forcados dedica a pega a S.A.R. O Senhor Dom Duarte de Bragança

Foto de Bruno de Castro.
O cavaleiro Luís Rouxinol recebe de S.A.R. O Duque de Bragança a placa de homenagem dos 30 anos de alternativa atribuída pela Real Associação Ribatejo

Foto de Bruno de Castro.
S.A.R. O Duque de Bragança entrega a placa de homenagem da Real Associação Ribatejo pelos 10 Anos de Alternativa do cavaleiro.

Foto de Bruno de Castro.
S.A.R. O Duque de Bragança entrega a placa de homenagem póstuma da Real Associação Ribatejo ao Mestre David Ribeiro Telles

Foto de Bruno de Castro.
SS.AA.RR. Os Duques de Bragança entregam a medalha da Real Associação Ribatejo

Foto de Bruno de Castro.
S.A.R. O Duque de Bragança entrega a placa de homenagem da Real Associação Ribatejo ao empresário tauromáquico

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.
Familia Cunha Coutinho na XV Tourada Real

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.
O empresário Rafael Vilhais e S.A.R. O Senhor Dom Duarte entregam o cheque donativo ao Comandante dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.

Foto de Bruno de Castro.
S.A.R. O Senhor Dom Duarte de Bragança cumprimenta o cavaleiro João Moura Jr antes da corrida


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

25 de Julho, o primeiro dia português

Foto de Nova Portugalidade.

Vinte e cinco de Julho de 1111, ou de 1109, nascia Dom Afonso Henriques; 
vinte e cinco de Julho de 1139, nascia no campo de Ourique a vitoria que 
levaria os portugueses à vida livre; vinte e cinco de Julho, dia de Santiago 
Maior. A coincidência das três datas, o nascimento do monarca fundador, 
o seu triunfo sobre cinco taifas mouras e a festa de Santiago Matamouros, 
patrono da Reconquista, carece de prova, e pode muito bem ter sido 
invenção - por certo patriótica e bem intencionada - dos cronistas. Sabido 
é que pouco se conhece das circunstâncias que rodearam aquele triunfo 
das armas portuguesas: se alguns cronistas insistem em cinco reis 
maometanos coligados e batidos, outros há para quem a vitória do português 
foi apenas sobre um chefe mouro. O Milagre de Ourique, ainda, teria sido 
ocorrência bela, mas não há fontes coevas que o admitam, e muito menos 
que o secundem: as primeiras referências ao formidável acontecimento, 
em que o próprio Cristo teria aparecido a Afonso na noite anterior à batalha 
para prometer-lhe que a monarquia portuguesa jamais cairia, pois sempre se 
manteria espada e fortaleza da fé cristã, datam apenas do século XVII. Tudo 
parece indicar, assim, que o Milagre foi conveniente acrescento dos monges 
de Alcobaça quando, em plena Guerra da Restauração, havia que dar 
empenho aos portugueses na luta contra os Habsburgos de Espanha.

O nascimento do Rei, como a batalha em Ourique, estão envoltos em incerteza, 
e de nenhum se sabe ao certo quando ocorreu. Certo é que a generalidade 
das fontes, como a Chronica Gothorum, ou Crónica dos Godos, confirmam 
a data de 25 de Julho, mas divergem da versão comum ao colocarem Dom 
Afonso frente a apenas um rei árabe, de nome "Esmar". Já o aniversário do 
Rei é igualmente alvo de controvérsia, e à noção comum de que Dom Afonso 
nasceu a 25 de Julho de 1111 em Guimarães se levantou, no século XX, a 
objecção de que teria, pelo contrário, aparecido ao mundo em 1109 em 
Coimbra ou Viseu. Não podendo haver certeza quanto a nenhum dos 
problemas, em ambos opta a Nova Portugalidade por aderir à tradição e 
por datar os dois grandes acontecimentos nacionais em 25 de Julho - um 
de 1111, outro de 1139.

Quanto à batalha, tudo o resto é incerto. O local é-nos desconhecido, 
reclamado que é por todos os numerosos campos de Ourique existentes 
em solo português. Prudente, pois, é afirmar que houve batalha, 
independentemente de ela ter oposto Dom Afonso a um ou a cinco reis 
mouros; razoável é, também, que era improvável a vitória portuguesa e 
muito superior a hoste moura que se nos opôs. Cimentado o domínio de 
Dom Afonso sobre Portugal com aquele triunfo e acalmada a moirama a 
sul, o filho de Henrique passaria, pouco depois da batalha, a assinar como 
"Rei dos Portugueses", e já não como "Príncipe" ou "Duque"; o seu título 
real seria reconhecido pelo primo Afonso de Leão em Zamora dali a quatro 
anos, e pela Santa Sé em 1179. Do Rei nascido a 25 de Julho, brotava a 25 
de Julho, dia de Santiago, a liberdade nacional - e o mundo não mais seria 
o mesmo.

RPB


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Dr. Pedro Salter Cid - RIP


Faleceu no passado dia 27 de Julho de 2017 o ilustre monárquico 
e chamusquense, Dr. Pedro Salter Cid. Enviamos as sentidas 
condolências a toda a família.