segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

S.A.R. SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA É O REI DOS PORTUGUESES E QUANDO O POVO QUISER SERÁ O REI DE PORTUGAL


 
A república imposta em Portugal desde 1910 na sequência de um acto criminoso, o duplo assassinato do Rei Dom Carlos e do Príncipe Herdeiro Dom Luís Filipe, impôs à população um "ideal jacobino da revolução francesa" que se reflecte na actual Constituição que obriga a uma «forma republicana de governo» e assim proíbe uma "forma DEMOCRÁTICA de governo", é o único regime da Europa Ocidental a impor a natureza republicana do estado, e todos nós sabemos que república não é sinonimo de democracia, basta lembrar a 2.ª república fascista a que por vergonha lhe chamam Estado Novo

A população tem direito a ter cultura histórica verdadeira, liberdade e direito de poder escolher para a Nação um regime moderno como o das Monarquias dos países mais evoluídos da Europa, como alternativa à arcaica e corrupta republica.

A Família Real Portuguesa é a garantia de um futuro livre e independente na defesa dos interesses do POVO e de PORTUGAL.
 

Real Associação do Médio Tejo: Visita Guiada - Paço Ducal de Vila Viçosa

Real Associação do Médio Tejo: Visita Guiada - Paço Ducal de Vila Viçosa: Foi neste palácio que o Rei D.Carlos dormiu na sua última noite, antes de ser assassinado em Lisboa. Casa-mãe dos Duques de Bragança, muito...

domingo, 1 de fevereiro de 2015

IN MEMORIAM




 



A 1 de Fevereiro de 1908 foram martirizados Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Carlos I de Portugal e o Príncipe Real Dom Luis Filipe de Bragança, num atentado terrorista perpetrado pela Carbonária organizado em conjunto por esta organização terrorista, pela maçonaria e por republicanos do PRP. O episódio trágico da História de Portugal para sempre haveria de ficar conhecido como Regicídio e nele foram ceifadas as vidas do Rei de 44 anos e do Príncipe hereditário de 20 anos. Que Descansem em Paz!

DOM CARLOS I - O ENALTECIMENTO D'EL-REI


 

Muitas das personalidades da cultura e da política contemporâneas da época em que viveu Sua Majestade, o Rei Dom Carlos I de Portugal, foram unânimes em reconhecer os seus enormes méritos e talentos fosse como Rei, fosse como homem ou mesmo como artista, não raras vezes se empenhando como enaltecedores do prodigioso monarca supliciado juntamente com o seu augusto filho primogénito no Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908.

Dr. Luís Vieira de Castro, in “D. Carlos I”, p. 287: «D. Carlos rejeitou desde o início do seu governo todas as sugestões ambíguas que pudessem vir a comprometer a Nação e propôs-se, sem detença, restaurar a amizade entre Portugal e Inglaterra. (…) D. Carlos viu restabelecidas as antigas relações com a Grã-Bretanha e ocupados, na sua maior parte, os territórios ultramarinos e conquistou, além disso, pelas suas qualidades pessoais, uma posição de verdadeiro prestígio na Europa do seu tempo, em cujo equilíbrio cooperou com talento e êxito.»

João Franco Castello-Branco, in Cartas D’El-Rei Dom Carlos I a João Franco Castello-Branco, Seu Último Presidente do Conselho, Lisboa, 1924: «Com uma instrução geral que o não deixava encontrar hóspede em qualquer assunto de conversação; conhecedor e possuidor de línguas, especialmente do francês e do inglês, por forma que delas se servia como de sua própria; dado ao gosto e cultura das Belas-Artes, em uma das quais, a Pintura, foi distintíssimo; habituado nos sports e, como atirador, excepcionalmente forte – reunia a tudo isso ser o homem mais bem-criado do seu País, dotado de um humor sempre igual, sem descair nunca na vulgaridade, nem deixar perceber de si, em qualquer circunstância, sinal de contrariedade, despeito ou irritação.»

Raul Brandão, in “Memórias”, 1.º Volume, Renascença Portuguesa, Porto, 1919, p. 289: «Porque foi, por exemplo, morto D. Carlos? (…) E no entanto já hoje se pode afirmar sem erro que D. Carlos não foi morto pelos seus defeitos, mas pelas suas qualidades. Respirou-se! Respirou-se! – o que não impede que, a cada ano que passa, esta figura cresça, a ponto de me parecer um dos maiores reis da sua dinastia. Já redobra de proporções e não se tira do horizonte da nossa consciência. (…) Não foram os seus defeitos que o mataram, foram as suas qualidades. Só o assassinaram quando ele tomou a sério o seu papel de reinar, e quando, João Franco, quis realizar dentro da monarquia o sonho de Portugal Maior. Foi esse o momento em que, talvez pela primeira vez na história, os monárquicos aplaudiram um crime que os deixava sem chefe, e se abriram de para em par as portas das prisões, congraçando-se todos os políticos sobre os corpos ainda mornos dos dois desventurados.»

Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, in “As Farpas”, 1872: «… Nós temos por el-rei a mais sincera simpatia, e consagramos a sua majestade a rainha o respeito mais profundo. Se a nossa palavra não basta, e se a esta homenagem dos nossos sentimentos é preciso acrescentar o sacrifício das nossas vidas – tenham a bondade de as mandar buscar. Desculpem o incómodo que vão ter, mas enfim, por mais acrisolado que seja o nosso amor aos príncipes, não parecerá certamente estranho que tratando-se das nossas vidas – hesitemos um momento em as mandar pela posta!»; e «É El-Rei a única força que no País ainda vive e opera.»

Júlio de Sousa e Costa, republicano, “O Rei Dom Carlos I (1863/1908) in “Factos Inéditos do Seu Tempo, Lisboa, 1943, p.8: «Tratar do Rei D. Carlos I e dos casos do seu infeliz reinado tão cheio de amarguras, e deixar no silêncio os chefes das facções políticas, não faria sentido. Ao narrador sincero compete, dentro do quadro da maior correcção e imparcialidade, analisar e comentar factos em que tiveram responsabilidades Rei e Ministros, analisando, sem paixão, a sua mística governativa.

D. Carlos I teve culpas, e algumas muito graves, na verdade!... Todavia as maiores recaem sobre alguns dos seus Ministros que o aconselhavam muito mal, o que tornou possível o advento da República, em 1910. E tão infeliz foi o Monarca, que no próprio Paço Real foi traído por indivíduos que ele sentava à sua mesa…

Acabou por ser a primeira vítima dos “erros que de longe vinham”, como ele próprio escreveu na carta histórica, dirigida ao Conselheiro Hintze Ribeiro, datada de 16 de Maio do ano de 1906, erros que depois foram continuados».

Homem Cristo escreveu in “Monarchicos e Republicanos”, Porto, ed. Livraria Escolar Progrédior, 1928, p. 274: «Mas no meio dos seus defeitos foi o político mais inteligente do seu tempo e o único, de todos, que tinha carácter».

F.A. Oliveira Martins, “El-Rei D. Carlos I” in “Semana de Lisboa”, 1/1/1893: «Foi uma coroa de espinhos a que o moço rei teve para colocar sobre a cabeça, e nem o brio da juventude lhe permitiu um instante o gozo da vaidade, a que se chama fortuna. (…) E antes, depois e sempre, em todo o decurso deste já longo terramoto, cujo fim não vimos ainda, o moço rei, sozinho, desajudado de homens prestigiosos que lhe amparassem o trono, com partidos desconjunturados que na hora do perigo se demitem, confessando meritoriamente a sua impotência, ouvia estalar os tiros sediciosos do Porto e crescer a vozearia, confundindo os erros da sociedade com a responsabilidade da Coroa, esperando a salvação da queda da monarquia.

Como se, no jogo mais ou menos imperfeito das instituições vigentes, houvesse alguma espécie de tirania! Como se o homem, que ontem se sentou no trono, pudesse ser responsável pelos erros acumulados em dezenas, em centenas de anos! Como se a desesperança, a apatia, o abandono com que a sociedade portuguesa se submete à oligarquia das clientelas e cabalas que a exploram, fossem filhas da acção perniciosa da Coroa! Como se, pelo contrário, não pudesse o rei queixar-se de tantos que desertam o seu posto…»

Recolha por Miguel Villas-Boas
Fonte: Plataforma de Cidadania Monárquica

107º ANIVERSÁRIO DO REGICÍDIO

   




REGICÍDIO - O ATENTADO TERRORISTA




João Franco anunciara no início de mandato o intento de governar à inglesa, ou seja, energicamente, mas com equidade, dentro do espírito das leis, com harmonia mas também com firmeza. Em 25 de Maio 1906, João Franco anuncia o seu programa de governo: ‘tolerância e liberdade para o país compreender a monarquia’, tendo o Conselho de Estado amnistiado os crimes de imprensa. Aproveitando a onda de liberdade, a oposição desencadeia uma vaga de ataques a João Franco e ao Rei Dom Carlos – novamente, a falsa questão dos adiantamentos. A oposição dos dissidentes progressistas entende-se com os republicanos e chega mesmo a instituir-se um comité revolucionário com os dissidentes, Visconde da Ribeira Brava e Alpoim, e, os republicanos Afonso Costa e Alexandre Braga. Estas dissidências não se verificavam por exemplo do lado da Maçonaria que deixa o conforto das acções de beneficência e sai das sessões místicas das lojas para, na sombra, mesmo reunindo membros que nutriam uns pelos outros ódios figadais, unificar-se pelo móbil revolucionário sob direcção do prestigiado grão-mestre Magalhães Lima – coesão que manteria até ao golpe do 5 de Outubro de 1910. A unidade maçónica permitiu a formação de uma organização secreta conjurante e armada: a Carbonária. A Carbonária Portuguesa, liderada por Luz de Almeida que arregimentava a artilharia civil, a partir de 1909, apoiada pelo próprio grão-mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, lançou-se no patrocínio das bombas dos anarquistas como João Borges e no recrutamento de fidelidades nos quartéis. As chefias militares, a braços com a pesada burocracia não tomavam consciência da enraizada 5.ª Coluna Carbonária entre soldados e sargentos.

Por outro lado, os republicanos do PRP lançaram-se na propaganda demagógica e Brito Camacho profere a famosa frase que expõe, claramente, a agenda republicana: ’havemos de obrigá-los às transigências que rebaixam ou às violências que comprometem’. Tudo serve de desculpa para denegrir o governo e o Rei: por exemplo começa a greve académica de Coimbra em Março de 1907, com o falso pretexto da reprovação de um candidato a Doutoramento em Direito; foi dito que João Franco, depois de quebrado o apoio dos progressistas, passou a governar à turca, mas tratou-se de uma ditadura apenas administrativa, à maneira da ditadura clássica romana; especulavam que o Rei intervinha muito na governação! Ora a verdade é simplesmente a opinião que sobreviveu! Vae Victis! Sim, porque a História é feita pelo vencedor!

Em 28 de Janeiro de 1908 é descoberta uma conspiração urdida pelos dissidentes progressistas e pelos republicanos. São detidos vários membros do directório republicano como Afonso Costa, António José de Almeida, Luz de Almeida, Egas Moniz e João Chagas. Luz de Almeida era o líder da brigada de artilharia, a Carbonária; António José de Almeida tinha entendimentos com o exército e mobilizava anarquistas como o bombista João Borges. Também foi preso Ribeira Brava, enquanto Alpoim, depois de se refugiar em casa de Teixeira de Sousa, fugiu para Espanha, instalando-se em Salamanca. A revolta foi descoberta e sufocada graças à acção do governo e do general Malaquias de Lemos, que dela tivera conhecimento pela indiscrição de um conjurado, que tentou cativar um polícia amigo, que, ao invés, foi expeditamente avisar os seus superiores.

Então João Franco ‘força’ El-Rei a assinar o Decreto de 31 de Janeiro que prevê a deportação dos que atentassem contra a segurança do Estado. O decreto foi assinado por Dom Carlos em Vila Viçosa. O monarca terá, então, dito: ’assino a minha sentença de morte!’.

A Família Real, como era comum no início de cada ano, encontrava-se em Vila Viçosa, pois aí passava um período de vilegiatura pela quadra natalícia no Paço Ducal – que Dom Carlos I adorava -, com os seus amigos mais chegados.

Em 1 de Fevereiro de 1908 - vai fazer precisamente 107 anos - a Família Real Portuguesa regressa no Comboio Real das férias de Natal, em Vila Viçosa, e é vítima de um atentado terrorista que ficaria conhecido na História de Portugal como o Regicídio.

Quando Suas Majestades os Reis Dom Carlos e Dona Amélia e os Príncipes Dom Luís Filipe e Dom Manuel percorriam o Terreiro do Paço num landau, os “primos” carbonários Manuel Buiça, Alfredo Costa e mais três lançaram-se “A Eles!”. Na exaltação vermelha do plano urdido secretamente na penumbra pelas organizações secretas e republicanas, o Costa disparou cobardemente pelas costas dos membros da Família Real e acertou El-Rei Dom Carlos na nuca; num acto de enorme coragem o Príncipe Real Dom Luís Filipe sacou do coldre o seu Colt e começou a disparar sobre o assassino de seu Augusto pai, mas os solavancos da carruagem fizeram-no errar a pontaria e, acabou, também, assassinado pela repetição de tiros do terrorista. O Buiça, que tirara a carabina escondida no varino descarrega a arma atingindo Dom Manuel no braço direito, enquanto a Rainha Dona Amélia aos gritos de “Infames!”, e, “armada” de um ramo de flores, tentava corajosamente, mas em vão, proteger a sua amada Família. O tenente Francisco Figueira trespassou, então, o Buiça com a espada e pôs-lhe fim aos intentos assassinos. Os outros acabaram, merecidamente, no fogo das armas da polícia.

Numa carta a seu amigo, SAS O Príncipe Alberto I do Mónaco, escrita em Fevereiro de 1907, Sua Majestade El-Rei Dom Carlos I exteriorizara a solução para o Reino: "Considerando que as coisas aqui não iam bem, e vendo os exemplos de toda a Europa, onde não vão melhor, decidi fazer uma revolução completa em todos os procedimentos do governo daqui, uma revolução a partir de cima, fazendo um governo de liberdade e de honestidade, com ideias bem modernas, para que um dia não me façam uma revolução vinda de baixo, que seria certamente a ruína do meu país." As elites republicanas – sim porque o Regicídio e mesmo o golpe que implantou a república não foram urdidos pelo Povo chão -, trataram de apressar o assassinato do Rei para precipitar a queda da Monarquia, pois a reforma de Dom Carlos impediria os seus intentos de chegar ao poder. Por isso mataram o Rei de 44 anos! Por isso, mataram o Príncipe Real de 20, e, com a sua morte, num período tão abundante de esperanças, aconteceu o primeiro sinal das mais trágicas desilusões.

Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Carlos I de Portugal gozava de uma admiração tal por todo o mundo, que pela primeira vez um Rei britânico, simultaneamente Chefe da Igreja Anglicana, entrou numa Igreja Católica, o que aconteceu na missa de requiem pelas almas d’El-Rei e do Príncipe Real, em St. James.

Por Miguel Villas-Boas - Plataforma de Cidadania Monárquica
 

VIDA D'EL-REI D. CARLOS I - O REI (2.ª PARTE)



 


A maior das crises políticas, que El-Rei enfrentou foi, logo no início do seu governo, o Ultimato britânico de 1890 usado pelos republicanos para inflamar a insatisfação popular e acicatar o ódio à Família Real Portuguesa. O Reino Unido apresentou a Portugal o Ultimato britânico de 1890, que intimava o desígnio expansionista de Portugal, concretizado no Mapa Cor-de-Rosa a desocupar os territórios compreendidos entre Angola e Moçambique num curto espaço de tempo, caso contrário seria declarada a guerra entre os dois países. Assim se perderam importantes áreas e a propaganda republicana aproveitou o momento de grande alvoroço nacional para responsabilizar a Coroa pelos reveses no Ultramar. Em 31 Janeiro de 1891, no Porto deu-se mesmo um golpe republicano, mas que foi debelado.
 
O que a propaganda republicana não divulgava, pois não lhes interessava, foi o papel do Rei que soube inverter a conjuntura e, fruto do seu exímio dom diplomático instalou Portugal no centro da diplomacia europeia da primeira década do século XX.
 
Um exemplo disso é também a viagem do Príncipe Real aos domínios portugueses em África que constituiu o acontecimento político mais importante da jovem vida de Dom Luís Filipe, até porque era o primeiro membro da família real a fazer tal viagem considerada indispensável pelo Rei Dom Carlos I.
 
Com uma parca comitiva, mas sem precedentes, o jovem Príncipe Real foi aclamado por todo o lado que passou, com vivas ao Príncipe e à Pátria Portuguesa, visitando S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, e ainda as colónias inglesas da Rodésia e da África do Sul, quando regressava passou por Cabo Verde.
 
Na metrópole, a situação política agudiza-se, o que conduziu à queda de mais um governo de Hintze Ribeiro. Então, o Rei decidiu chamar para formar governo, João Franco de Castello-Branco, do Partido Regenerador Liberal que teve o imediato apoio dos progressistas, com quem fez um governo de coligação. João Franco começou a governar à inglesa 19 de Maio de 1906, aprofundando a democracia e encerrada a questão dos tabacos, com o novo contrato dos tabacos de Outubro de 1906, João Franco dedicou-se à implantação das suas reformas.
 
Face à greve académica de 1907 na Universidade de Coimbra e à crescente efervescência social, o amparo parlamentar dos progressistas é retirado e os ministros progressistas demitem-se: temiam que João Franco fortalecesse o seu partido à custa do deles e contavam ser chamados para formar governo assim que Franco caísse. Enganavam-se, pois Dom Carlos toma uma atitude diferente do que se esperava, apoiando firmemente João Franco. Este, afrontado pelos constantes ataques provenientes da Câmara dos Deputados solicitou ao Rei que dissolvesse o parlamento, adiando por algum tempo as novas eleições, ao que Dom Carlos aquiesceu, e João Franco passou a governar em ditadura, à turca, a 2 de Maio de 1907. Ressalve-se que ao proceder deste modo o Rei não estava a ir contra a letra da Lei, dado que fazia parte das suas funções, mas os políticos tradicionais, lobrigavam, ao verem ameaçado o seu monopólio político.
 
A oposição gerou então uma campanha anti-governo sem precedentes pois abrangeu, também, o próprio Rei, dizendo que se estava em ditadura. Todavia, não se estabelecera uma ditadura institucional, antes uma medida de excepção, propondo-se criar as conjunturas que possibilitassem ao partido no governo vencer as eleições subsequentes.
 
Traindo Dom Carlos, João Franco reaviva a falsa questão dos adiantamentos do Estado à Casa Real e que vem incrementar a oposição ao Rei. Depois, acontece o episódio da entrevista ao jornal francês Le Temps, que veio agastar ainda mais os espíritos e a contestação ao Rei. Nesta entrevista dada por Dom Carlos, o monarca insiste no seu apoio a João Franco. De forma a cimentar a sua posição; a entrevista tem lugar por teimosia de João Franco, mesmo com a discórdia de outros franquistas, como Vasconcellos Porto, mas teve um efeito adverso na oposição.
 
Não obstante, o antagonismo crescente, o partido de João Franco alcança os acordos indispensáveis com os círculos eleitorais de maneira a garantir a desejada maioria, e são marcadas eleições para o parlamento, o que poria fim à ditadura administrativa. É neste cenário de retorno a uma normalidade e equilíbrio parlamentares, que republicanos e dissidentes progressistas desencadeiam uma tentativa de golpe de estado, em 28 de Janeiro de 1908, frustrado pela apta acção do governo, que dele tivera conhecimento pela indiscrição de um conjurado, que intentou cativar um polícia amigo, mas que o último, patrioticamente foi avisar prontamente os seus superiores. Os conjurados são detidos de imediato: António José de Almeida, o jornalista revolucionário João Chagas, Luz Almeida que era dirigente da organização terrorista Carbonária, Pinto dos Santos e Álvaro Poppe. Com o afastamento destes, a liderança do movimento recaiu sobre Afonso Costa que foi também aprisionado, junto com outros golpistas, entre eles o Doutor Egas Moniz e o Visconde da Ribeira Brava, apanhados no Elevador da Biblioteca, ainda de armas na mão, preparados para avançar para a Câmara Municipal. José Maria de Alpoim foi o único a conseguir fugir para Espanha.
 
Em resposta, João Franco aprontou um decreto que previa o exílio para o estrangeiro ou a expulsão para as colónias, sem julgamento, de indivíduos que fossem pronunciados em tribunal por atentado à ordem pública, e que esperava pela promulgação real.
 
Com este casus, estava criado o pretexto cujo desfecho haveria de ocorrer no terrível e fatídico 1 de Fevereiro de 1908, com o Regicídio.

Por Miguel Villas-Boas - Plataforma de Cidadania Monárquica