segunda-feira, 3 de agosto de 2015

El Duque de Braganza recibe el Gran Collar de la Hermandad Nacional Monárquica de España


El presidente Nacional de la Hermandad Nacional Monárquica de España, Francisco Rodríguez Aguado, impuso el Gran Collar de la misma a S.A.R. Dom Duarte Pío de Bragança. Duque de Bragança, así como la Gran Cruz a S.A.R. Dom Alfonso de Bragança, Príncipe de Beira en el transcurso de la recepción oficial que el Ayuntamiento de Valencia de Alcántara, Cáceres, ofreció a SS.AA.RR. el Duque de Bragança y Príncipe de Beira, así como a la Hermandad Nacional Monárquica de España y a la Asociación Portuguesa de Autarcas Monárquicos, con motivo de la conmemoración de la Boda Regia, la unión matrimonial de la Infanta Isabel de Aragón y Castilla con Don Manuel I “El Afortunado”, Rey de Portugal.

En su intervención el Presidente de los monárquicos españoles hizo referencia a hechos históricos que propiciaron la Boda entre el Rey portugués y la Infanta de Castilla. En este sentido, Francisco Rodríguez Aguado dijo “El 29 de septiembre de 1497 partió de Salamanca la comitiva real con destino a Valencia de Alcántara. En ella Sus Altezas Reales los Reyes Católicos Dña. Isabel de Castilla y D. Fernando de Aragón, la Infanta Isabel y cuantas personas formaban el cortejo nupcial de la primogénita de los Reyes Católicos. El sábado 30 de septiembre llegó la comitiva real a la Abadía, hospedándose en una Quinta del Duque de Alba. Allí después de comer, el Rey D. Fernando recibió una carta del propio Duque de Alba que se había quedado en Salamanca con el Príncipe enfermo donde le informaba de la gravedad por momentos del Príncipe D. Juan”. Este hecho histórico fue explicado por el Presidente de la Hermandad Nacional Monárquica de España, diciendo: “Los Reyes decidieron que D. Fernando volviese a Salamanca junto al Príncipe y la Reina y la Infanta Isabel continuaran camino a Valencia de Alcántara. El viernes 6 de octubre entraba en esta Villa la comitiva real.”

El Presidente de los monárquicos españoles comentó a los invitados reunidos en el Saló de Plenos del Ayuntamiento de Valencia de Alcántara que “la Boda de D. Manuel I “El Afortunado” con la Infanta Isabel de Aragón y Castilla supuso para Portugal y España el fín de los enfrentamientos bélicos entre los dos reinos y el ahorro que eso suponía a las arcas castellanas y portuguesas. Los Reyes Católicos con su política matrimonial, querían emparentar con las Casas más prestigiosas de Europa: Tudor, Habsburgo, Avis…”

El Príncipe de Beira, Dom. Alfonso de Braganza, fue nombrado Caballero Gran Cruz de la Hermandad Nacional Monárquica de España y recibió la Placa del cargo, así como el diploma que lo certifica.

Por su parte el Duque de Braganza, Dom Duarte Pío de Braganza, agradeció la distinción concedida por la Hermandad Nacional Monárquica de España tanto a título personal como en nombre del Príncipe de Beira, su hijo, y comentó lo que supuso para España y Portugal la unión matrimonial del Rey luso con la Infanta castellana. En todo momento el Duque de Braganza habló del buen trato que existió y existe entre las dos casas reales, la española encarnada en la Casa Borbón y la portuguesa en la Casa Braganza

FOTOGRAFIAS DE SS.AA.RR. O SENHORES DOM DUARTE E DOM AFONSO EM VALÊNCIA DE ALCÂNTARA



SS.AA.RR. o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança, e o Senhor Dom Afonso, Príncipe da Beira, nas festas das Bodas Régias em Valência de Alcântara.
 
  
A bandeira de Portugal presente na Câmara Municipal de Valência de Alcântara para receber SS.AA.RR. Dom Duarte Duque de Bragança e Dom Afonso Príncipe da Beira.
 
SS.AA.RR. o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança, e o Senhor Dom Afonso, Príncipe da Beira, recebidos em Valência de Alcântara para as festas das Bodas Régias.

Marcelino da Mata – O dever de ajudar um Herói de Portugal


O verdadeiro dever de memória, para além de fantasias, é transmitir aos mais novos o culto e amizade pelos heróis da Pátria


Captura de ecrã 2015-07-31, às 18.09.14HUMBERTO NUNO DE OLIVEIRA
Recebi esta semana um correio electrónico do ilustre Advogado, Alexandre Lafayette, dando-me conta das suas diligências ‘in extremis’ para impedir que fosse vendida a casa de família do Tenente-Coronel Marcelino da Mata através do Tribunal de Sintra.
Sendo certo que nem um Herói de Portugal pode estar acima do cumprimento da lei, importa neste caso contextualizar o assunto e actuar como nos for possível. Devendo-se, porém, lembrar o muito que Portugal deve a Marcelino da Mata e que, seguramente, está muito para lá de uns míseros milhares de euros.
A dívida que motivou tal processo, à Caixa Geral de Depósitos (CGD), resulta da falta de pagamento de um empréstimo contraído por uma patrícia do Tenente-Coronel Marcelino da Mata, no qual com a generosidade e grandeza que o caracterizam acedeu a ser o avalista, apondo a sua assinatura num papel que eventualmente nem leu e que assinou com a ligeireza de quem bebe um copo de água. Marcelino da Mata não trai nem nunca traiu e as traições não fazem parte do seu imaginário.
Como nem sempre os grandes homens são necessariamente grandes juízes de carácter, a Senhora sua conterrânea desapareceu para parte incerta (consta que terá ido para o Reino Unido), e o nosso bom amigo, passou a responder por uma dívida que não contraiu mas avalizou.
Da dívida real (ou seja de capital não pago) de 1.608,15 euros, conseguiram os agiotas dos nossos tempos – as denominadas instituições bancárias –, fazê-la subir até aos 57.800 euros, valor que estava manifestamente errado porque a CGD já havia recebido o produto da venda de um imóvel da “amiga da onça” do nosso amigo Marcelino da Mata. Ainda assim, fruto do intenso e dedicado labor do nosso muito prezado Dr. Lafayette, a contestação levou a apuramento de um valor de “apenas” 35.609,39 euros. Dando de barato (sem nenhuma convicção, porém) que para uma dívida de 1.608,15 euros, juros de 29.501,23 euros serem uma manifesta indignidade, para não dizer muito pior (a que acrescem 4.500 euros de despesas processuais e judiciais…), igualmente o entendeu o Ilustre causídico que contestou a exorbitância do montante dos juros solicitando uma redução de cerca de 50 por cento, para aproximadamente 14.000 euros, e o pagamento mensal de 600 euros, que já se iniciou, para pagamento de divida.
A CGD, porém (sem qualquer consideração pelo visado, aliás como nunca a manifesta por ninguém), só admite um ajuste da importância global se se “apresentar uma proposta que vise a entrega de um montante único, com pagamento imediato”.
Pretende assim o Dr. Alexandre Lafayette apresentar à CGD uma proposta de pagamento único e global, que determine o arquivamento do processo, no montante de 20.000 euros.
Porém o nosso amigo Marcelino da Mata, até há bem pouco tempo verdadeira muleta de tantos dos seus patrícios, tem a sua conta bancária a zeros… Importa pois que todos quantos sentimos o muito que devemos a homens do calibre de Marcelino da Mata que façamos uma colecta para juntar os 20.000 euros, quantia que permitirá arrumar este assunto e sacudir os problemas que afligem Marcelino da Mata e a sua família. O apuramento desta quantia permitiria que poupasse cerca de 15.000 euros. Se tal não logramos o Dr. Lafayette terá de negociar com a CGD o pagamento em prestações dos 35.609,39 euros, a que acrescerão as despesas do contrato que tiver que ser celebrado com a CGD, disto resultando um encargo mensal de cerca de 750 euros, a deduzir à pensão de reforma do veterano de guerra, já que a CGD não aceita um mútuo por período superior a cinco anos porque o nosso Tenente-Coronel já tem 75 anos de idade. Importa acrescentar que tal empréstimo para amortizar a dívida, que era da “amiga da onça”, implica hipotecar o andar do nosso Amigo e da sua família.
Por tudo quanto este Herói fez por Portugal, cabe-nos a todos nós o dever de o ajudar, e à sua família, a superar esta provação.
Foi aberta uma conta para resolver o problema do Tenente-Coronel Marcelino da Mata o seu NIB é o seguinte: 0019 0042 0020 0022 3090 9, contamos evidentemente com todos os Portugueses de bem, isentando de participação todos quantos, activa ou passivamente, contribuíram para as suas sessões de tortura após o 25A.

Fonte: O Diabo

domingo, 2 de agosto de 2015

CARAVELAS, NAUS E GALEÕES PORTUGUESES - CHOQUE TECNOLÓGICO SÉC. XVI



Realizámos este documentário (47 min.) que desvenda um mistério com 500 anos, dando a conhecer a razão pela qual as caravelas criadas pelos Portugueses são hoje comparadas a modernos space shuttle. O impacto desta inovação transformou Portugal na principal potência marítima e económica do século XVI.
Mas quando se lê um livro de História espanhol, inglês, francês ou holandês, as referências ao papel desempenhado pelos portugueses na época dos descobrimentos são insignificantes. Por essa razão quisemos saber a opinião dos melhores historiadores mundiais e os resultados foram surpreendentes.
“Caravelas e Naus – Um Choque Tecnológico nos séculos XV e XVI” ficou em 1º lugar entre 62 documentários num concurso do Discovery Channel, tendo sido emitido em vários continentes.
Portugal, nos séculos XIV, XV e XVI, foi o primeiro a iniciar a idade da descoberta, um século antes de Espanha e dois séculos antes de Inglaterra e Holanda.

Durante a época dos Descobrimentos, ousados e intrépidos marinheiros com nomes como; Bartolomeu Perestrelo, Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira, Diogo de Silves, Diogo de Teive, Gonçalo Velho Cabral, Gil Eanes, Afonso Gonçalves Baldaia, Nuno Tristão, Dinis Dias, Álvaro Fernandes, Diogo Gomes, António da Nola, Duarte Pacheco Pereira, Antão Gonçalves, Pedro de Sintra, João de Santarém, Pedro Escobar, Lopo Gonçalves, Fernando Pó, Gaspar Corte Real, Miguel Corte Real,  Álvaro Martins Homem, João da Nova, Fernando Noronha, António Saldanha, Gonçalo Álvares, João Fernandes Lavrador, Pêro de Barcelos,  Diogo Cão,  Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, António Abreu, Francisco Serrão, Simão Afonso Bisagudo, João de Lisboa, Estevão Fróis,  Cristóvão de Mendonça(1), Gomes de Sequeira, Lourenço de Almeida, Tristão da Cunha, Afonso de Albuquerque, entre muitos outros(2), partiram por mares nunca navegados em busca do desconhecido.

Portugal país pequeno, na altura teria pouco mais de um milhão de habitantes, tornou-se, graças aos sacrifícios, engenho e arte de marear dos seus gloriosos marinheiros, na primeira potência marítima global.

(1) Cristóvão de Mendonça foi quem cartografou e mapeou a Austrália em 1522/25. Esta importante descoberta foi mantida em segredo por causa da cobiça e por não termos gente suficiente para a povoar. Foram já encontradas provas da nossa estadia, através de artefactos de pesca, de dois canhões e de outros achados provenientes de Portugal.  Já depois da nossa chegada a Timor em 1511, consta que o navegador António de Abreu,  teria navegado até a essas terras, denominadas Ilha do Ouro.

(2) Na longa lista dos ousados marinheiros acima mencionada, há que notar também os feitos heróicos de mais dois cujos nomes todo o mundo conhece. Cristóvão Colombo e Fernão de Magalhães. Apesar dos seus relevantes serviços terem sido prestados à Espanha, é de referir que todos os seus conhecimentos náuticos, foram feitos em Portugal. 




Ceuta 1415 - 3. No melhor pano cai a nódoa

Enquanto a grande armada portuguesa estacionada em Faro aguarda a chegada do bom vento que a levará ao Estreito, avancemos 225 anos na História, até uma fria noite de inverno em Fevereiro de 1641.


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 Em Lisboa viviam-se momentos de grande felicidade pela libertação dos 60 anos de pesado jugo estrangeiro e pela aclamação do Duque de Bragança como Rei D. João IV, que ocorrera dois meses antes. Muito era também o cuidado posto na preparação da defesa do Reino, em face da certeza de um iminente ataque dos espanhóis. Utilizavam-se todas as comunicações e canais diplomáticos para assegurar que a aclamação se estendia rapidamente a todos os territórios portugueses de além-mar. A rapidez de actuação era decisiva.

Para bordo de um navio alemão estacionado no Tejo subiam, com as suas famílias e criados, Duarte Luís de Meneses - conde de Tarouca – e João Soares de Alarcão – alcaide-mor de Torres Vedras – os novos governadores de Tanger e de Ceuta, ainda nomeados pelo governo de Filipe IV. As nomeações tinham sido depois confirmadas por El-Rei D. João IV, a quem ambos beijaram as mãos e de quem receberam ordens de partida imediata para os seus novos postos. Estavam incumbidos da urgente missão de anunciar as boas novas do Reino e de assegurar a total adesão daquelas duas praças ao novo soberano português. Seguia o navio a caminho do Estreito quando, à vista de Cádis, os governadores exortaram o mestre do navio a entrar naquele porto, a fim de poderem observar de perto a armada castelhana. O alemão recusou, não querendo desviar-se da rota definida mas, pouco depois, com a ajuda dos criados a bordo, obrigaram-no pela força a arribar a Gibraltar. Saltando para terra, seguiram imediatamente com as famílias para Sevilha, onde se encontraram com outros fidalgos portugueses com quem tinham urdido todo o plano de fuga. Dali se dirigiram todos para Madrid e colocaram-se à disposição do rei habsburgo. Filipe IV agradeceu-lhes a lealdade e enviou imediatamente os meios necessários para procurar a todo o custo preservar a fidelidade daquelas praças. Tanger acabaria por aclamar D. João IV dois anos mais tarde mas Ceuta, condicionada pela presença de forte dispositivo espanhol, nunca chegou a poder faze-lo.

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 Ao cabo dos 28 longos e vitoriosos anos de Guerra da Restauração, Portugal conseguiu a formidável proeza de recuperar praticamente todas as suas posses ultramarinas, com excepção de uns poucos territórios asiáticos perdidos para os holandeses e de Ceuta que acabou por ser a única praça cedida a Espanha, conforme o tratado de paz de Lisboa, assinado a 13 de Fevereiro de 1668. Mas nem por isso se apagou nesta cidade a memória daqueles que derramaram o sangue na sua conquista e na sua preservação, como bem o testemunham as armas de Portugal em fundo de Lisboa, ainda hoje os símbolos presentes no estandarte oficial da cidade autónoma de Ceuta.

É sabido que não foram estes os únicos infelizes membros da nobreza de Portugal que naquela ocasião optaram por passar a Espanha. Mas a traição do conde de Tarouca foi particularmente ignóbil, dado que o mesmo descendia, por varonia, de valorosos militares portugueses combatentes em África: Destacam-se D. Duarte de Meneses - conde de Viana e primeiro capitão de Alcácer Ceguer - herói que deu a sua própria vida para proteger El-Rei D. Afonso V; e o seu pai D. Pedro de Meneses - conde de Vila Real e primeiro capitão de Ceuta - que integrava a armada da expedição de 1415 e de quem adiante voltaremos a falar. Foi no melhor pano que caiu a nódoa.

João Ferreira do Amaral, em 01.08.15

Fonte: 31 da Armada

Ceuta 1415 - 2. Partida para a grande expedição

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D. João I encontrava-se em Alhos Vedros, vila livre da terrível peste, quando decidiu prosseguir com a grande expedição, apesar de todas as contrariedades. Partiu na galé do seu filho Conde de Barcelos e foi pernoitar junto da frota que, fundeada no Restelo, aguardava instruções. No dia seguinte, levou o navio de comando até Santa Catarina (Algés) donde fez soar as trombetas que assinalavam a partida. Foi certamente impressionante o espectáculo da partida em direcção à foz da armada com dimensão nunca antes vista no Reino. Estima-se que incluía cerca de 200 navios e 20,000 homens. Era o dia 25 de Julho de 1415, dia de S. Tiago. Faz hoje precisamente 600 anos.

Aproveitando o vento favorável de norte, a frota dobrou o cabo de S. Vicente no dia seguinte, tendo folgado momentaneamente as velas como sinal de respeito pelo lugar onde tinham repousado as relíquias do santo. Ancoraram na baía de Lagos já na noite do dia 26. Foi aí que, no dia seguinte, o Mestre Frei João Xira explicou durante o sermão da missa o destino e os motivos daquela grande empresa, que tinham sido guardados em segredo até então e, portanto, eram ainda desconhecidos de quase todos os participantes.

A cruzada foi razão a invocada. Era considerado “serviço de Deus” expandir a fé em Jesus Cristo e combater o infiel. Tratava-se de retomar a reconquista cristã para sul mas, desta feita, além-mar. Recorde-se que a cidade de Ceuta tinha sido cristianizada pelos bizantinos na época de Justiniano – séc. VI – e cristã se manteve durante o domínio visigótico. Foi a partir do séc. VIII que a invasão do califado omíada instalou o culto islâmico na região, transformando as igrejas em mesquitas. Portanto, era chegada a hora de vingar a traição do conde Julião, governador visigótico de Ceuta que, reza a tradição, terá colaborado com o invasor árabe e facilitado às tropas de Tariq a travessia para a Hispânia através do Estreito, em 711. Seria esta ideia de cruzada e a promessa de indulgência concedida por bula do Papa a razão publicamente invocada para a realização da expedição.

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Contudo, o próprio Zurara refere no início da narração que foi João Afonso de Alenquer quem convenceu os três infantes de Avis dos méritos que teria a eventual conquista de Ceuta nas suas investiduras como cavaleiros. O facto de João Afonso ser vedor da fazenda, isto é, responsável pelo tesouro do Reino, serviu de base às diversas conjecturas surgidas na historiografia pós-romântica acerca das razões que verdadeiramente teriam pesado na decisão de El-Rei. António Sérgio, Jaime Cortesão, Vitorino Magalhães Godinho, Luís Adão da Fonseca, entre outros, elaboraram variadas hipóteses baseadas em motivos de outras naturezas:
Motivos económicos – O aproveitamento do relevante entreposto de comércio, o controlo das zonas de pesca, o combate ao corso e a protecção da costa algarvia face aos frequentes ataques mouros, o trigo produzido nas searas de uma região próxima, as especiarias e o ouro que ali chegavam vindas do oriente e do sertão africano.
Motivos sociais – As oportunidades de novas terras e de mais mercês para a nobreza, de expansão do evangelho para o clero, de mais negócio para os mercadores, de saque para alimento do povo mais humilde.
Motivos políticos - Afirmar o prestígio da nova dinastia que acabava de se impor a Castela, tomar a iniciativa da reconquista cristã em África e ali estabelecer uma base para futuras conquistas, assumir o maior protagonismo entre os reinos hispânicos, asfixiar o reino de Granada pelo sul, controlar a entrada e a saída do mediterrâneo.

Dificilmente se sairá da discussão em torno da verosimilhança de cada uma destas hipóteses. Certo é que a “chave do mediterrâneo” (nas palavras sábias do cronista), era o objectivo para onde se dirigia a grande armada portuguesa saída de Lagos. A ausência de vento obrigou ainda a uma paragem de uma semana em Faro. Como iria decorrer o resto da viagem, agora que eram do conhecimento de todos o destino e o objectivo da missão?

por João Ferreira do Amaral, em 25.07.15

Fonte: 31 da Armada