sábado, 8 de abril de 2017

JANTAR/TERTÚLIA: A MONARQUIA COMO BERÇO DO PARLAMENTARISMO

Foto de Juventude Monárquica Portuguesa.

Os jantares-tertúlia estão de volta à Juventude Monárquica de Lisboa! O primeiro de 2017 terá lugar já no próximo dia 20 de Abril (5ªf) na Fábrica Imperial*, em cima do Parque Eduardo VII.

Iremos receber como convidado o Prof. André Azevedo Alves, do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, que nos irá falar sobre "A Monarquia como berço do Parlamentarismo".

O jantar terá um valor €13,5 por pessoa e as reservas poderão ser feitas até dia 18, através do e-mail secretariageraljmp@gmail.com ou aqui no facebook, por mensagem privada.

Na confirmação da reserva pedimos só que indiques o prato que desejas para o jantar: se o prato de carne (lombo de porco com farinheira no forno, com batata assada e esparregado), se o prato de peixe (bacalhau espiritual).

O evento está limitado à capacidade da sala e a admissão será feita por ordem de inscrição! Inscreve-te já!

*Morada: Rua Marquês de Fronteira, Nº 113A



sexta-feira, 7 de abril de 2017

A guerra nas nossas ruas

Rua St. António dos Capuchos.jpg

Rua de Stº Antº dos Capuchos em Lisboa


Antes de instalar o meu escritório em Cascais na centralíssima e animada Rua Visconde da Luz, ao lado do jardim com o mesmo nome, fui indagar sobre o eminente cascalense que se esconde por detrás do marido traído (para não usar uma terminologia vernacular) por Rosa Montufar Barreiros, amantíssima musa de Almeida Garrett, conhecida pela sua beleza lendária. Afinal não era apenas esse infortúnio que tornara célebre o oficial do exército liberal que nesta vila piscatória construiu uma casa de veraneio e plantou algumas árvores. Dos heróis derrotados dessa guerra civil, em matéria de toponímia sobrou para amostra a Bica d’el Rei D. Miguel, restaurada há pouco ali no Arsenal da Marinha, junto ao rio Tejo.

A verdade é que a maior parte das pessoas é indiferente à origem dos nomes das avenidas, praças, ruas ou fontanários das nossas terras. E no entanto, a toponímia das nossas cidades, vilas e aldeias esconde uma contenda encarniçada que com raras excepções só os vencedores admite, mesmo que eles tenham sido os mais requintados tiranos ou umas completas nulidades.

Está hoje cientificamente provado que o revisionismo de grande parte da toponímia nacional pelos republicanos de 1910 quedou-se como o seu principal legado. Em Lisboa, entre muitíssimas outras renomeações, a Avenida Rainha D. Amélia passou a chamar-se avenida Almirante Reis, o Cândido comandante da revolta que se suicidou espetando um balázio nos miolos dois dias antes da implantação da dita, convencido de que a revolução estava perdida – sem dúvida um grande feito. E temos o pobre Frederico Ressano Garcia, arquitecto das Avenidas Novas em finais do século XIX que dava nome a uma conhecida artéria que rasgava o planalto urbano em direcção ao Campo Grande: o seu nome foi descartado e a arejada avenida forçada a ser da República. Logo ali ao lado, a Avenida António Maria Avelar foi rebaptizada por avenida Cinco de Outubro. Se eu lá morasse tinha logo mudado de casa.

Bem pior é a quantidade de eminências pardas que empestam a toponímia das nossas cidades, como é o caso flagrante de Miguel Bombarda, vulgar psiquiatra e medíocre publicista republicano assassinado por um seu doente em vésperas da revolução de 1910, de que não se lhe conhece obra que se veja mas que bate Luís de Camões, Gil Vicente, Fernando Pessoa ou outra figura pública em qualquer lugarejo deste jardim à beira-mar plantado. Se um marciano aterrasse hoje numa cidade portuguesa pensaria que Miguel Bombarda e Elias Garcia (alguém lhe conhece feito ou obra?) são as mais gradas figuras históricas nacionais.

É curioso como na cidade de Almada se cruzam ruas Catarina Eufémia, Padre Américo, Aliança Povo-MFA, Dr. António José de Almeida, rei D. Carlos, 31 de Janeiro, José Afonso e Padre António Vieira e Sagueiro Maia. Mas a suprema ironia é a história do militante e resistente monárquico Saturio Pires, um bravo da Galiza com papel preponderante nas Incursões Monárquicas e na Monarquia do Norte, que depois do exílio atingiu o final da vida em grande miséria, e foi viver para uma habitação social atribuída por Salazar na… Avenida Defensores de Chaves. Definitivamente o António não era flor que se cheirasse.
Tenho para mim que os nomes de personalidades a atribuir a topónimos deveriam ser submetidos ao crivo do tempo, quer dizer, da história; e as ganas da homenagem dos seus partidários serem contidas por cem anos, ou mais, antes de se tornarem um factor de desvalorização imobiliária, que é o que acontece antes das pessoas comuns se esquecerem quem foi o pilantra com o nome gravado em determinada tabuleta.

Ninguém se incomodará com uma rua Gil Vicente, Rua Alexandre Herculano, Rua Eça de Queirós, Rua D. Pedro V, Praça Luís de Camões ou Calçada Marquês de Abrantes. Entretanto, diante da expansão urbana, deveríamos fazer como os antigos que sabiam dar nomes bonitos partindo do mérito dos próprios locais. Rua da Alfarrobeira, Rua das Gaivotas, Rua dos Mastros, Rua Navegantes, Rua do Poço Novo, Beco das Terras, Rua da Vitória, Rua da Saudade, Rua da Bela Vista, Rua do Alto do Moinho Velho, Rua das Gáveas, Rua da Horta Seca, Travessa da Espera, Rua da Misericórdia, Rua das Mercês ou dos Fiéis de Deus — tudo nomes que irradiam encantamento e que, por isso, estou convencido, têm o condão de ajudar a fazer dos seus habitantes pessoas melhores e mais felizes...

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Ética Real – A Verdadeira Ética


Só um Rei visa a prossecução do interesse público, do bem da coisa comum e do bem-estar comum, da verdadeira res publica, que jurou valer e garantir na Aclamação. Só um Rei asseguraria essa representatividade de todos e garantiria a ética na administração da coisa comum. Um Rei não é proveniente da esfera das rotações partidárias, é aclamado pela mais significativa das aprovações: a Aclamação por todas as forças vivas da sociedade agregadas em Cortes! É Rei pelo Código do Direito Natural e pela Aclamação da Nação reunida:
‘Real! Real! Real! Pelo muito alto e muito poderoso e fidelíssimo Rei de Portugal!’
Assim, o Rei põe em primeiríssimo lugar os interesses do próprio Povo e da Nação que tem por dever fundamental defender: ’em prol do comum e aproveitança da terra’. Essa noção de serviço público enraíza-se na História, que o Rei como ninguém assume e encarna.
Na obra de 1496, ‘Do Governo da República pelo Rei’, Diogo Lopes Rebelo elenca, já, quais os deveres do Rei:
‘É dever do Rei cumprir o que diz. Lembre-se que não é supremo Rei, a fim de nada fazer de indigno de tão grande nome. Acostume-se a nada dizer de indecoroso e de impróprio de si. Não ouça nem profira palavras desonestas pois que as más falas corrompem os costumes.
É ainda dever do Rei levantar a república na adversidade, conservá-la na prosperidade, e de pequena torná-la grande. Deve, também, considerar que foi colocado à frente dela, não tanto para governar, como para proveito dos cidadãos. (…)
Compete, finalmente, ao Rei pensar na utilidade de seus cidadãos e da república, a ele confiada e entregue. (…) A todos os seus protegerá: nobres, plebeus, incultos, sábios, ricos e pobres, porque o Senhor o fez tutor e pai de muitas gentes.’
Na verdade, o Rei é um servidor da Nação e, por isso pode ser destronado em Cortes extraordinárias, se ele não cumprir qualquer das obrigações inerentes ao seu cargo.
O Rei tem de governar rectamente: Rex eris, si recte facias, si non facias, non eris.
Ética republicana?! Por favor, não nos façam rir!
Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica

terça-feira, 4 de abril de 2017

PRÍNCIPE REAL - AQUELE QUE ERA A ESPERANÇA


‘O Príncipe [D. Luís Filipe] sabia que o Pai [D. Carlos I] lhe estava preparando uma grande Pátria. O muito amor por seu Pai era, a par da admiração de filho, a profunda, consciente gratidão de Português, que assistia ao engrandecimento incessante de trabalho de patriota.
O sentimento patriótico tão característico no Príncipe Real, o seu espírito eminentemente culto fizeram-no entrar admiravelmente na realização dessa ideia que o alto senso político d’El-Rei D. Carlos imediatamente aprovara.
Da forte personalidade do Príncipe Real emanava um singular atracção: a amenidade do trato e a seriedade do carácter, a alegre comunicabilidade da sua mocidade eram outros tantos elementos da simpatia que despertava.’
– António Coelho Vasconcellos Porto, Ministro da Guerra D’El-Rei D. Carlos I (1908) in ‘A Marcha Para O Renascimento – El-Rei D. Carlos e o seu Reinado’

segunda-feira, 3 de abril de 2017

D. CARLOS I E O PROJECTO DE RENASCIMENTO DE PORTUGAL

‘El-Rei Dom Carlos levantara-nos no conceito do estrangeiro, com a obra pessoal da sua política internacional; o exército estava a cobrir-se de glória; a vida pública, ao seu desaparecimento estava olhando por ela, com um escrúpulo, uma devoção, um entusiasmo de grandeza moral que, para poder exigir civismo aos outros, foi o primeiro a submeter a sua majestática figura a debate de que a sua consciência não se assustava, mas que lisonjeavam a sinceridade com que adoptara a última fase do seu reinado – trabalhava como um pioneiro!
Nesse curto reinado de D. Carlos galgou-se dos abatimentos da decadência às cumeadas do renascimento!’
– António Coelho Vasconcellos Porto, Ministro da Guerra D’El-Rei D. Carlos I (1908) in ‘A Marcha Para O Renascimento – El-Rei D. Carlos e o seu Reinado’

sábado, 1 de abril de 2017

BAÇAIM, A CAPITAL DESCONHECIDA DA ÍNDIA PORTUGUESA

Foto de Nova Portugalidade.

Cedida a Portugal por Badur Xá em 1534, a fortaleza de Baçaim, na costa ocidental indiana, rapidamente se transformou num dos principais centros de actividade portuguesa no Índico. Após a haverem obtido, os portugueses renovaram-na, expandiram-na e apetrecharam-na com a mais moderna maquinaria de guerra. Já à sombra das fortificações, e para que de Baçaim se fizesse um centro comercial de primeira importância, ergueram um conjunto urbano imenso e que surpreendia pela complexidade e completude. 

Baçaim foi verdadeiramente, e talvez mais que qualquer outra localidade por nós erguida na Índia, uma cidade europeia em terra asiática. Feita de raiz onde antes só houvera mato, Baçaim era casa de grande número de portugueses chegados do Reino. Foi, e isso a distingue, planeada especificamente como centro urbano capaz de implantar a presença portuguesa, servir de base ao comércio que a Coroa lá mantinha e resistir a investidas inimigas. Em 1536, dois anos sobre a sua conquista, abriu-se lá uma igreja; três anos mais tarde, concluir-se-ia o forte de São Sebastião. Em 1547, fez-se a Igreja de São José que, renovada e aumentada em 1601, passaria então a coroar um conjunto que incluía um convento e um colégio. Outras igrejas, hospitais, conventos e colégios - eram dois, e ambos com currículo equivalente ao de uma universidade - apareceriam depois, marcando presença na cidade jesuítas, franciscanos e dominicanos. 

Enquanto capital da Província do Norte, segunda grande subdivisão do Estado da Índia no subcontinente, Baçaim atrairia repetidamente o interesse dos adversários de Portugal. Caiu em 1739 após longo cerco e em situação de claríssima inferioridade de homens e meios. Uma tentativa posterior de reconquista, ensaiada décadas mais tarde, seria violada e inviabilizada pela intervenção inglesa, que tomou para si a cidade antes que os portugueses pudessem recuperá-la dos maratas. Baçaim seria depois desprezada pelos britânicos, que prefeririam concentrar-se na expansão de Bombaim, e progressivamente abandonada pelos seus habitantes. As suas magníficas ruínas, contudo, continuam a testemunhar a grandeza da herança portuguesa na Ásia.

Rafael Pinto Borges