sábado, 21 de dezembro de 2019

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

A CRETINA VASSALAGEM AOS MAIS NOVOS



“- Que nome se dá a alguém que não acredita nas alterações climáticas?
- Persona non greta”

         Autor desconhecido


            Desde tempos imemoriais que as gerações mais novas aprenderam a respeitar as mais velhas.
            Desde as mais antigas tribos que a Direcção, o Conselho, a Justiça, os problemas mais graves da comunidade eram resolvidos pelos mais idosos, muitas vezes reunidos em conselhos de anciãos.
            Mesmo quando se “inventou” a Monarquia, o Rei tinha na sua formação e em seu conselho pessoas de reconhecido saber derivado não só das suas capacidades (inatas e adquiridas) e do conhecimento da vida, que só uma vida longa pode proporcionar.
            Do mesmo modo nas famílias eram os avós (quando existiam) que passavam o testemunho aos netos.
            Era, e é, a lei natural das coisas.
            Tal não tinha segredos nem obrigava a licenciaturas: quem vive mais tempo tem, naturalmente, mais conhecimento das coisas e dos homens, já que nada pode substituir a experiência (falo dos homens, pois as mulheres sempre foram imperscrutáveis…).
            Este estado de coisas não se passava num ou noutro local era, simplesmente, universal.
            É certo que em todas as épocas há jovens que nunca chegam a ser velhos e velhos que nunca foram jovens.
            Tem a ver com o grau de maturidade que se vai adquirindo.
            Ser “novo” ou “velho” é também um estado de espírito (muito na moda que agora nos querem impingir quanto a género!...). E a maturidade também se comporta como o Vinho do Porto…
            Ora a partir de meados dos anos 60 do século passado começou a dar moléstia na sociedade dita ocidental e as coisas começaram a virar. Ainda não parou.
            Para isso contribuiu muito o Maio de 68; o movimento hippy; o pacifismo; o feminismo; o ateísmo; o individualismo; o materialismo; etc. os “ismos” nunca mais acabam.
            Rebentaram com a família tradicional, ataca-se a Igreja, as instituições nacionais e agora estão a destruir as Nações.
            Os sistemas de “democracia liberal” cuja génese é baseada na quantidade (e não na qualidade) dos votos depositados na caixinha mágica a que apelidaram de urna – nome de um mau gosto atroz, mas que inconvenientemente espelha o que de lá, por norma, sai…
            Ora as diferentes formações políticas que tomaram o nome de “Partidos” – outro termo péssimo, mas que também espelha o que deles resulta – para tomarem ou se aguentarem no Poder, raramente fazem o que devem mas abusam da demagogia, logo da mentira e de mil caras. A sociedade foi na onda (e estou a simplificar muito as coisas).
            Deste modo, a indisciplina e a desordem, grassam nas escolas, na família, nas empresas e até nos quartéis.
            A autoridade e a hierarquia transformaram-se em conceitos malditos. Os juízes passaram a ser rapazes novos; a idade e os anos de serviço para os militares de posto superior poderem estar no activo, não pára de descer.
            Com a esperança de vida a aumentar e os meios da segurança social a diminuir, os velhos passaram a ser um alvo a abater; nem a propósito a eutanásia medra e os “idosos” que deviam ser acarinhados passam a “peste grisalha”.
            Começaram, aliás, por empurrar os mais velhos para a reforma, para logo a seguir se arrependerem e aumentarem o tempo em que se tem de trabalhar…
            As próprias famílias – são raras as que se aguentam empurram o mais possível os mais idosos (muito antes de se esgotarem as hipóteses possíveis) para os lares, que se tornaram um dos melhores negócios do país.
            Aliás o que está a dar são os cães e os gatos!
            Os mais velhos passaram a ser preteridos em massa pelos mais novos, na procura de emprego; os líderes partidários namoram as respectivas juventudes; já assisti a chefes militares dirigirem-se a cadetes de um modo como se eles já fossem aquilo que ainda aspiram a ser.
            Os gabinetes dos ministérios estão cheios de “jovens” para dar um aspecto de modernidade, embora toda a gente saiba que é para dar um tacho aos filhos dos amigos ou a familiares.
            Quase todo o "marketing" apresenta, invariavelmente, jovens bem - parecidos e com aspecto de sobredotados para passarem a sua propaganda, como se tal fosse a linha média da sociedade.
            Ou seja, a cultura efémera da forma!
            O discurso político apela (ou rasteja) aos jovens; “livra-os” do serviço militar obrigatório ou de qualquer serviço cívico; nivela por baixo, fomenta o facilitismo (já nem se pode chumbar na escola), só fala em direitos e nunca em deveres e só lhes falta prometer a vida eterna.
            Já me esquecia, agora até já aos dezasseis anos podem mudar de sexo sem autorização dos pais e já se fala em baixar a idade da maioridade para aquele número…
            Resultado, chegam à idade adulta sem estarem minimamente preparados para a vida; viciados em ociosidade (quando não em drogas); perdidos no espaço e no tempo; danadinhos por emigrarem ou fazerem uma “volta ao mundo”, antes de “assentarem”, e cheios de referências erradas que potenciam a frustração, o mau desempenho, etc..
            Depois queixam-se da demografia negativa…
            É evidente também, que houve aqui muita demissão dos avós (já nem falo dos pais), mas “banhos quentes e camas fofas” nunca foram grandes conselheiros (a maleita moral que levou à queda do Império Romano…).
            Não há, porém, boas nem más gerações.
            Elas são todas idênticas, pois a natureza humana não muda (ou muda muito devagarinho – assim como as alterações climáticas).
            Mas as referências, essas mudam constantemente.
            E passou a haver a cultura da pressa, derivado em grande parte da compressão do conceito do espaço/tempo e do desenvolvimento exponencial da tecnologia.
            Em suma, a análise de tudo isto daria vários tratados de muitas páginas, desde que expurgados das diferentes dislexias mentais que por aí abundam.
            As coisas que são verdadeiramente importantes estão “inventadas” há muito tempo e não mudam por aí além.
            Deste modo a juventude, tem de ser preparada para a vida, de preferência dentro das suas aptidões (a verdade da diferença contra a mentira da igualdade); segundo as leis naturais; darem tempo ao tempo, sem embargo da troca de ideias; no exercício do respeito mútuo e da hierarquia; no sentido em que a comunidade deve ter um valor mais elevado que o individuo; com referências morais e éticas elevadas e não no relativismo das mesmas; que se pode e deve chegar à ideia de Deus, através da Fé e da Razão; na ideia da transcendência espiritual da vida e não no materialismo da mesma e que os Direitos devem derivar dos Deveres cumpridos e não estão garantidos à partida.
            A Liberdade não existe nem se desfruta na medida em que é decretada, mas na tradução do que é possível.
            É um valor, em si, absoluto, mas a sua aplicação é relativa…
            Poderia continuar, mas creio já ter ilustrado o ponto.
            É neste contexto que apareceu o fenómeno da jovem Greta. O fenómeno é explicável mas inadmissível.
            A moçoila, que não passa de uma fedelha mimada, doente, explorada, aparentemente manipulada, infeliz e zangada, vocifera e invectiva tudo e todos. Com muitos apoios por detrás.
            Parte dos filhos d’algo deste mundo (ocidental), acompanhados pela histeria de grande parte dos “OCS”, de que somos servidos, genuflectem perante toda esta aberração.
            O nosso PR, por uma vez (vá-se lá saber como), resistiu à vertigem de que anda constantemente possuído e não foi falar com a pequena, vítima de escravatura infantil (ou será o quê?).
            Nada para admirar, é apenas o último exemplo de terem posto a sociedade (e as leis naturais) às avessas.
            Quanto às propaladas alterações climáticas e ao alarido à sua volta, merecem uma análise mais profunda.
            A coisa está longe de ser pacífica. E o que parece, às vezes, não é.





                                                   João José Brandão Ferreira
                                                  Oficial Piloto Aviador (Ref.)

Fonte: O Adamastor

DEUS - PÁTRIA - REI

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Aniversário da Morte de D. Afonso I Henriques


Aniversário da Morte de Dom Afonso I Henriques
A 6 de Dezembro de 1185 partia para a Casa do Senhor o Maior de todos os Reis na Terra: Sua Mercê Dom Afonso I Henriques, Pela Vontade dos Homens Rei dos Portugueses e Pela Graça de Deus Rei de Portugal.
O Rei Fundador, D. Afonso, O Primeiro de seu nome, Rei dos Primeiros Portugueses, era filho do Conde D. Henrique e como tal neto de Henrique de Borgonha, trineto de Roberto I de França, sobrinho-bisneto do Abade S. Hugo de Cluny, e que, como tal, tinha por avoengos os Reis Capetos de França e os Imperadores romanos da Dinastia Comnenus e Paleólogo, e, enquanto filho da Infanta D. Teresa de Leão, era neto do Imperador da Hispânia, o 1° Rei de Leão e Castela e de todos os Reis e Senhores de Leão e Castela. Foi o Unificador dos 5 Reinos (Lusitanos, dos Bracos, Alanos, Suevos e Visigodos), algoz do Sarraceno, Tomador de Praças. Afonso I, mais conhecido pelo seu nome de príncipe, Dom Afonso Henriques (de Henrique, em tradução literal do patronímico Henriques), também chamado de Ibn-Arrik (“Filho de Henrique”) e El-Bortukali (“O Português”), apelidado de “o Conquistador”, foi primeiro Rei de Portugal desde 1139 até à sua morte, a 6 de Dezembro de 1185.
Em 1125, com apenas 14 anos de idade, num acto de importante relevância política, o efebo Príncipe Dom Afonso Henriques, conforme o uso e costume dos reis, arma-se a si próprio “Cavaleiro” na Catedral de Zamora, cidade onde se auto-refugiara. O Infante Portucalense torna-se assim guerreiro e cavaleiro independente considerando legitima a pretensão de tomar o governo do Condado Portucalense, pois quando o Conde D. Henrique faleceu, em 1112, o governo do condado foi assumido por Dona Teresa, uma vez que, Afonso Henriques, o filho de ambos tinha apenas três anos de idade.
Dona Teresa, em 1121, auto-intitulara-se Rainha, mas os conflitos com o Clero e a sua relação com o fidalgo galego Fernão Peres, a quem entregara o governo dos distritos do Porto e Coimbra, originou a insurreição dos Portucalenses e do próprio filho o Infante D. Afonso Henriques, invariavelmente afastados, por forasteiros, da gestão dos negócios públicos.
Assim, Dom Afonso Henriques considerando-se usurpado dos seus legítimos direitos prepara a senda aventureira que o haveria de levar a conquistar o governo do Condado Portucalense e depois à Fundação da Nação Portuguesa e a recortar o território deste tão grande País, Portugal. O primeiro Acto da Sua Gesta pode-se pois considerar o episódio em que se armou a Si próprio Cavaleiro. O relato de Frei António Brandão in ‘Crónica de D. Afonso Henriques’ é expressivo:

‘Célebre e glorioso se pode reputar, entre nossa gente o ano do Senhor de 1125, pois nele tomou a Ordem de Cavalaria o infante D. Afonso, filho da rainha D. Teresa, com cujas armas se ilustrou o nome português.
E porque o facto foi mui notável e o são também as palavras com que se lhe refere a História dos Godos, será bem trasladá-la neste lugar, para satisfação dos curiosos leitores, e são as que se seguem:
«Na era de 1163 (1125, pois só a partir de 1422 é que os documentos portugueses passam a usar a era de Cristo, logo têm que se diminuir 38 anos) o ínclito infante D. Afonso, filho do Conde D. Henrique, tendo 14 anos de idade, se armou cavaleiro na igreja da catedral da cidade de Samora. Ele mesmo, com suas próprias mãos, tomou as insígnias militares do altar do Salvador, a uso dos reis, e se vestiu a loriga, e como gigante (que era grande de corpo) se mostrou semelhante em suas façanhas ao leão, e ao filho do leão, quando anda feroz na montaria. Foi de gentil presença, amável por sua formosura, de engenho claro, de corpo bem composto e agradável, de ânimo intrépido. Com razão podemos chamar a este rei D. Afonso, o Viriato cristão, ou o primeiro Hércules Lusitano, respeitando os imensos trabalhos que passou na dilatação da Fé, e as obras de valor estranho que executou.»’

Devem-se-Lhe os Actos que levaram ao Nascimento de Portugal: no dia 24 de Junho de 1128, à dianteira dos barões e fidalgos portucalenses, Dom Afonso Henriques defrontou no campo de São Mamede, perto de Guimarães as forças galegas comandadas por Dona Teresa e por Fernão Peres de Trava, derrotando-os naquela que ficou conhecida pela Batalha de São Mamede e que marcou a Fundação da Nacionalidade Portuguesa, uma vez que o Infante Dom Afonso Henriques avoca a si o governo do Condado Portucalense, com pretensões de independência. Não é ainda após esta Batalha que se auto-intitula Rei, Rex Portucalensis, pois com duas frentes de Batalha – uma contra Leão e Castela, outra contra os sarracenos –, tal só se viria a acontecer após a Batalha de Ourique, em 1139, quando arrasou os mouros – que o temiam sobremaneira e Lhe chamavam o terrível Ibn Erik (Filho de Henrique) – e consegue uma importante vitória que o engrandece sobremaneira e assim declara a Independência face a Castela-Leão, após um Alevantamento seguido de Aclamação como Rei pelos Barões Portucalenses.
As armas e escudo armorial de Portugal mantêm desde a Batalha de Ourique, em 1139, e até hoje, cinco escudetes posicionados em forma de cruz, representando cada um dos cinco reinos mouros derrotados na batalha. Sobre esses cinco escudetes, estão inscritos besantes em número variável (inicialmente onze em cada escudete), que significavam, que por Direito e Graça divinos D. Afonso Henriques era Rei, e que por isso tinha direito a cunhar a sua própria moeda.
Ulteriormente, foi determinado o número de cinco besantes (em vez de onze) sobre cada um dos escudetes, passando a contar-se segundo a tradição duas vezes os besantes do escudete central.
Nascia, assim, em 1139, o Reino de Portugal e a sua 1.ª Dinastia, com El-Rei Dom Afonso I Henriques de Borgonha. Em 1143, quando assina a Paz em Zamora com o Primo Rei de Castela e Leão, onde é reconhecido como Rei, Dom Afonso Henriques usava já o título havia três anos, desde o torneio de Arcos de Valdevez, em 1140, após o episódio de Ourique. Mas desaparece, assim, e só aí, em 1143, a designação histórica de Condado Portucalense e nasce o Reino de Portugal. Em 5 de Outubro de 1143 foi celebrado um Acordo na cidade leonesa, homónima, de Zamora, desfecho da conferência de paz organizada pelo Arcebispo de Braga Dom João Peculiar e que teve como intervenientes dom Afonso Henriques e o seu primo Afonso VII de Leão e Castela, sob os auspícios do enviado papal, o Cardeal Guido de Vico.
Em Zamora, ficou assente que Afonso VII de Castela e Leão concordava com a transformação do Condado Portucalense em Reino de Portugal com Dom Afonso Henriques com o título de ‘Rex Portucalensis’- Rei de Portugal, embora continuasse, apesar do reconhecimento da Independência, como vassalo do Rei de Castela e Leão, que se intitulava Imperador da Hispânia. Porém, caso único entre todos os Reis da Ibéria, Dom Afonso Henriques nunca prestou essa vassalagem. A partir desta data, Dom Afonso Henriques passou a enviar ao Papa remissórias declarando-se vassalo lígio e comprometendo-se a enviar anualmente uma determinada quantia em ouro, pelo que, em 1179, o Papa Alexandre III, através da Bula Manifestis Probatum, reconheceu Dom Afonso Henriques como ‘Rex’.
Alexandre Herculano escreveu que “o imperador reconheceu o título de rei que seu primo tomara, e que este recebeu dele o senhorio de Astorga, considerando-se por essa tenência seu vassalo. Não é menos provável que, ainda como rei de Portugal ficasse numa espécie de dependência política de Afonso VII, o imperador das Espanhas ou de toda a Espanha, como ele se intitulava nos seus diplomas”. Todavia, na Bula acima referida, o Papa ao aceitar que Dom Afonso Henriques lhe preste vassalagem directa, reconhece não só, definitivamente, a independência do Reino de Portugal, como o Rei de Portugal fica livre de prestar vassalagem ao Rei de Leão e Castela, imperador de toda a Espanha, porque nenhum vassalo podia ter dois senhores directos.
Assim sendo, apesar de Portugal ter ganho a sua Independência e soberania enquanto Estado com o Acordo de Zamora, só naquele 17 de Julho de 1179, Portugal se torna Reino pois só nessa altura Dom Afonso Henriques é reconhecido juridicamente como Rei pela comunidade política internacional.
Assim, Dom Afonso Henriques, guerreiro completo, governante exemplar e virtuoso cristão, nasceu em 1109 e Reinou entre 1128 e 1185, como Dom Afonso I Henriques, 1.º Rei de Portugal, isto é, 57 anos – o 4.º Reinado mais longo da História, imediatamente ao Rei-Sol Luís XIV de França e a Suas Majestades a Rainha Isabel II e a Rainha Victoria do Reino Unido.
Morreu em Coimbra, a 6 de Dezembro de 1185, onde jaz sepultado em túmulo manuelino no Mosteiro de Santa Cruz , na capela-mor do lado do Evangelho. Na inscrição original do túmulo podia-se ler:

“Aqui jaz um outro Alexandre, ou outro Júlio César,
guerreiro invencível, honra brilhante do orbe.
Douto na arte de governar, alcançou tempos seguros,
alternando a sucessão da paz e das armas.
Quanto a religião de Cristo deve a este homem
provam-no os reinos conquistados para o culto da fé.
Alimentado pela doçura da mesma fé, cumulou,
além das honras do reino, riquezas para os pobres infelizes.
Que foi defensor da Cruz e protegido pela Cruz
assinala-o a Cruz, formada de escudos, no seu próprio escudo.
Ó Fama imortal, ainda que reserves para ti tempos longos,
ninguém pode proclamar palavras dignas dos seus méritos.”

Miguel Villas-Boas
DEUS - PÁTRIA - REI