domingo, 13 de setembro de 2020

Jerónimo de Azevedo, defensor dos direitos portugueses no Oriente

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Jerónimo de Azevedo nasceu por volta do ano de 1560, filho de D. Manuel de Azevedo, senhor das honras de Barbosa e Ataíde.
Jerónimo foi recebido na corte, como pajem do rei D. Sebastião, em 25 de março de 1577. Tudo indica que já tinha então a perspectiva de rapidamente seguir para o Oriente, embarcando pouco tempo depois para o Estado da Índia.
Azevedo foi capitão-mor da costa do Malabar durante aproximadamente 15 anos, até ser nomeado capitão-geral da conquista do Ceilão - atual Sri Lanka - no final do ano de 1594, cargo que iria ocupar por cerca de 18 anos, até novembro de 1612.
Anos antes, em 1580, o Rei de Kotte, Dharmapala, convertido ao cristianismo, tinha deixado todo o seu Reino como legado ao Rei de Portugal, decisão que provocara forte resistência nos habitantes budistas deste reino, assim como no vizinho reino budista de Kandy.
Azevedo chegou a Colombo com um reforço de tropas no dia 24 de dezembro de 1594, após a derrota do seu antecessor Pedro Lopes de Sousa na batalha de Dantire, evitando o desastre da posição portuguesa na ilha.
No dia 1 de janeiro de 1595, Azevedo fez uma parada militar das forças armadas à sua disposição, com o rei Dharmapala a seu lado, na qual reuniu perto de 900 soldados portugueses e 2.000 soldados Lascarins, nativos apoiantes do domínio português.
Além das sucessivas vitoriosas campanhas militares, o governo de D. Jerónimo de Azevedo foi também marcado por importantes iniciativas políticas, nomeadamente a Convenção de Malvana, em 1598, em que Azevedo deliberou que os habitantes nativos de Kotte poderiam preservar as suas leis e costumes, obtendo assim o apoio de uma grande parte dos representantes locais.
Azevedo atribiu ainda grande importância à atividade missionária, abrindo o Ceilão português aos padres da Companhia de Jesus, que lá terão chegado pela primeira vez em 1602.
Azevedo foi nomeado Vice-Rei da Índia em 1611, tendo rumado a Goa em 1612.
Durante o seu governo, Azevedo foi confrontado com o desafio da expansão holandesa em áreas onde a Coroa portuguesa tinha exercido o seu monopólio comercial, defendendo sempre as praças militares e as posições portuguesas ameaçadas pelo avanço holandês no oceano Índico. Ordenou ainda diversas missões de exploração geográfica, nomeadamente duas expedições a Madagáscar. Essas explorações, onde figuraram padres jesuítas, produziram novos mapas e roteiros da região e compilaram cuidadosamente observações científicas de grande importância.
D. Jerónimo de Azevedo faleceu em 9 de março de 1625, já em Lisboa, no Castelo de S. Jorge, tendo sido sepultado na Igreja de São Roque, deixando para trás um legado de décadas a serviço da Pátria.
O Forte de São Jerónimo, em Damão, recebeu este nome em sua homenagem.

Miguel Louro


Fonte: Nova Portugalidade

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