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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

MESTRE PIERRE DE MONTAIGU


PIERRE DE MONTAIGU (1219 – 1232)

Após a morte do Mestre Guillaume de Chartres, a 25 de Agosto de 1219, o Capitulo Geral reuniu com o fim de eleger um novo Mestre do Templo; a escolha recaiu no insigne cavaleiro, contumaz e destemido combatente, originário de França, descendente  de uma das mais ilustres famílias do reino.
Foi Mestre do reino de Aragão e Preceptor de Jaime I – de seu nome: Pierre de Montaigu.
Ignorando a decisão tomada no Capitulo Geral, manteve-se no cerco a Damietta como mais um comum cavaleiro do Templo. A cidade capitulou a 5 de Novembro de 1219 com os consequentes conflitos entre os cruzados (ver Ocupação de Damietta no mestrado anterior).
A rivalidade entre as Ordens do Templo e dos Hospitalários não se notou no mestrado de Pierre de Montaigu; a coesão era a palavra de ordem, e além do mais, os Mestres das duas Ordens estavam certamente ligados por laços sanguíneos; Pierre, e Guerin de Montaigu seriam possivelmente irmãos ou primos.
O Mestre Pierre empenhou-se a pacificar as hostes dos Hospitalários, de Jean de Brienne e de Pelágio, o legado papal.

Nos meandros da Sexta Cruzada

Frederich II
Sob a bênção papal após a consolidação como imperador do Sacro Império Romano em 22 de Novembro de 1220 (rei da Alemanha, de Itália e da Borgonha), Frederich II disponibilizou-se a organizar a tão desejada cruzada. Porém a teia não estava completamente urdida; a sua sagacidade política levou-o a voltar-se para o trono de Jerusalém, mas estava ocupado pelo regente Jean de Brienne, o rei sem trono, pai da jovem Isabel II (Yolanda) herdeira do reino.
Nos bastidores, teceu-se o destino da futura rainha de Jerusalém marcado por uma reunião entre Jean de Brienne, o Papa Honório III e Frederich II, na cidade de Ferentino no ano de 1223.
Uma vez mais, recorrendo à bênção papal, foi celebrado este casamento, que viria a durar somente 3 anos, por morte de Isabel II, que morreu de parto ao dar à luz o futuro herdeiro de Jerusalém, (Conrado II, nascido em 25 de Abril de 1228) tinha 16 anos. Fredirich II enquanto o filho não atinge-se a idade de governar, tornara-se regente do reino… sem trono!

A ocupação de Damietta pelos cristãos somente durou dois anos. A cidade foi reconquistada pelos muçulmanos em 1221, e uma trégua de 8 anos foi assinada entre as forças cristãs e al-Kamil. O Mestre Pierre de Montaigu tira partido dessas tréguas para enviar reforços da Palestina para Espanha, com o fim de continuarem a participar na Reconquista.
Naquele tempo (1224) com o auxílio das tropas seculares, os Templários beneficiaram de bastas vitórias e benefícios com a Reconquista.

Jaime I
No reino de Aragão, o futuro rei Jaime I foi feito cativo por Simon de Montfort, que liderou a cruzada albigense.
Depois de um ano de exigências pelo Papa Inocêncio III, o príncipe foi devolvido aos seus súbditos em 1214, onde ficou sob a custódia do Templo, na fortaleza de Monzón, onde foi educado.
Durante a regência do seu tio-avô, conde Sancho Raimundes (von Roussillon) registaram-se várias rebeliões, até que Jaime I subiu ao trono em 1227.

No ano de 1227 ficou marcado pela prova de Fé que a Ordem do Templo dedicava à Santa Sé, quando o imperador Frederich II (que também ostentava o título de rei da Sicília) teve comportamentos lamentáveis para com o Papa e para com os reinos católicos. Este príncipe saqueou e expropriou as possessões que o Templo e os Hospitalários possuíam na Sicília, sabendo de antemão, que as Ordens estavam terminantemente proibidas de levantar armas contra outros cristãos. Nesse mesmo ano, os Mestres do Templo e dos Hospitalários teceram duras criticas a Frederich por embarcar para a Terra Santa, como prometera, sem o Papa lhe ter levantado a excomunhão.

SEXTA CRUZADA

Quando os cruzados estavam prontos a encetar a viagem para a Terra Santa, foram surpreendidos pela notícia de que o Papa Honório III tinha falecido (18 de Março de 1227). O seu sucessor foi Gregório IX, que manteve a excomunhão do imperador Frederich II.
O eco deste conflito propagara-se pelo Egipto, chegando aos ouvidos do sultão de Damasco, pelo qual se mostrou bastante interessado. O pomo da discórdia, era tratar-se de um príncipe declarado inimigo do cristianismo, e que supostamente era rei de Jerusalém. – Era um contra-censo.
Excomungado pela Santa Sé, Frederich II viu-lhe negado todo o apoio que lhe era necessário pelas duas Ordens (Templo e Hospitalários) mas, apesar da humilhação a que foram sujeitos na Sicília, quando aportou em 8 de Setembro de 1228 em São João d’Acre, foram-lhe dispensadas todas as honras inerentes à sua posição.
Quando o imperador se dispôs a partir para Jerusalém, foi-lhe negada escolta das duas Ordens pelos motivos sobejamente conhecidos, fazendo-se acompanhar só pelos Cavaleiros Teutónicos.
Mas ocultos na sombra, Templários e Hospitalários não tinham abandonado o imperador que, segundo os historiadores, se fazia acompanhar somente de 800 cavaleiros e 8.000 soldados de infantaria. Por fim, juntaram-se ao pequeno exército de Frederich II, chegando todos juntos a Jaffa.

O Tratado

al-Kamil
A troca de mensagens entre Frederich II e o sultão al-Kamil resultaram num acordo temporário de paz, que duraria dez anos.
De acordo com esse tratado, o imperador ficava com Jerusalém, Belém, Nazaré, Sidon e de todas as aldeias da estrada de Jaffa a Jerusalém, e que por sua vez, deixaria frequentar Mesquita de Al-Aqsa, um lugar sagrado para os muçulmanos, para que exercessem livremente a sua religião. Para além disso, os actuais residentes muçulmanos, manteriam as suas casas, propriedades e, também manteriam o seu sistema de justiça independente, para salvaguardar os seus interesses religiosos.

O imperador possuía uma mente aberta, ou seja, era um liberalista. Frederich II aceitou o contracto que se iniciou a 11 ou a 20 de Fevereiro de 1229 em Jaffa. Porém, um tumulto de vozes dissonantes ergueu-se entre os cristãos. - Podia-se tolerar uma mesquita próxima ao Santo Sepulcro?!
O tratado não foi bem acolhido quer pelos muçulmanos, quer pelos cristãos; incluso o Patriarca de Jerusalém, interditou o acesso do imperador à cidade. Porém, o imperador ignorou essa ordem. Quanto ao Papa, excomunga uma vez mais Frederich…

Sem cerimónias: - Na companhia dos cavaleiros Teutónicos, Frederich auto-coroou-se rei de Jerusalém no Santo Sepulcro, em 18 de Março de 1229.

Templários culpados?! – Uma revolta alastrou-se por Jerusalém. O povo estava revoltado com o tratado. Frederich II culpou o Mestre Pierre de instigar a revolta, mas encontrou o mesmo cenário em São João d’Acre, em 1 de Maio do mesmo ano, quando embarcou apressadamente com rumo a Itália, para defender o seu património.
Um exército organizado pelo Papa Gregório IX, e liderado por Jean de Brienne (o rei deposto) ameaçava o seu trono.
Frederich II que escandalizou tudo e todos, com a sua tolerância religiosa, e por fim, submeteu-se à vontade do Papa Gregório IX. Prometeu devolver ao Templo e aos Hospitalários, todos os bens que lhes tinha expropriado.

A 28 de Janeiro de 1232 morre o Mestre Pierre de Montaigu.

Escudo de armas: - Esquartelado; I e IV Cruz do Templo em campo de prata; II e III uma torre de prata sobre campo de goles (vermelho).




CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS

1219,  5/Novembro – Conquista de Damietta. Fuga do sultão al-Kamil.
1220, 29/Março – Jean de Brienne entra na Síria.
1221, Junho – Pelágio, legado do Papa, decide conquistar o Cairo.
1221, 30/Agosto – Derrota dos cristãos em Mansurá. Evacuação de Damietta.
1225, Novembro – O imperador Frederich II de Hohenstaufen casa com Isabel de
          Jerusalém e Jean de Brienne deverá ceder-lhe a coroa.
1227, 28/Setembro – Gregório IX excomunga Frederich II, que tarda a partir para a
          Cruzada.
1228,  4/Maio – Morte de Isabel de Jerusalém.
1228, Julho – Frederich II desapossa Jean de Ibelin do reino de Chipre.
1228,  7/Setembro – Frederich II desembarca em São João d’Acre.
1228, Novembro – Início da fortificação de Jaffa.
1229, 11/Fevereiro – Conclusão do tratado de Jaffa entre al-Kamil e Frederich II.
1229, 18/Março – Frederich II é coroado de Jerusalém no Santo Sepulcro.
1229,  1/Maio – Frederich II é expulso de São João d’Acre pelo povo.
1232, 28/Janeiro – Morre o Mestre Pierre de Montaigu.

*++Fr. João Duarte - Grande Oficial/Comendador Delegado da Comendadoria de Santa Maria do Castelo de Castelo Branco.






terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Virgem Mãe Bendita









              Virgem Mãe Bendita

               Bendita a Mãe de Jesus,  
               Que nos sorri nos vitrais -
               Salmos de cor e de luz - 
               De milhentas catedrais!

               Bendita a Mãe de Jesus,
               Rainha sempre donzela,  
               D’olhos pregados na Cruz            
               (Nossa cruz também é d’Ela...)!
                          
               Bendita a Mãe de Jesus,                 
               A Virgem-Mãe sem labéu,
               A doce Estrela do Mar! 

               Bendita a Mãe de Jesus,
                                                                           Que nos sorri lá do Céu,              
                                                                           Onde nos quer abraçar!

                                                                                     (Reinaldo de Matos,1925-1993)

 Do livro do Comendador Dr. Mário Simões Dias - Vida de Nossa Senhora.

A minha cidade: Castelo Branco
*++Fr. João Duarte - Grande Oficial/Comendador Delegado da Comendadoria de Santa Maria do Castelo de Castelo Branco.







segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

BOAS FESTAS MERRY CHRISTMAS

BOAS FESTAS    MERRY CHRISTMAS    BOAS FESTAS   MERRY CHRISTMAS
Irmãs e Irmãos do Templo de todo o mundo e pessoas de boa vontade:
Que o espírito Natalício encha os vossos corações de luz, paz e amor na companhia dos vossos entes queridos.
Que o Ano Novo seja pleno de felicidade, muito sucesso e que Deus ilumine o vosso caminho.
Um abraço fraternal deste vosso Irmão Templário. 

 ++Fr. João Duarte - Grande Oficial/Comendador Delegado da Comendadoria de Santa Maria do Castelo de Castelo Branco.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

MESTRE GUILLAUME DE CHARTRES



GUILLAUME DE CHARTRES (1210 − 1218)

Guillaume de Chartres era filho Milon III, conde de Bar-sur-Seine, mas ignora-se a data do seu nascimento.
Dado como certo, foi o seu ingresso muito jovem na Ordem do Templo − foi admitido pelos irmãos da Comendadoria de Sours, próximo de Chartres − cujo percurso antes da sua eleição como Mestre em 1210 se perdeu no tempo.

O equilíbrio conjugado com a prudência foram factores preponderantes para a eleição de Guillaume de Chartres, que possibilitariam manter a união dentro da Ordem, face aos tempos conturbados que se avizinhavam.

O seu primeiro acto em que participou foi na coroação do príncipe consorte de Jerusalém, Jean de Brienne, título honorífico que o rei conservara, desde os tempos da conquista da cidade pelos exércitos de Saladino em 1187 e, posteriormente tornou-se imperador de Constantinopla.

Em 1211, o problema com o rei da Arménia foi solucionado mediante a intervenção papal. (Depois de reconquistado aos muçulmanos pelo príncipe Boemundo IV, este recusara-se a entregar aos seus legítimos donos a fortaleza que foi das primeiras que o Templo recebeu no Ultramar).

Nesse mesmo ano, deu-se por concluída a construção da fortaleza iniciada por Hugues de Payns iniciada em 1110. Este castelo, “Chastel Pèlerin”, também conhecido como “Athlit”, foi considerado inexpugnável.
(Esta fortaleza merece-nos um particular destaque, uma vez que foi completamente arrasada depois do seu abandono pelos Templários).

Erguido à ponta de um promontório, entre Cesaréia e Haifa, provocou mais danos nos muçulmanos que toda uma campanha militar.
Seria a partir desta torre que os Templários construíram todo o complexo da fortaleza. Erguia-se altaneira, plantada na esquina sudeste, projectando uma ampla visão para o mar.

Em 1218, os Templários auxiliados pelos Teutónicos e pelo barão flamengo Gauthier II d’Avesnes reforçaram esta torre. Durante o seu trabalho, põem a descoberto as fundações das antigas muralhas que usaram para reforçar a recém construção e, também descobriram fontes de água potável.
 
Depois da primeira linha defensiva, os Templários ergueram um outro pano de muralhas abarcando toda a extensão da largura do istmo. Esta muralha era protegida por um fosso. No extremo sul, ficava um recanto que enfrentava o mar.

Lá bem atrás do pano de muralha do segundo muro, elevava-se uma grande torre rectangular, construída com enormes blocos de pedra, ligadas por um pano de muralha que defendia a passagem que dava acesso para a segunda porta, que estava localizada a norte do istmo.
As duas torres foram concebidas com salas abobadadas, de dois pisos cada uma, encimadas por um terraço ameado.

Catedral de Laon
Por detrás deste sistema defensivo, surgia uma ampla praça de armas rodeada por diversos edifícios. No lado sul da praça, ocupando metade do seu comprimento, erguia-se uma igreja hexagonal, que segundo Jacques de Vitry, era um dos mais belos monumentos arquitectónicos de estilo gótico do Oriente. Esta igreja apresentava uma planta quase idêntica ao da capela Templária de Laon.
Bem ao lado da igreja, surgiam os edifícios reservados aos cavaleiros.
       
Na zona oeste do promontório ficavam as instalações portuárias que permitiam o abastecimento do castelo assim como o desembarque de passageiros. Ao seu redor, lojas e armazéns torneavam essas instalações.

As suas caves eram sobejamente espaçosas para prever qualquer situação mais delicada.
Depois de concluída a sua construção, em 1219, o sultão Malek-Mohadam que acabara de conquistar a fortaleza de Cesareia, tentou em vão invadir o castelo que designavam de “Ateleyt”.
Com o seu arsenal impressionante, encabeçados pelo Mestre Guillaume e defendida por 300 cavaleiros do Templo, não tardaram em repelir os atacantes.

Um caso caricato
 
Frederick II
Mais tarde, em 1229, o imperador Frederick II acreditando piamente que o castelo servia os seus propósitos para instalar uma das suas fortalezas costeiras, resolveu tomar a praça de surpresa.

Ao adentrar-se com a comitiva no recinto, exigiu a sua entrega sem mais delongas.
Os Templários, refeitos da surpresa de tão surpreendente e descabida ordem dada pelo imperador, vedaram-lhe a saída, armaram-se, e declaram que se Frederick não abandonar o local, seria imediatamente preso. 
A ira apossou-se do imperador, mas não teve outra alternativa senão retirar-se da tão almejada fortaleza.

O Mestre Guillaume de Chartres, atempadamente fez chegar homens bem como material bélico para a campanha na Europa.
Em 1212, as forças do Templo participaram na batalha de Navas de Tolosa, marco fundamental para a “Reconquista” em terras de Espanha.

Carga de cavalaria templária
Que tempos gloriosos se viveram! No campo de batalha, em uníssono brotavam das gargantas o cântico “Non Nobis Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo Da Gloriam”, e partiam silenciosamente ao encontro com o seu Destino. Ledos e serenos, “intrépidos e bravos soldados aqueles que, enquanto revestem o corpo com couraças de aço, guarnecem as suas almas sob a loriga da fé; podem gozar de completa segurança, porque apetrechados com estas duplas armas defensivas, não devem temer os homens nem os demónios. Assim nem sequer teme a morte, antes a deseja. Nem ser vivo ou morto o poderá espantar, quando o seu viver é em Cristo; mais desejaria acabar por  separar-se do corpo para estar com Cristo, sendo isto o melhor” − capº. 1º. Loa à Nova Milícia − confiantes nas palavras de São Bernardo desfraldavam o Beaucéant, e como um todo, arremetiam contra a mourama. O mesmo aconteceu em 1217 na conquista de Alcazar.

As conquistas templárias nos reinos de Espanha exaltam a Ordem, e sucedem-se as doações de grandes senhores feudais e de Reis, que procederam à entrega da cidade de Tortosa e o castelo de Azud.

“A QUINTA CRUZADA (1209 − 1244)”

Papa Inocêncio III
Com início no ano de 1209 a 1244 procedeu-se a uma cruzada promovida pelo Papa Inocêncio III, com o apoio da dinastia dos Capetos abrangendo os reinados Filipe II, Luís VIII passando para Luís IX.

Esta guerra desenvolveu-se por várias fases; tinha como objectivo enfrentar o catarismo, cristãos heterodoxos (que não estão de perfeito acordo com a doutrina da fé), que se fixaram nos territórios feudais do Languedoque ao sul de França.

Ao longo desses anos, envolveram-se na contenda os condes de Tolosa e o reino de Aragão, terminando com a batalha de Muret, da qual os albigenses saíram com uma pesada derrota, e o movimento cátaro foi-se extinguindo lentamente.

 “A SEXTA CRUZADA (1212)”

Misto de fantasia misturada com a realidade? O facto é que chegou até nós transportada através dos séculos, a notícia que supostamente terá ocorrido no ano de 1212.

Gustave Doré
Reza a lenda que um rapaz oriundo da França ou da Alemanha começara a espalhar a notícia que lhe aparecera Jesus Cristo, com o fim de liderar uma cruzada para libertar Jerusalém do jugo muçulmano.

Tendo conseguido reunir cerca de 20 ou 30.000 crianças e jovens, teriam sido transportados por dois mercadores que os venderam como escravos quando desembarcaram em Alexandria.
 
Entretanto o Papa Inocêncio III convoca o IV Concílio de Latrão em 19 de Abril de 1213.
Quando este concílio reuniu em 15 de Novembro de 1215, foi considerado o mais importante realizado na Idade Média, resultando num conjunto de setenta decretos.

Enfrentando as diversas heresias que contestavam as doutrinas cristãs fundamentais, o concílio proclamou dogmaticamente doutrinas sobre os sacramentos, como a transubstanciação (transformação da substância do pão e do vinho no corpo e sangue de Jesus Cristo), assim como confessar os pecados uma vez por ano. Também foram emitidos procedimentos para combater a corrupção clerical. Neste concílio ficou determinado que os judeus usassem marcações específicas nas suas vestes…

Decepcionado com a cruzada de 1202, o Papa incentiva uma nova cruzada, exortando  os príncipes cristãos a cruzar de novo o oceano e, dirigindo-se aos convocados, apelou para a libertação da Terra Santa - “é preciso quebrar as correntes do cativeiro de Jerusalém… Estou pronto, meus queridos irmãos, a encabeçar este movimento (…), para vingar as injúrias feitas ao nosso Salvador, que agora é caçado nessa terra, regada com o seu sangue, e santificados pelo mistério da nossa redenção”.
Um longo soluço percorreu todo o Conselho, e imediatamente os bispos começaram a pregar a próxima cruzada.

No decorrer dessas embaixadas enviadas aos príncipes europeus, o Papa Inocêncio III faleceu (no dia 16 de Julho de 1216) antes de ver partir o próximo contingente para terras do Oriente. Por isso, esta tarefa coube ao seu sucessor Honório III que assumiu as rédeas dessa cruzada.

A QUINTA CRUZADA

A Quinta Cruzada iniciou-se a partir do ano 1217, com terminus em 1221.
Liderada pelo rei André II da Hungria e com a participação do rei de Jerusalém, Jean de Brienne, o rei sem trono, Leopoldo VI, duque de Áustria, Frederico II do Sacro Império, para além dos muitos nobres alemães concentrados em Lisboa, fazendo-se acompanhar dos templários que regressavam à Terra Santa, depois de terminarem a campanha militar na Europa.

Embarcados em Maio de 1218 e sob o comando de Jean de Brienne, os cruzados rumaram em direcção ao Egipto. Aportaram São João D’Acre e decidem atacar Damietta que lhes daria acesso ao Cairo.
Apoiado pelos barões sírios e pelos cruzados franceses, Jean de Brienne, pelo caminho conquistaram uma pequena fortaleza e aguardaram pelos reforços vindos de Roma, que chegaram em Junho do mesmo ano, comandadas pelo cardeal Pelágio.

O prepotente e petulante cardeal, recusa-se a entregar o comando das tropas ao rei de Jerusalém, refutando que os soldados eram da Igreja, e como tal, deveriam reconhece-lo como líder supremo.
Frequentemente ingeria em assuntos do foro militar! – Lá diz o velho ditado “dá Deus nozes a quem não tem dentes…”

Os cruzados cercaram Damietta; honra seja aos seus defensores, que suportaram o cerco com bravura. Exaustos pela fome e pelas febres que grassavam na cidade, juntamente com os fortes combates com os cruzados, por fim Damietta caiu em 5 de Novembro de 1219.

A ocupação de Damietta

Conquistada a cidade, segue-se uma disputa entre os conquistadores. Em 21 de Dezembro, os italianos tentaram expulsar os cruzados franceses. A 6 de Janeiro de 1220, foi a vez de os franceses tentarem expulsar os italianos. Então os contrincantes resolveram entrar em tréguas em 2 de Fevereiro, para resolverem o destino a dar à cidade.

Por um lado, os cruzados italianos preferiam instalar um posto comercial, e os franceses queriam antes recuperar Jerusalém e os bens do reino pedido em 1187, sendo esse o principal motivo da Cruzada. Estava difícil de sair desde impasse!.. enquanto isso, e o rei Jean de Brienne exasperava pelo trono de Jerusalém!

No dia 29 de Março, Jean de Brienne e os barões da Síria resolveram abandonar a Cruzada. Os interesses comerciais sobrepunham-se aos interesses da conquista da Terra Santa. Antes que seguissem o exemplo de Jean de Brienne, o cardeal manda encerrar o porto da cidade, impedindo mais evasões.

Frederico II não tinha vontade de participar nesta Cruzada. Mas uma vez que prometera o envio de tropas, essas chegaram por fim comandadas pelo duque Ludovique I da Baviera e pelo Mestre teutónico Hermann von Salza em Maio do mesmo ano – dizem algumas más-línguas, que o reforço era composto somente por 500 homens.

Decidindo chamar novamente Jean de Brienne (com o perigo eminente de ser excomungado), o cardeal, com estes reforços decidiu invadir o Cairo. O rei de Jerusalém via a insensatez deste plano, mas decidiu juntar-se a Pelágio a 7 de Julho.

Sultão Al-Kamil
O sultão Al-Kamil renova mais uma vez a oferta de paz, mas Pelágio é peremptório na recusa. Depois de algumas escaramuças com a vanguarda do exército muçulmano, chegaram a Mansoura, em 24 de Julho.
As cheias do rio Nilo adequavam-se à táctica que se desenhava na mente de Al-Kamil.
Romperam os diques, e inundaram as planícies, obrigando os cristãos a ocupar uma estreita faixa de terra.
Pelo Nilo, Pelágio tinha a frota Ayyubid barrando-lhe a passagem. Por terra, apresentava-se-lhe um formidável exército. Restava-lhe a rendição.

Tudo terminou a 7 de Setembro de 1221, com o abandono de Damietta, e com a obrigação de aceitarem uma trégua de 8 anos.

O exército prometido pelo imperador Frederico II nunca chegou, o que lhe valeu uma segunda excomunhão.

A 25 de Agosto de 1219 morre o Mestre Guillaume de Chartres de peste que eclodiu nas fileiras cristãs, frente aos muros de Damietta.

Escudo de armas: - Esquartelado; I e IV Cruz do Templo em campo de prata; II e III sobre campo azul, três barbos de ouro postos em faixa e gironados a preto e ouro.




CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS

1210, O rei de Aragão doou aos Templários o castelo de Azud e a cidade de Tortosa.
1210, 14/Setembro – Jean de Brienne casa com Maria de Montferrat, rainha de
          Jerusalém. A 3 de Outubro são consagrados reis de Jerusalém na catedral de Tiro
          com a presença do Mestre de Templo Guillaume de Chartres.
1211, Conflito entre a Ordem do Templo e o rei da Arménia Leão II, pela posse do
          castelo de Bagras, que este reconquistara aos muçulmanos.
1212, Cruzada das crianças.
1212, Derrota dos muçulmanos na batalha de Navas de Tolosa. O reino almóada da
          Hispânia, existente desde 1145, desaparece.
1213, Famosa vitória de Ubeda. Entre os Templários que mais se distinguiram,
          encontramos Gomez Ramirez, preceptor de Castela, que foi proposto a Mestre da
          Ordem.
1215, Novembro – O Papa Inocêncio III apela a uma nova cruzada, durante o sermão de
          abertura do Quarto Concílio de Latrão.
1216, Janeiro – Morte de Inocêncio III.
1217, Vitória sobre os mouros alcançada na batalha de Alcazar
1217, Setembro – André II da Hungria e Leopoldo VI, duque de Áustria, desembarcam
          em São João D’Acre para apoiar as tropas reunidas por Jean de Brienne.
1217, Dezembro – Os francos abandonam o cerco da fortaleza do Monte Tabor.
1218, 29/Maio – O exército de Jean de Brienne desembarca em Damietta.
1219, Primeira incursão dos mongóis de Gengis-Khan contra os territórios muçulmanos.
1219, Março – Os muçulmanos desmantelam as fortificações de Jerusalém.
1219, 25/Agosto – Morre o Mestre Guillaume de Chartres.

*++Fr. João Duarte-Grande Oficial/Comendador Delegado da Comendadoria Sta. Maria do Castelo de Castelo Branco.    

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

AGRADECIMENTO



AGRADECIMENTO

Os meus agradecimentos às pessoas que têm demonstrado o seu interesse no meu blog. Sensibilizado e motivado para continuar com esta tarefa, faço questão de revelar a verdadeira história templária no passado, no presente e no futuro, se Deus me der saúde.

Bem-haja.

*++Fr. João Duarte - Grande Oficial/Comendador Delegado da Comendadoria Sta. Maria do Castelo de Castelo Branco.