quinta-feira, 13 de julho de 2017

Monarquia, caução das democracias

Congresso da Causa Real_Aveiro.jpg

Vivemos tempos difíceis de transição para um mundo muito diverso daquele que conhecemos. Nesta preia-mar dos chamados “populismos” - fenómeno complexo que remete directamente para a grave crise de representação e legitimidade de que padecem regimes de partidos há muito instalados na esfera do poder, mas também de reacção à globalização que ameaça a identidade cultural dos povos – a reflexão sobre as vantagens da monarquia ganha consistência. A democracia, tal como a entendíamos, conhece dias difíceis, pelo que as críticas que lhe dirigem devem ser escutadas e os seus erros corrigidos.

A análise das últimas décadas reforça a nossa convicção de que a democracia deve ser limitada, vigiada e fiscalizada, dado transportar não apenas a pulsão totalitária a que Jacob Talmon se referia no seu clássico Origins of Totalitarian Democracy (1952), assim como padecendo de doenças degenerativas há muito apontadas pela escola italiana de Sociologia Política. Tanto aquela democracia messiânica, fundada na crença e comportando-se como uma tirania [benigna], tanto a deriva oligárquica podem ser corrigidas. Ora, pelo conselho da história, verifica-se que a única forma bem-sucedida de limitação dos abusos e excessos da democracia radica na aceitação do convívio da democracia com um poder não democrático - isto é, não eleito - que lhe lembre aquilo que não é passível de revisão.

A salvação da ideia, do método e da cultura democrática exige, pois, a intervenção de um poder que, não sendo democrático, é caução correctiva que impede a democracia de se matar. As monarquias sempre foram abertas à participação, à representação, à oposição de ideias e de interesses, pelo não houve monarquia pré-moderna que não se submetesse ao voto, à fiscalização e às sanções legais. Hoje, as monarquias ditas constitucionais (constitucionais sempre o foram na forma das constituições históricas que lembravam os limites e as obrigações do Rei) lembram ao transitório aquilo que é permanente. A democracia representa o homem; a monarquia representa a história e a memória que determina e alimenta a vontade dos homens em viverem juntos em sociedade. A democracia exprime a volubilidade das paixões humanas, o passageiro, o contingente; ou seja, é absolutamente humana e alimenta-se do sonho peregrino da justiça e igualdade para todos. A democracia é um admirável exercício de determinação, pelo que só há cidadãos onde estes podem, em concorrência, falar, escrever, opinar, criticar, eleger e legislar. Porém, a democracia é ruptura permanente e deve ser, sempre, disjuntiva, como as políticas o devem ser para que a governação não se afunde no ritualismo. Para atenuar o carácter turbulento inerente à democracia – ou a tendência para se transformar em oligarquia – é requerida a existência de um poder moderador. Esse poder moderador é-nos oferecido pela monarquia. A monarquia, entendida como contrato longo de estabilidade, anteparo da Política e inculcador de comportamentos conjuntivos pode, afinal, salvar a democracia, pelo que há que contestar quantos continuam a perseverar no erro trágico de a considerar inimiga da soberania popular.

Miguel Castelo Branco

quarta-feira, 12 de julho de 2017

REAL DE LISBOA LANÇARÁ BREVEMENTE A ANTOLOGIA: "PORQUE SOU MONÁRQUICO"

Foto de Real Associação de Lisboa.

"Se o povo português não quer vir a ser «absorvido» pelo vizinho ou pelo capitalismo europeu, em termos culturais, sociais e económicos, e não quer ver diminuir o seu prestígio no mundo, passando apenas a ser considerado como um espaço amorfo da Península Ibérica ou um simples território de parcos recursos físicos, terá de apelar para a sua História, para os seus valores culturais e sociais e para as raízes democráticas das suas instituições.
A Monarquia é, portanto, mais que uma necessidade, um dever patriótico desta geração. (...)"

Arqº Gonçalo Ribeiro Telles in "Porque Sou Monárquico", antologia a lançar em breve pela Real Associação de Lisboa. 


segunda-feira, 10 de julho de 2017

A TROPA APAGOU-SE E O EXTERTOR DA TERCEIRA REPÚBLICA



“Considerando …
Considerando …
Considerando …
Manifesto a minha concordância para a autorização do lançamento da empreitada de obras públicas com a designação PM001/VNBarquinha – Polígono de Tancos – “ Reconstrução da Vedação Periférica Exterior no Perímetro Norte, Sul e Este dos Paióis Nacionais de Tancos”, com o preço base de (euro) 316.000, ao qual acresce o IVA à taxa legal em vigor”.
Despacho 5717/2017 de 05 de Junho, do MDN (DR nº 125/2017, série II de 30/6/2017


                Apetece dizer, tarde piaste!...
              E também apetece perguntar como é que, anúncios destes sobre matérias sensíveis que deviam ser classificadas, são públicas…
                O alarido que para aí vai sobre o assalto aos paióis do Exército em Tancos, Deus meu!
                Tanta virgem ofendida!
                Tanta admiração, tanta indignação, tanto espavento!
                Será que acordaram agora ou têm vivido noutro planeta?
                Então há cerca de 35 anos (trinta e cinco) que os sucessivos governos, parlamentos e presidentes andam a destruir paulatina e sistematicamente a multisecular Instituição Militar e agora querem que as coisas funcionem?
                Trinta e cinco anos não são 35 semanas ou meses (o que já seria grave)! Tudo isto com a ajuda pressurosa da comunicação social e de uma chusma imensa de intelectuais, políticos de partidos, comentadores, baladeiros e filhos d’ algo avulsos e, de repente, incomodam-se por a coisa dar para o torto?
                Sabemos há muito que a generalidade da população está ignorante de tudo e mal preparada para a vida em todos os campos, pois a Escola deixou de ser séria para se transformar num recreio permanente onde se despejam alegremente biliões de euros; meio imbecilizada que está, pela acção deletéria dos jornaleiros (que não jornalistas) de serviço e confundidos e descrentes pela infrene demagogia (a doença infantil da Democracia) vertida pela actuação dos agentes políticos - que já não há saco que aguente - e só acorde quando há uma bronca qualquer.
                O que de resto também não os preocupa muito desde que no dia seguinte possam ir até à praia, passear no centro comercial ou mandar uns “shots para a blusa”!
                Para além do mais é uma questão de horas até acontecer uma outra barbaridade qualquer, passado o que, já ninguém se lembra da do dia anterior.
                O que se passou em Tancos – porque será que só agora há este alarido, quando já assaltaram o paiol dos Comandos, na Carregueira; dos Fuzileiros, em Vale do Zebro; da PSP, e outros roubos menores que não chegaram a vir a público? – não deve ser objecto de qualquer admiração.
                O que nos deve admirar – e essa é a pergunta que se impõe – é isto: depois das sucessivas barbaridades cometidas contra as Forças Armadas (que temos denunciado activamente nos últimos 40 anos), como é que ainda há alguma coisa que funciona?
                De facto a Instituição Militar tem uma “endurance” absolutamente notável!
                Nos últimos 35 anos – note-se que são problemas acrescidos e continuados – tem-se subvertido todos os fundamentos em que assenta a Condição Militar; houve erosão contínua do estatuto remuneratório e benefícios (que eram poucos) associados; acabou-se com a Justiça Militar; deram-se facadas violentas na Disciplina; invadiu-se o ensino militar através de exigências originadas no mundo universitário (e político) civil, no mais das vezes desajustadas da realidade e necessidades militares (mesmo assim este âmbito ainda é o que vai funcionando menos mal); esvaziou-se a hierarquia militar de competências, a ponto de hoje um general não ter autoridade para promover um soldado e ser difícil a um comandante comprar um parafuso.
 Acabou-se com o Serviço Militar Obrigatório; torpedeou-se completamente o sistema de promoções; reduziu-se e cativou-se despudoradamente os orçamentos, sem qualquer paralelo noutras áreas da vida nacional; reduziram-se os efectivos, o sistema de armas e o dispositivo a números ridículos e abaixo de qualquer funcionalidade – está tudo preso por fios: não se cumprem as Leis de Programação Militar; não existem reservas de guerra, nem sistema de mobilização; a sustentação logística é medíocre; não existe representatividade política da IM e ninguém a defende institucionalmente - a não ser por palavras de circunstância.
Ora tudo isto – que está longe de esgotar a lista de erros, barbaridades e malvadezas – tinha de afectar gravemente o Moral da tropa. E afectou!
E o Moral é a mola real que mantém um Exército de pé.
As coisas, aliás, estão de tal modo graves que agora até afectou a Moral dos militares, vide as recentes prisões de militares da Força Aérea!
Há muito que os três Ramos sobrevivem apenas para manter no estrangeiro umas pequenas unidades ou grupos de instrutores, que o poder político entende ter interesse enviar para o exterior, onde por norma se têm portado muito bem (enfim, também houve alguns fiascos individuais aqui e ali), mas até isto pode ter os dias contados!
O resto passou ao campo da quase ficção. Destruir um Exército faz-se num instante (veja-se o que aconteceu nos meses a seguir ao 25 de Abril); pô-lo de pé novamente leva anos ou até décadas. É como a floresta que arde…
A grande responsabilidade, pois, de tudo o que se tem passado recai no Poder Político, devido à sua reiterada ignorância, má-fé, irresponsabilidade e, até, revanchismo.
No meio disto tudo, as Forças Armadas estão isentas de responsabilidades? Infelizmente não estão.
As Forças Armadas sendo a instituição nacional mais antiga e hierarquizada da Nação, juntamente com a Igreja (por isso têm sido as mais atacadas), estão muito dependentes dos comandantes que têm e cuja hierarquia culmina nos respectivos Chefes de Estado-Maior. Embora nem tudo se possa ou deva empurrar para cima…
O que é um facto é que, sobretudo depois das chefias militares terem passado a ser essencialmente escolhidas através de critérios políticos, desde o primeiro mandato do Professor Cavaco Silva, como PM, as coisas pioraram significativamente.
Percebe -se que estejam à partida condicionados, mas não se pode aceitar tal estado de coisas.
Ora o que se tem verificado é que a hierarquia militar deixou de existir em termos práticos: ninguém os vê - a não ser com ar de perú em vésperas de Natal, a espreitarem atrás do senhor Ministro – e é raro conhecer-lhes uma ideia, um pensamento, uma doutrina.
Não se sabe o que fazem e ninguém lhes liga nenhuma.
Não se conseguem, por norma, entender sobre coisa alguma, e têm dificuldade em fazer frente seja ao que for. E quando o fazem não se sabe nada. Resultado, continuam a não lhes ligar peva.
Afirmam sempre comedidamente que têm de trabalhar com o dinheiro que o governo da Nação (como se esse termo pesasse alguma coisa no conceito dos actuais políticos) atribui aos Ramos, mas não se manifestam quanto à impossibilidade de continuarem a cumprir qualquer missão atribuída, seguindo a velha máxima que não há dinheiro a menos mas sim missão a mais...
Às vezes (poucas) chega-lhes a mostarda ao nariz e demitem-se, nem sempre pelos melhores motivos. Uma atitude que após dois minutos de “glória”, se torna inconsequente, não só porque não tem repercussão nas fileiras e vem logo outro, prestes, ocupar o lugar (ficando ainda mais na mão do ministro que o indigita), e porque depois de se “libertar” do fardo, nunca explicam minimamente as razões que os levam a abandonar a função.
Por isso tem faltado aqui muita coragem, o que desde tempos imemoriais é considerada uma virtude e um atributo dos militares…
E já nem falo daqueles que se deslumbram pela fofice das alcatifas…
Tudo, porém, muito bem explicado e camuflado através de termos como “sentido de Estado”; “prudência”; “não prejudicar o Ramo”; Ética, etc., e, por vezes, um mais pueril “não estou para me chatear”.
Acho que serve para aliviar a consciência.
O ridículo é tanto que quando foi do ataque às torres gémeas, em Nova Iorque, em 2001, colocou-se o País no estado de ameaça “Alfa”; até hoje “esqueceram-se” de o modificar…
                                                           *****
                                                           “R.I.9
                                                           As sentinelas dos terrenos do paiol farão fogo
                                                           sobre quem tente escalar os muros.
                                                           1948”.
                                                               Dizeres escritos numa placa de rocha
                                                               Existente nos terrenos do mesmo. [1]
Finalmente sobre a gravidade do roubo dos paióis, ainda parece que querem agravar tudo.
Não há soldados para fazer nada; não há cabos quarteleiros para pernoitarem e, ou, cuidarem dos paióis; não há sequer por vezes, já, oficial de dia, mas sim um graduado de serviço – que por norma não tem pessoal para fazer o serviço…
Não há dinheiro nem pessoal para manter ou substituir vedações; os espaços entre os paióis não estão minados pois isso é contra os “direitos do homem”; não há electrificação das redes pois não há dinheiro para tal tecnologia “de ponta” que ainda se arrisca a matar uma ovelha que se encoste; o sistema de vídeo vigilância estava avariado, etc.
O pessoal da ronda passava de quando - em - vez, e ainda bem que desta vez não passou, pois se tivesse confrontado os assaltantes, ou não faziam nada e davam meia volta ou arriscavam-se a ser abatidos.
Porquê, perguntarão: por duas gravíssimas razões: primeiro porque o poder político não quer que os militares possam defender violentamente as instalações e material à sua guarda não lhes outorgando autoridade para tal.
Deste modo qualquer sentinela que pregue um tiro em alguém está tramado para o resto da vida e, pelos vistos, não pode esperar que alguém assuma a responsabilidade do acto. Mas também porque, desde o tempo do General Firmino Miguel, como CEME, o pessoal de serviço ou não tem munições reais ou estas existem em carregadores específicos que estão por regra, lacrados e, ou, têm duas a três munições de salva, por cima da primeira munição real. [2]
              Todos os responsáveis sabem que isto é verdade.
Por tudo isto, há muito que as Forças Armadas Portuguesas se podem considerar decalcadas da célebre charla da guerra do Solnado![3]
Acresce que há enormes suspeitas de que pode haver conivências do interior, o que não espantará vivalma, dado que, desde 1974, que não temos serviços de informações (e há muito que estão entregues a pessoal aparentemente membro das Maçonarias…); os registos criminais deixam muito a desejar e o crivo não é grande coisa. Parece que também é contra os direitos do homem, agora também dos animais.
Ora o General - Chefe de Estado-Maior do Exército, aqueles que o antecederam, bem como os dos outros Ramos, estão carecas de saber tudo isto que acabei de dizer.
E não podem alegar que não sabem, pois isso significaria que seriam ignorantes, incompetentes ou estiveram a dormir na forma.
E por isso se estranha também, porque é que segundo notícias vindas a público, o CEME terá exonerado (temporariamente) quatro Coronéis e um Tenente-coronel sitos nas unidades militares da área de Tancos. E tenha acrescentado que seria para não “interferirem” nas investigações (será que os segundos comandantes já não interferem?).
Se isto é verdade, é muito grave: primeiro essa da exoneração temporária, não existe nem faz qualquer sentido (o PR já enviou até um remoque acerca disto!) – tão pouco foi aplicada no recente processo ocorrido nos “Comandos”; e dar como racional, a hipotética interferência dos seus comandantes (como?) no processo, é de uma inconveniência e gravidade extremas. E que irá ter consequências.
Aparenta, até, ser uma manobra dilatória, de mãos dadas com o senhor MDN a fim de salvaguardarem os seus imaculados traseiros.
A situação é de tal modo grave (algum dia tinha que rebentar) que o Conselho de Chefes Militares, não se deve alhear, como costume, do que se passa. Isto toca a todos e deixou apenas de ser uma derrocada institucional e nacional (há muito anunciada), para passar a ser uma vergonha internacional inominável.
Só falta assistirmos a um General CEMGFA vir frente às camaras dizer que está tranquilo…
E sobre os assaltantes que, pelos vistos entraram calmamente pela porta do paiol, ninguém sabe nada.
Podem, senhores governantes limpar as mãos à parede e agora já nem conseguem responsabilizar o “cabo quarteleiro”, pelas simples razão de que é uma figura do passado.
O País e as Forças Armadas só não bateram no fundo por isto: deixou de haver fundo.
Não foi nestas Forças Armadas em que assentei praça.
E sinto-me envergonhado.


                                                        João José Brandão Ferreira
                                                            Oficial Piloto Aviador





[1] R.I.9 – Regimento de Infantaria 9, na altura sito em Lamego.
[2] Para além disso, há muito que o comum dos militares só pode dar 10 tiros reais, para não defraudar o real tesouro e por isso se tornar um risco dar poderes a um sentinela sobre coisas que ele não domina…
[3] Alerto há anos para a forte possibilidade de um dia haver um atentado em Pedrouços, onde estão reunidos, cursando, centenas de oficiais. Pois bem, há muito que não há sentinelas e à Porta de Armas está um elemento de uma empresa de segurança civil…

sábado, 8 de julho de 2017

JUVENTUDE MONÁRQUICA DO PORTO VISITA MUSEU DA MISERICÓRDIA

Foto de JMP Porto.

Dia 15 de Julho, Sábado, a JMP-Porto será recebida em visita guiada pelo MMIPO - Museu da Misericórdia do Porto, que comemora o seu 2.º aniversário.

A visita está marcada para as 11h, encontrando-se o grupo previamente junto ao museu (Rua das Flores, n.º 15). Dada a efeméride, a visita guiada será gratuita, segundo informação da própria instituição, a quem desde já agradecemos.

Os interessados em participar deverão inscrever-se até dia 12, enviando mensagem para a página da JMP-Porto ou email para porto@juventudemonarquicaportuguesa.pt. Número de visitantes limitado por motivos logísticos, prevalecendo a ordem de inscrição.
No final seguiremos para um almoço de convívio.

Esperamos por ti! Aparece e traz um amigo.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

TOURADA REAL À ANTIGA PORTUGUESA EM SALVATERRA DE MAGOS

Foto de José Carlos Ramalho.

VENHA VIVER UMA TRADIÇÃO PORTUGUESA.

Partilhe o cartaz, traga a família e os amigos. Obrigado!
Bilhetes à venda a partir de 12 de Julho Sr. Mário Figueiredo, Tel: 918915926
Para reservas das Reais Associações/Causa Real: BRUNO CASTRO bcastro2011@gmail.com
 

 

quinta-feira, 6 de julho de 2017

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Um 10 de Junho diferente




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Olivença está bem arranjada, nota-se ainda perfeitamente a sua traça portuguesa e o 
centro, monumentos e fortalezas, são 
portuguesas, fora de qualquer dúvida. 
Merece uma visita.
Não, não foi por o Presidente da República e sua comitiva terem debandado para as atribuladas terras de Santa Cruz e nem ter sido recebido pelo Presidente Brasileiro – que não tinha que o receber, a não ser por cortesia, já que o PR não ia em visita oficial e, além do mais, ia com o fito de comemorar o dia da sua terra em terra alheia [1] ; não, não foi por se ter finalmente uma comemoração popular em cada cidade e vila, como por décadas e, até séculos, se festejava o dia da Restauração, no 1º de Dezembro; também não foi diferente por, finalmente, a Comunicação Social se dignar ceder duas linhas ou imagens de atenção que fosse, ao que se comemora na “Homenagem Nacional aos Combatentes”, junto ao Forte do Bom Sucesso, no Restelo, cujo programa é único e tem razões específicas para ocorrer.
Não, o 10 de Junho (para quem não sabe é o Dia de Portugal…) foi diferente porque foi comemorado na portuguesíssima terra de Olivença. Em boa verdade já no ano passado tal facto tinha ocorrido mas, enfim, só este ano tivemos o gosto de participar.
A grande importância da comemoração tem a ver com o facto de Olivença e seu termo (cerca de 430 Km2), estar ocupada ilegalmente pela Espanha desde 1807, e o Estado Português (que representa a Nação politicamente organizada) não ter até hoje conseguido a sua retrocessão. Estado Português que não tem um único crédito a seu favor no evento que ora expomos.
De facto, o mesmo foi organizado pela Associação Além-Guadiana, fundada em 2008, por oliventinos que sentiram em si o sentimento da Portugalidade, e que já lograram concretizar um conjunto de iniciativas louváveis. Deste modo passou a haver quatro tipos de alentejanos: os do Alto Alentejo; os do Baixo Alentejo; os da margem esquerda (do Guadiana); e, agora, os do termo de Olivença.
Para este evento concreto, associou-se o conhecido ex-deputado e dirigente do CDS-PP, Dr. Ribeiro e Castro, que se interessou por toda esta tentativa quando liderou a Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros e recebeu, por várias vezes, delegações dos “Amigos de Olivença” – patriótica instituição da “sociedade civil” que, sem qualquer apoio do Estado, tem desenvolvido ininterruptamente desde a sua criação, em 15 de Agosto de 1938,uma luta tenaz e persistente pela causa de Olivença portuguesa – na sequência de uma petição por eles promovida.
As autoridades espanholas têm condescendido com estas iniciativas, pensamos nós, para aliviar tensões; por terem problemas mais graves noutras regiões; darem uma de “progressistas” e multiculturais e, sobretudo, por nada ter ainda tocado o âmbito da soberania.
Em Olivença não há tensões sociais pelo facto da ilegalidade se manter, pois o território foi sendo sucessivamente colonizado, algumas vezes com actos violentos, e a população original ter, praticamente desaparecido.
O Estado Espanhol também não se esquece de manter o nível de vida – enfim com a excepção compreensível da última guerra civil – num estádio superior ao lado de cá da fronteira. Fronteira que não está oficialmente delimitada entre o Rio Caia e o Rio Cucos, faltando os marcos nº 801 a 900. [2] E, de facto, ao atravessar a fronteira na nova Ponte da Ajuda – um local magnífico do Guadiana – e depois em S. Leonardo, nota-se uma diferença na qualidade das estradas e respectiva sinalética; na limpeza e no aproveitamento dos campos. [3]
Olivença está bem arranjada, nota-se ainda perfeitamente a sua traça portuguesa e o centro, monumentos e fortalezas, são portuguesas, fora de qualquer dúvida. Merece uma visita.
As cerimónias ocuparam praticamente todo o dia, tendo começado um pouco tarde por causa da diferença horária e porque se teve que esperar pela pequena excursão ida de Lisboa. O “Alcalde “da vila aguentou firme todos os eventos, estando ainda presente na maioria deles, o presidente da Região da Estremadura, também ele, filho da terra. O “Mestre-de-Cerimónias” falou bilingue (num português perfeito) e os oradores falaram nas suas línguas de origem. A Guardia Civil manteve uma presença discreta, apenas com duas viaturas e cinco guardas.
A cerimónia principal decorreu no Convento de S. João de Deus – um Santo Português – que está incluído num dos nove baluartes erguidos após a Restauração de 1640, para melhor defesa desta praça – forte, uma das mais avançadas e expostas de toda a fronteira terrestre.
As intervenções dos oradores – administrador executivo da Fundação Portugal-África; presidente da Conexão Lusófona; coordenador do Movimento 2014 – 800 Anos da Língua Portuguesa; directora do Gabinete de Iniciativas Transfronteiriças da Junta da Extremadura – foram equilibradas, embora todas elas a puxar para a descrição das actividades de que são responsáveis, do que sobre o objectivo das cerimónias em si. E todas voltadas para a cooperação e cultura. Discursos equilibrados também dos responsáveis políticos presentes, todos na mesma toada. Uma curiosa e bem apanhada reportagem sobre os resquícios da cultura portuguesa em Malaca (onde só estivemos 130 anos!), também marcaram presença. Ainda houve tempo para um pequeno teatro sobre o Rei D. Dinis e a Rainha Santa Isabel e a oficialização da geminação dos municípios de Leiria e de Olivença, a cargo dos respectivos edis, apenas com um pequeno deslize numa frase do Leiriense.
O ponto alto (opinião nossa) teve lugar com a actuação do Coro “Alma de Coimbra, que encantou a audiência com cerca de 70’de um óptimo espectáculo, que nos deixa orgulhosos em qualquer parte do mundo e nos dá esperança de que nem tudo está perdido. Só faltou que a última performance fosse o Hino Nacional Português e um “viva Portugal”, que seria a chave de ouro e o dia merecia. Pelo meio houve almoço de tapas à espanhola para convidados e cada um à sua, para os restantes.
O final foi o mais importante e já ocorreu na pérola monumental representada pela Igreja da Madalena – uma joia do mais puro manuelino que, significativamente ganhou um concurso, há poucos anos, que elegeu o “melhor recanto de Espanha” – antecedido de uma visita guiada à mesma. Ouviu-se a Santa Missa em português, facto que já não ocorria desde que tal prática tinha sido proibida pelas autoridades espanholas desde os anos 40 do século XIX! Oficiou-a o Padre Ricardo Cardoso, acompanhado pelo seu congénere e “dono da casa”, o qual teve especial habilidade e desenvoltura para o papel que lhe coube fazer. Bem – haja.
A única coisa a lamentar – embora não surpreenda – foi o escasso envolvimento da população local, nas cerimónias. Na sessão solene estavam umas 150 pessoas; na missa só umas 50, sendo que a maioria tinha ido de Portugal. Por isso para o ano temos de levar a Olivença, no dia 10 de Junho, não menos de 10.000 pessoas com bandas e fanfarras. Isto mudaria tudo…
Lá esperaremos o Senhor Presidente da República (embora não acredite que, nessa altura, lá esteja alguém da Família Real Espanhola) o qual, estamos certos, abdicará de ir visitar a comunidade emigrante lusa na Nova Zelândia, em prol de tão benemérito como patriótico acto. E nem precisa de autorização da Assembleia da República para se ausentar do território nacional, para o fazer…[4]
Então até para o ano.
Oficial Piloto Aviador

[1] Se a moda pega ao contrário, vamos ter por cá chusmas de dignatários de outros países, por cada comunidade de emigrantes que por cá labutam ou repousam!…
[2] A fronteira Luso-Espanhola tem 1292 Km de extensão, e é delimitada por 5228 marcos, separados de 250 metros.
[3] Onde convinha manter os caminhos limpos; preservar a capela da Nossa Senhora da Ajuda e, no mínimo, colocar uns painéis explicativos sobre a ponte centenária ora em ruinas!
[4] Artigo 129º da CR. Embora nunca até hoje tenha vindo a público qualquer prova de que tal é feito… (nº3 “A inobservância do disposto no número 1 envolve, de pleno direito, a perda do cargo”)