domingo, 21 de junho de 2015

FESTAS DA RAINHA SANTA 2015


Rainha Santa
Embora, como é hábito nos anos ímpares, não se realizem as procissões em 2015, nem por isso deixaremos de solenizar com todo o esplendor a festividade da nossa Excelsa Padroeira. O programa será o seguinte:

       Dia 20 de Junho, na Igreja da Rainha Santa Isabel
   
      às 14h30: assinatura de um acordo de parceria entre a Confraria da Rainha Santa e a União das Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas.
·       às 15h00: distribuição de bens alimentares a 300 famílias carenciadas de Coimbra.
     
      Dia 26 de Junho, às 18h30, na Sala do Capítulo do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova: inauguração da exposição "Presença Franciscana no Caminho Português de Santiago”.
  
     Dias 1, 2 e 3 de Julho, às 21h30, na Igreja da Rainha Santa Isabel: tríduo solene na Sua igreja do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, com pregação a cargo do Revº Pe. Carlos Noronha, pároco de Buarcos.

      Dia 4 de Julho, na Sua igreja do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova:
       às 8h00, missa presidida pelo Revº Capelão da Confraria da Rainha Santa Isabel;
       às 11h00, missa solene presidida por S. E. Revª D. Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra;
      às 16h30, missa da Real Ordem da Rainha Santa Isabel, com a participação de Suas Altezas Reais, os Senhores Duques de Bragança.
       18h00 – II Vésperas

No dia 3, depois da celebração das vésperas e pregação, a porta da igreja manter-se-á aberta até às 24.00 horas. Durante a missa solene do dia 4 de Julho, tomarão posse os novos órgãos sociais da Confraria, recentemente eleitos.

sábado, 20 de junho de 2015

Reinar A Favor Da Nação




Um Rei cuida do Seu Povo como um Pai. Uma das diferenças entre um Rei e um Presidente é que o Povo há-de ser sempre o Povo do Rei, e não uma massa de população que serviu o propósito de eleger um político.
Rei sem Povo não é Rei, Povo sem Rei não é Povo’, proferiu Dom Luís Álvares de Castro, 2.º Marquês de Cascais, tendo como interlocutor El-Rei Dom João V que na sua magnitude compreendeu o axioma e o pôs em prática.
O Reinado de um Monarca é uma missão ao serviço da Nação e, os príncipes eram educados pelos seus doutos preceptores precisamente para isso. Isto posto, um Rei nunca protesta estorvo e/ou embaraço no contacto com o Seu Povo, pois tem arreigado esse trato como sendo algo de natural.
Ora a Nação é uma comunidade estável constituída, historicamente, com base num território, numa língua, e com aspirações materiais e espirituais comuns e o Povo é usualmente concebido como um conjunto de indivíduos, que num dado momento histórico constitui a Nação. Ora a função do Rei é encarnar esse espírito comum da Nação o que o torna num Monarca ao serviço do Povo e que, por isso, o pode livremente destronar, se ele não cumprir qualquer das obrigações inerentes ao seu cargo.
O Rei tem de reinar rectamente: ‘Rex eris, si recte facias, si non facias, non eris.’
No nosso País, em Monarquia, sempre foi assim! E no Estado das Coisas republicano, há mecanismo igual ou idêntico?! Pergunta retórica, pois a resposta é um rotundo e sabido ‘Não!’. Suportem-no até haver novas eleições!
Só o Rei lê o Povo, indaga cada camada da população, apreende a sua realidade, e através de uma atitude racional chega ao que acredita será o reflexo da vontade do Povo. Essa é uma tarefa infinita e a preparação começa com a educação do herdeiro presuntivo da Coroa, não é uma realidade que se pode apreender de um momento para o outro.
Para conhecer o Povo é necessária presença, dirigir-se à própria matéria, face a face, auscultar, permitir a espontaneidade, sair da confortável área da preguiça espiritual para conhecer a «substância», e ouvindo as pretensões mais exageradas e os anelos mais essenciais, filtrar, chocar esses anseios e formar em consciência o que será o corpo do bem da coisa comum.
Na nossa sociedade contemporânea tão igualada, já não existe possibilidade para monarcas de trato enfatuado, e em Portugal também não os houve; os nossos reis mantinham uma relação directa com o povo, e sentiam prazer em estar entre gente comum e quando abordados por qualquer pessoa do povo, entabulavam familiarmente uma conversa. D. Aleixo de Menezes acautelava El-Rei Dom Sebastião: ‘o excesso de afabilidade, senhor, não compromete a autoridade do príncipe…’. Como escreveu Eça de Queiroz no encómio “A Rainha”: ‘No tempo dos nossos velhos reis, ao contrário, todos os educadores de príncipes lhes ensinavam o alto dever real de comunicar docemente com o povo.’
Veja-se o caso d’El-Rei Dom Manuel II que percorria as ruas sondando e interagindo com o Seu Povo, que visitava os doentes nos hospitais, não por piedade, mas levando-lhes o tão importante agasalho espiritual. E mesmo depois de deposto pelos bacharéis pífios do Partido Republicano Português e pela organização terrorista Carbonária na golpada anti-democrática do 5 de Outubro de 1910, se colocou sempre ao serviço dos Portugueses.
Com o início da 1.ª Grande Guerra, o Monarca exilado, em Inglaterra, colocou-se à disposição dos aliados para servir como melhor pudesse. Primeiramente, apanhou-o a desilusão quando o colocaram como oficial da Cruz Vermelha Britânica, mas o empenho que mostrou no decorrer da guerra, cooperando em conferências e na recolha de fundos, visitando hospitais e mesmo os feridos na frente, foi-Lhe muito gratificante. Todavia, a sua solicitude nem sempre foi reconhecida, e chegou mesmo a referi-lo numa entrevista ao ‘Times’: “A sala de operações do Hospital Português, em Paris, durante a guerra, foi montada por mim. Sabe o que puseram na placa da fundação? ‘De um português de Londres’.”
El-Rei Dom Manuel II estabeleceu, tal-qualmente, o departamento ortopédico do hospital de Sheperds Bush, que por perseverança do Monarca e da Sua bolsa continuou a funcionar até 1925, dando assistência aos estropiados de guerra. Uma prova de reconhecimento dos britânicos para com D. Manuel II de Portugal foi quando o Rei britânico Jorge V – primo do Monarca português pelos laços da Casa de Saxe-Coburgo e Gotha – o colocou, e à Rainha Augusta Vitória, a seu lado na tribuna real durante o Desfile da Vitória, em 1919, em Londres.
Miguel Villas-Boas

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Sucessão É Continuidade



Continuidade

‘(…) A Realeza é outra coisa, visa de longe a meta, e, com prudente vagar, chega ao fim planeado; se não for o Pai a ultimar a realização, seu Filho, automaticamente alçado Rei, educado das mesmas ideias de seu Pai, tudo seguirá como se a mesma vida fosse, o labor do mesmo pensamento.

Assim se fez o Império, com o prolongamento do comando: – A Dinastia.

A todas as Repúblicas, por melhores que sejam, falta e faltará sempre, este apanágio das Realezas:– a CONTINUIDADE.’

– 2.º Conde de Alvellos in “IV – O Berço Exilado do Príncipe da Beira; Carta a um Príncipe – O Berço Exilado”, Terceira Tiragem, Porto, 1946

Essa ‘Continuidade’ evita as crises que podem surgir com uma mudança na chefatura de Estado se o titular for um actor político, que de área ideológica diversa do anterior, põe tudo em causa e gera desestabilização política e social. A Monarquia evita a ruptura, pois só um Rei permite uma evolução – sem quebrar a linha – na chefia do Estado, fruto da substituição geracional. Existe, de facto, uma verdadeira renovação. O novo Rei é fruto de um longo trabalho de preparação técnica e cultural para apreender a Nação que encarnará e representará como ninguém. O novo Rei não inuma o passado, mas antes represtina os bons exemplos e aplica-os à nova realidade, pelo que a Monarquia é o melhor modelo adaptado a cada época.

Na Monarquia, com a sucessão, não há uma organização diferente que institui uma oposição à ordem anterior, mas uma diversidade que qualifica, sem ser profunda, mas, também, sem ser idêntica: existe uma reorganização!

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica

APAM ATRIBUIU MEDALHA DE HONRA AO REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA


 
Entrega da Medalha de Honra da APAM - Associação Portuguesa dos Autarcas Monárquicos ao Real Gabinete Português de Leitura, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Com a direcção do Real Gabinete Português de Leitura.
  

 

 

 

 

 

 
António Loulé concede entrevista à Rádio Manchete.
Entrega da Medalha de Honra da APAM - Associação Portuguesa dos Autarcas Monárquicos ao Real Gabinete Português de Leitura, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

 

  


 

  

 


 


Associação dos Autarcas Monárquicos


Depois de Dom Duarte, Duque de Bragança e Chefe da Casa Real portuguesa, e de Dom Luiz de Orléans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, eis que chegou a hora do Real Gabinete Português de Leitura ser agraciado pela APAM - Associação Portuguesa dos Autarcas Monárquico com a sua maior distinção, a Medalha de Honra da associação.

A cerimónia solene da entrega da Medalha de Honra contou com a presença Manuel Beninger, presidente da direcção dos Autarcas Monárquicos, e de António Loulé vice-presidente da Instituição. “É para nós monárquicos, mas acima de tudo portugueses, um orgulho podermos ser recebidos nesta catedral da cultura portuguesa, uma biblioteca que reúne o maior acervo de obras lusitanas fora de Portugal”, disse Beninger.

Para o presidente dos Autarcas Monárquicos “a atribuição da Medalha de Honra da APAM a esta tão nobre e inigualável casa da cultura portuguesa é o reconhecimento por tudo o que esta instituição tem feito na defesa da cultura portuguesa e historicamente simboliza”.

Real Gabinete Português de Leitura, com cerca de 180 anos de existência, é a associação mais antiga criada pelos portugueses do Brasil após a independência de 1822.

A sua sede, construída num estilo neo manuelino, foi inaugurada pela Princesa Isabel em 1887 e conta com mais de 400.000 mil volumes, entre os quais um exemplar da edição princeps de “Os Lusíadas”, de 1572.

TV DO MINHO

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Estórias da História: 17 de Junho de 1922: Gago Coutinho e Sacadura Cabr...

Estórias da História: 17 de Junho de 1922: Gago Coutinho e Sacadura Cabr...: A primeira travessia aérea do Atlântico Sul foi concluída com sucesso pelos aeronautas portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, a 17 de...

'DEPOIS DE VÓS, NÓS'



'Depois de Vós, Nós'
 
Ser Rei é ser o Pai da Nação e por isso no Rei está a Pátria inteira, Rei de Todos e para Todos, sem as excepções que os sufrágios criam por defeito de sistema que procura eleger para presidente de todos o representante de alguns. Um Rei justo e recto, duro para a soberba, brando com a fragilidade, Alguém que preze a Gente portuguesa, que possua o Ideal profundo e o alto Sentimento pela História oito vezes secular de Portugal que deu mundos ao Mundo quando quis. O Povo simples e bom sempre soube que para seu Paladino só poderia contar com a solícita ajuda do Rei. Para o bem-estar comum a fórmula nunca foi outra se não o Rei: o Alto Critério, a Mão da Justiça, que sempre acolheu o Povo nas dobras do seu Manto evitando que sofresse nas mãos volúveis e cobiçosas dos políticos.

Miguel Villas-Boas - Plataforma de Cidadania Monárquica
 

HOMENAGEM AOS COMBATENTES DA PÁTRIA: UM DEVER DE SEMPRE

NO RESCALDO DO 10 DE JUNHO DE 2015. HOMENAGEM AOS COMBATENTES DA PÁTRIA: UM DEVER DE SEMPRE

As Forças Armadas são o poder executivo da consciência nacional, o braço da Pátria, a Nação em atalaia, a vigilância dos berços, o resguardo dos túmulos, a segurança do presente e do porvir. Nobreza não há maior que a da sua missão”.
Rui Barbosa, 1938.

As últimas campanhas militares ultramarinas portuguesas – ultramarinas porque se desenrolaram em terras onde os portugueses se estabeleceram além-mar – tiveram início no Estado Português da Índia, em 1954, quando se reforçou aquele território militarmente, por a ameaça assim o justificar; continuaram em Angola com o deflagrar do terrorismo, em 1961, e na Guiné e Moçambique, respectivamente em 1963 e 1964, com o início da guerrilha.

Pelo caminho ficou a mesquinha ocupação da fortaleza de S. João Baptista de Ajudá, pelo Daomé, em 1 de Agosto de 1961 – facto de que já ninguém se deve lembrar – e o reforço de todos os restantes territórios, como precaução, havendo a registar uma séria alteração da ordem pública, em Macau, em 1966, no auge da revolução cultural maoísta.

Directa ou indirectamente ligados a todos estes eventos, foi ainda necessário intervir ou fazer face, aos acontecimentos resultantes da secessão do Catanga, entre 1960 e 1963; na guerra do Biafra, entre 1967 e 1970 e ao bloqueio do Canal da Beira, por parte da Inglaterra a partir de Janeiro de 1966, na sequência da independência unilateral da Rodésia.

Na Metrópole teve ainda que se fazer frente, a partir dos anos 70, a um conjunto de atentados violentos e propaganda subversiva, por parte de algumas organizações clandestinas de orientação comunista e que visavam protestar e, objectivamente prejudicar o esforço de guerra em que a nação estava empenhada.

A soberania portuguesa terminou de forma dramática em Goa, Damão e Diu, em 19 de Dezembro de 1961, após ocupação “manu militari” do nosso território, por parte da União Indiana, resultante de uma vergonhosa invasão militar, sem declaração de guerra, à revelia do Direito Internacional e do normal convívio entre povos do século XX, e sem que a mais pequena réstia de razão o justificasse.

A luta nas restantes frentes desenrolou-se, vitoriosamente, em termos de guerra de guerrilha de baixa intensidade, até que os acontecimentos ocorridos em Lisboa, em 25 de Abril de 1974, quebraram psicologicamente a vontade de continuar a luta.

A extrema incompetência, ignorância e ingenuidade com que os autores do golpe de Estado então ocorrido, actuaram, fez com que rapidamente o poder caísse na rua; lançou o país no caos político, económico, social e financeiro, quebrou a disciplina e a confiança nas Forças Armadas e fez desmoronar todo o aparelho político/ militar nas quatro partes do mundo onde flutuava a bandeira das quinas.

O resultado foi a outorga do poder às forças marxistas – e só a essas – do poder político em todo o ultramar de uma forma atrabiliária, o que impediu qualquer tipo de autodeterminação minimamente organizada e que respeitasse fosse o que fosse. As independências surgiram assim, de qualquer maneira e em catadupa, por todo o ano de 1975 o que resultou, durante décadas, nas abominações mais indiscritíveis.

Macau foi excepção a esta debacle, não porque o desvario que corria em Lisboa o quisesse, mas porque a China milenar impôs a sabedoria dos antigos.

Na parte europeia de Portugal, chegou-se nesse ano às portas da guerra civil, evitada “in extremis” por alturas de 25 de Novembro de 1975.

Timor ficou ainda a pairar como uma chaga viva na consciência nacional, durante os anos que durou a ocupação indonésia, ocupação essa de que nós fomos, senão os únicos, pelo menos os principais responsáveis. O que se passou por causa disso, na sociedade portuguesa assemelhou-se a uma catarse de expiação de culpas, colectiva.

O período histórico em que tudo isto se passou, entre Abril de 74 e Novembro de 75, foi um tempo muito curto, mas olhando para toda a História de Portugal, não vislumbro nenhum outro, de tanta ignomínia e que tantos danos causasse.

Assim regressámos às fronteiras medievais europeias sem lustre e sem glória, depois de uma debandada de pé descalço – como lhe chamou o insuspeito Professor António José Saraiva.

A Nação dos portugueses não merecia que as coisas se tivessem passado desta maneira.

Muito menos, o cerca de milhão de homens que combateram abnegadamente nos quatro continentes e mares em que o território nacional de então se espalhava e que carinhosamente foram apelidados de “os melhores de todos nós”.

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“Pelo que toca a nossa pessoa não fico em cuidado, porque por cada pedra daquela fortaleza arriscarei um filho… Eu vos ponho no caminho da honra, em vós está agora ganhá-la”.
D. João de Castro
(A seu filho enviado de socorro a Diu durante o Segundo Cerco, 24Abr1546)

Não mereciam estes, nem os anteriores que lutaram por ideias e interesses que fazem parte da matriz nacional portuguesa desde a I Dinastia, alguns dos quais levaram a um combate de 600 anos – tantos quanto durou a diáspora portuguesa.

Esta é a primeira reflexão que vos proponho: nós não andávamos nisto há meia dúzia de dias, não o fizemos de ânimo leve e tal nunca teve a ver com regimes, pessoas, interesses de grupo ou sistemas políticos.

Não foi uma ideia de um qualquer rei louco; de corsários, ou aventureiros; de “lobies” económicos ou interesses mesquinhos. Foi obra de toda a Nação – da Coroa, dos Nobres, do Clero e do Povo e teve uma ideia transcendente como referência; a globalização espiritual do império de nosso Senhor Jesus Cristo, através da Terceira Pessoa da Trindade, o Espírito Santo.

É tudo isto e a maneira superior dos portugueses em se relacionarem com os outros povos que explica a especificidade da colonização portuguesa e o modo como organizávamos e sentíamos os nossos territórios e as gentes que sempre procurámos integrar na coroa portuguesa e não descriminar.

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“As praças D’el - Rei D. João IV, nosso senhor, não se rendem senão depois de todos mortos!”
Palavras que D. Pedro de Menezes, Capitão-Mor da Fortaleza de Massangano, dirigiu aos seus soldados no mais aceso da luta contra um ataque holandês.


A segunda reflexão que vos queria propor tem a ver com a escala dos ataques exteriores de que Portugal foi sujeito, que desembocaram nestas campanhas, e que modernamente foram explicados pela falácia dos “Ventos da História”.

Basicamente desde o início da Nacionalidade até à perda da independência, em 1580, Portugal contou apenas com dois inimigos que se podem classificar de clássicos: a Moirama e Castela; tendo de se fazer ainda frente, a partir do século XV à guerra de corso movida principalmente por franceses e ingleses.

Porém, a partir do domínio filipino, Portugal veio a herdar todos os inimigos da coroa espanhola, pelo simples facto de Filipe I como Rei de Espanha não poder estar em guerra com vários países e como Rei de Portugal, poder gozar a paz. E foi assim que passámos a ser atacados por povos do centro e norte da Europa.

Os judeus, que tinham sido bem tratados em Portugal até D. Manuel I, passaram a guardar inimizade ao nosso País após a sua expulsão, em 1496 e posterior perseguição pela Inquisição.

No século XX, a URSS tornou-se nossa inimiga política, por razões ideológicas e nunca perdoou ao estado português o facto de ter ajudado a derrotar as forças republicanas durante a guerra civil espanhola. Isto significa o empenho que colocou no apoio à autodeterminação dos povos e o anti colonialismo (leia-se dos povos que estavam debaixo do domínio político das nações da Europa Ocidental e apenas dessas) – e entre estas estavam englobados os territórios portugueses. Conceito que tinha sido posto em marcha após o fim da II GM e do início da Guerra Fria, de que passou a ser uma forma indirecta de a travar.

A este desiderato juntaram-se os EUA, a fim de tentarem subtrair os novos estados ao controlo da União Soviética, ganharem acesso a fontes de matérias-primas e a posições estratégicas relevantes, e por preconceito político/social, já que eles próprios tinham sido uma colónia.

Chamaram a isto os “Ventos da História”, que tinham muito mais a ver com a substituição de soberanias do que com a autodeterminação dos povos.

E farão os leitores o favor de reparar, que os ventos da história são sempre soprados por quem tem o poder na altura, no sentido dos seus interesses e não por causa dos eventuais princípios filantrópicos que proclamam.

Portugal tem sido amiúde vítima, destes “ventos”, por uma razão muito simples: as grandes potências do mundo jamais perdoaram a uma pequena potência como Portugal, se tenha alcandorado a tão grande grandeza histórica e territorial e sempre que puderam, aproveitaram-se das circunstâncias para nos depredar.

Foi isso mais uma vez que aconteceu no Ultramar a partir de 1954, e já é tempo de nós todos termos noção da realidade dos factos e não dos mitos e falácias que nos quiseram e querem vender.

Portugal tinha, ao tempo em que começaram a ocorrer os eventos que descrevemos, poder efectivo – político, diplomático, económico, financeiro, psicológico e militar; vivia uma paz social e dispunha de uma liderança forte, patriótica e competente, que se dispôs, altaneira, a defender as suas gentes e património e a vender cara a pele. Nenhum bom português pode condenar esta atitude.

E foi assim que cerca de um milhão de homens foi ocupar sucessivamente os seus postos de combate, naquilo que constituiu, sem sombra de dúvidas, a melhor campanha efectuada desde os tempos do Sr. D. Afonso de Albuquerque, chegando-se a combater simultaneamente em três teatros de operações de uma extensão enorme, separados entre eles e a Metrópole – que era a base logística principal – por milhares de quilómetros, sem generais ou almirantes importados – o que já não sucedia, note-se, desde Alcácer Quibir - e fazendo-o vitoriosamente com a excepção já referida do Estado da Índia, devido à esmagadora desproporção de forças em presença.

Mesmo assim fizemos frente com sucesso a 10 anos de malfeitorias da União Indiana, não foi coisa de somenos!

Todo este esforço foi feito sem qualquer disrupção política, social ou financeira; mantendo-se o desenvolvimento económico sempre a subir e de forma sustentável, em todos os territórios do Minho a Timor; sem qualquer tipo de ruptura logística, casos de indisciplina notórios e com uma taxa de desertores (incluindo as tropas negras), que não encontra paralelo em nenhuma campanha contemporânea.

Até ao 25 de Abril de 1974, os batalhões embarcaram todos completos e em boa ordem de marcha!... E lembro que antes de embarcarem, permitia-se que os militares fossem a casa, despedir-se dos familiares durante 10 dias …

Foi pois todo um povo irmanado de um mesmo ideal e sentir, que aguentou firme e estoicamente, anos e anos de campanhas e sacrifícios.

E se eram os combatentes que na linha da frente aguentavam os embates da guerrilha, eram as suas famílias que na retaguarda, suportaram os sacrifícios e a incerteza que as frentes de combate implicavam. Neste âmbito há que fazer uma menção especial às mulheres portuguesas.

Se é certo que aos expedicionários cabia sofrer as agruras da campanha, que não poucas vezes lhes causavam ferimentos ou a própria morte, foi a mulher portuguesa que desde a expedição a Ceuta, em 1415, aguentou a retaguarda, tratou da casa, criou os filhos e passou toda a sorte de infortúnios para que a gesta se cumprisse. É ela que verdadeiramente cria e justifica a palavra “saudade” e foram a suas lágrimas que salgaram o mar português.

Algumas se destacaram: mulheres, como Filipa de Vilhena e Mariana de Lencastre, que armaram, elas próprias, os filhos, cavaleiros e os incentivaram a defenderem a Pátria; as mulheres de Diu, que atrás das pedras da fortaleza, obraram prodígios, ajudando a aguentar dois terríveis cercos, tratando dos feridos, transportando armas e munições, municiando espingardas, etc.; como as mulheres de S. Aleixo da Restauração, que mesmo correndo o risco de ficarem sepultadas debaixo dos escombros da igreja, motivaram os homens a resistir.

Foram estes e outros exemplos que perduraram nas mulheres do terceiro quartel do seculo XX e que permitiram que as famílias se mantivessem coesas na defesa dessa família maior que é a Nação dos Portugueses!

Da mesma têmpera são as enfermeiras paraquedistas (oficiais e sargentos) que, a partir de 1961, numa iniciativa percursora e original, integraram a Força Aérea Portuguesa tendo prestado relevantes serviços à Pátria.

A homenagem que lhes foi feita neste último Dia de Portugal foi justíssima e só perdeu por tardia.


*****

“O peso das grilhetas do escravo é bem maior que o da mochila do soldado”
Eisenhower.
 
Esta questão do “tardia” leva-nos à última reflexão:
Porque é que 41 anos depois de as campanhas terem terminado e os centuriões regressado a casa, ainda existem tantas reticências nas homenagens que lhe são devidas?
A resposta sendo triste e dolorosa, é simples de dar. E eu tenho de a dar.
A Pátria não se tem mostrado agradecida porque está de mal com ela própria.
As forças políticas que saíram vitoriosas daquilo que era para ser um golpe de estado e virou revolução, sem lei nem roque, eivadas de ideias erradas e anti - nacionais, fizeram seu, o ideário político dos, até então, inimigos da nação portuguesa – fazendo crer que eram apenas inimigos do estado português – sanearam quem se lhes opunha e intimidaram a restante população.
Quem não concordava, não conseguiu, quis ou soube, fazer frente a tudo isto. Depois iniciaram um processo de lavagem ao cérebro onde participaram muitos desertores, traidores, repatriados e refugiados políticos, de modo a fazer crer que a acção dos portugueses tinha sido criminosa; que os combatentes andaram a defender o imperialismo, o fascismo, o colonialismo e outros “ismos”, que eles tinham metido na cabeça mas colados com cuspo, arrumando-os na prateleira da ignomínia histórica.
E decretaram, liminarmente e sem direito a contraditório, que a guerra que travámos era injusta!
O condicionalismo psicológico foi enorme e, de omnipresente nos “media”, no discurso político, na literatura e artes plásticas, passou para os livros da escola.
Um vento mau assolou o país e, porque não dizê-lo, uma onda de cobardia também o varreu.
Por isso, só muito lentamente a população tem estado a acordar das mentiras em que a enlearam e cujos efeitos morais e materiais estão hoje à vista de todos.
Lembrar e homenagear estes e outros combatentes no dia maior do calendário português, é um momento desta reacção. E é preciso gritar bem alto que os combatentes portugueses, de então, o merecem, que fizeram uma guerra justa, pois actuaram em legítima defesa e proporcionadamente e além de justa, limpa, com pouquíssimas quebras na ética militar; foram, generalizadamente, humanos e usufruindo de meios materiais pouco sofisticados. E podem justamente orgulhar-se de, para lá de legitimamente defenderem territórios e gentes herdadas dos seus antepassados e que eram incontestavelmente portugueses – nossos! – ajudaram ao desenvolvimento dos mesmos, o que ultrapassou tudo o que se fez nos quatro séculos anteriores.
Divisava-se, assim, a formação de uma sociedade multirracial e pluricontinental, que vivia em harmonia, única no mundo e que constituía e constitui um dos mais altos ideais da Humanidade. Era um Ideal digno dos nossos maiores de que, justamente devemos estar orgulhosos.
E o facto de não se ter conseguido fazê-lo perseverar, não invalida o que atrás se disse.
Caros leitores afirmar a verdade histórica e as boas intenções e repudiar a mentira e os mentirosos, é um imperativo de sempre; há que separar águas e voltar à matriz original portuguesa.
Os “ventos da História” não foram erradicados e podem voltar a soprar contra nós, de novo; não sei até, se o deixaram de fazer...Há que estar preparado e nunca, mas nunca, baixar as guardas! Lembro apenas que, presentemente nos querem esbulhar do nosso mar, da nossa ZEE.
O combate não acabou e creio que não irá acabar enquanto Portugal existir.
E o primeiro dever dos combatentes portugueses ainda vivos é, no ano 887 da sua existência como ser independente e soberano, não ter dúvidas sobre a continuação do seu devir colectivo!
É mister terminar.
E faço-o, curvando-me comovido e grato, perante a memória de todos os nossos combatentes já desaparecidos e cuja evocação devemos garantir enquanto perdurarmos.

Ten. Cor. Piloto Aviador (ref.)
Brandão Ferreira

Fonte: O Adamastor