sábado, 17 de fevereiro de 2018

REI D.CARLOS I

Foto de Associação dos Autarcas Monárquicos.
Como escreveu Raul Brandão: ’Se o deixam viver, tinha sido um dos maiores reis da sua dinastia.’ (I, 228). Segundo o mesmo autor, novamente sobre El-Rei Dom Carlos I de Portugal, ‘Se o rei tratava os políticos como lacaios, tratava a gente do povo com extrema bondade. Terá mesmo dito viver em um país de bananas governado por sacanas.’ Continuando a citar Raul Brandão,’ D. Carlos aponta a África a uma plêiade brilhante de oficiais, que ele próprio incita, compreendendo que o grande Portugal é outro, e que esta faixa de terreno, com um clima agrícola horrível, só pode ser vinha e um lugar de repouso e prazer. De lá, desse novo Brasil – dos extensos planaltos de Angola, que duas vezes por ano produzem trigo -, tem de nos vir o oiro e o pão. O resto é visão de pequenos estadistas de trazer por casa. Só ele fala (e sonha) num Portugal Maior, e num Portugal esplêndido.’ (I, p. 229).

Associação dos Autarcas Monárquicos

Quando for velho, quero ser gato

Quererá a maioria de esquerda dizer, ao reprovar as propostas de protecção dos idosos e ao aprovar o reforço do estatuto dos animais de estimação, que estes têm prioridade face aos nossos mais velhos?

O envelhecimento da população é um dos principais desafios e uma das maiores ameaças para os países europeus e Portugal está muito longe de representar uma excepção. De acordo com um estudo do INE de Julho de 2015, cerca de 20% da população portuguesa tem mais de 65 anos. Comparativamente com os restantes Estados-Membros da União Europeia, Portugal tem um dos índices de velhice mais elevados, bem como um dos maiores aumentos da idade mediana da sua população. Por oposição, tem o terceiro menor índice de renovação da população activa. A estes alarmantes dados estatísticos, acresce um ainda mais preocupante: de acordo com a APAV, entre 2013 e 2016 os crimes praticados contra idosos aumentaram em 30%, sendo que diariamente existem três idosos vítimas de maus tratos.
Desta forma, não só pelas suas especiais necessidades de cuidados e protecção mas também pela expressão da sua representatividade – cada vez maior – da população portuguesa, os idosos deveriam ser privilegiados nas prioridades do legislador, que está legal e moralmente obrigado a promover e assegurar a sua defesa.
Recentemente, foi proposto pelo CDS-PP um pacote legislativo para protecção dos idosos. Esse pacote legislativo era composto por três projectos de lei e uma recomendação ao Governo. Os projetos de lei proponham que os sucessores condenados por crimes praticados contra idosos fossem deserdados; que o regime do testamento vital – previsto para situações de doença – fosse alargado de forma a incluir o planeamento da velhice; um agravamento das penas de crimes como a injúria, difamação, burla ou violação da obrigação de alimentos, praticados contra idosos bem como criar um crime especifico de ofensa a pessoa idosa. A recomendação propunha ao governo a criação de uma rede de cuidadores que dê resposta integrada e transversal a pessoas em situação de risco ou de vulnerabilidade.
À semelhança do que havia já acontecido em 2016, os três projectos de lei voltaram a ser chumbados pela maioria de esquerda, com base num argumentário de que isso seria uma forma de sancionar as famílias mais pobres que não têm condições para cuidar dos seus familiares idosos.
Ora, basta observar o objecto sobre o qual versam os projectos de lei reprovados para perceber que este argumento não tem qualquer cabimento. De que forma uma família ter menos condições económicas legitima a prática de crimes como a injúria, a difamação, a burla ou a ofensa à integridade física contra um idoso? Existe algum fundamento para que quem for condenado pela prática destes crimes, por mais pobre que seja, não seja deserdado?
O chumbo deste pacote legislativo de protecção aos idosos revela a total desconsideração e despreocupação dos partidos de esquerda pelos mais idosos e as suas mais elementares necessidades de cuidados e protecção, deixando à sua sorte os membros mais vulneráveis da sociedade e consequentemente aqueles que de maior protecção do estado carecem.
É interessante observar que aqueles que conduziram à rejeição deste pacote legislativo com vista à protecção dos idosos são igualmente os defensores da legalização da eutanásia, claro está, com vista a promover a maior dignidade dos destinatários dessa morte antecipada. Quererá isto dizer que para os partidos de esquerda, possibilitar a morte antecipada a um idoso lhe confere maior dignidade do que o mesmo puder planear e escolher o tipo de serviços e cuidados que pretende que lhe sejam prestados na velhice, por via do seu testamento vital, ou reforçar a tutela jurídica dos idosos vítimas de maus tratos através do agravamento das penas relativas a crimes praticados contra os mesmos? Quererá isto dizer que para os partidos de esquerda a única forma de o estado tutelar e proteger a dignidade de uma pessoa em final de vida é antecipando a sua morte? Quererá isto dizer que para os partidos de esquerda a reposta para a vida destas pessoas é a morte?
Note-se ainda que no mesmo dia em que o referido pacote legislativo foi reprovado, os mesmos partidos e deputados que o reprovaram, deliberaram aprovar a entrada de animais de estimação em restaurantes. Animais estes, que em 2017 haviam já visto – e bem – ser consagrada legalmente uma proibição relativa a maus tratos e abandono. Dúvidas não existem de que os animais de estimação devem ser protegidos mas não será ainda mais importante e urgente reforçar a protecção da pessoa humana, em particular dos idosos?
A crescente tendência legislativa que tem vindo a ser observada de proteger os animais tem sido sentida no sentido inverso no que diz respeito à pessoa humana, que viu serem reprovadas leis relativas a maus tratos de idosos, aprovada a legalização do aborto e assiste, actualmente, a uma tentativa de legalização da eutanásia, deixando sempre a vida humana numa posição de maior vulnerabilidade.
Como disse Vânia Dias da Silva, uma das preponentes do referido pacote legislativo de protecção dos idosos, “esta maioria não é efectivamente para os mais velhos”.
Fonte: Observador

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Azores - Sao Miguel (4K / 2017)

"Escravatura", no programa Agora Nós

A Igreja no Império de Mao

Na China, está-se a tentar a substituição dos bispos clandestinos pelos da chamada igreja patriótica, o que está a causar uma profunda consternação nos católicos chineses.

Reza a história que a actual China era denominada, pelos seus habitantes, Zhong-guo, ou seja, o Império do Meio. O nome reflectia uma visão imperialista do mundo, centrado na própria China, que então estava rodeada de Estados tributários, submetidos ao imperador, o Filho dos Céus. A concepção monárquica deu lugar à actual estrutura republicana, mas a China continua a ser um império, embora eufemisticamente disfarçado de democracia popular. Depois da estrepitosa falência dos regimes comunistas europeus, sobretudo graças a São João Paulo II, a China manteve-se fiel ao marxismo, numa das suas mais mortíferas versões: o maoísmo. Não obstante a liberalização da sua economia, o regime político continua autoritário e contrário aos direitos humanos, como o massacre da praça de Tiananmen evidenciou.
Na China comunista, a Igreja católica é perseguida, principalmente os seus bispos e padres. Muitos, com efeito, estão detidos, ou impedidos de exercerem o seu ministério. Como já acontecera com a Revolução Francesa, as autoridades comunistas chinesas promoveram uma igreja católica cismática, que recebe o nome de patriótica, por oposição à verdadeira Igreja, que seria portanto antipatriótica. Escusado será dizer que só os bispos e padres da igreja patriótica têm liberdade de acção; a Igreja clandestina não goza de quaisquer direitos e os seus bispos e padres só podem exercer o seu sagrado ministério de forma oculta e com perigo da própria vida.
Com São João Paulo II e, sobretudo, Bento XVI, que escreveu uma carta a este propósito, têm sido muitos os esforços do Vaticano para estabelecer boas relações com a China, que se espera que venha a reconhecer a liberdade religiosa dos fiéis da única Igreja católica chinesa, dita clandestina. Com efeito, os bispos da igreja patriótica, ao não terem sido ordenados com mandato pontifício, embora tenham recebido o episcopado, estão automaticamente excomungados, também pela sua atitude cismática em relação a Roma. Bento XVI tentou que as nomeações dos bispos católicos na China fosse feita por acordo entre a Santa Sé e as autoridades chinesas, por forma a pôr termo à existência das duas hierarquias paralelas.
Já no actual pontificado, a diplomacia vaticana parece estar a tentar uma nova solução, mas pela via da substituição dos bispos clandestinos pelos da chamada igreja patriótica. Uma tal medida está a causar uma profunda consternação nos católicos chineses, nomeadamente o Cardeal Zen, bispo emérito de Hong-Kong que, por este motivo, foi expressamente a Roma, para protestar pelo que considera ser a venda, pelo Vaticano, da Igreja católica na China.
O Cardeal Zen, que é um símbolo vivo da resistência católica no seu país, conseguiu entregar uma carta ao Papa Francisco, a quem expôs a situação na China e denunciou as tentativas de substituição da Igreja clandestina pela patriótica. Pequim veria com bons olhos a existência de uma Igreja católica nacional totalmente dominada pelo regime, como até à data tem sido a igreja dita patriótica. O Papa Francisco, depois de ler a carta do cardeal Zen e de o receber, assegurou-lhe que deu instruções para evitar o que o bispo emérito de Hong-Kong denunciou. Também garantiu que segue de perto as diligências do Vaticano sobre este particular.
Contudo, outro parece ser o entendimento do Secretário de Estado da Santa Sé, que chefia a diplomacia vaticana. Numa recente entrevista, o Cardeal Pietro Parolin disse: “Se a alguém se lhe pede um sacrifício, pequeno ou grande, deve ter presente que isso não é um preço político, mas faz parte de uma perspectiva evangélica de um bem maior, o bem da Igreja de Cristo”. Como só a Igreja clandestina obedece a Roma, é óbvio que o sacrifício não pode ser outro que o da substituição da sua própria hierarquia pela patriótica, supostamente “para o bem da Igreja de Cristo”. Só assim se poderia chegar, como Parolin deseja, “a já não ter que falar de bispos ‘legítimos’ e ‘ilegítimos’, ‘clandestinos’ e ‘oficiais’ na Igreja chinesa, mas de um encontro entre irmãos, aprendendo de novo a linguagem da colaboração e da comunicação”.
Ora, como George Weigel recentemente escreveu, sempre que a diplomacia vaticana optou por colaborar com regimes totalitários, os resultados foram desastrosos. Com efeito, as concordatas com Mussolini e Hitler não impediram que o fascismo italiano e o nacional-socialismo alemão perseguissem a Igreja católica, que denunciou aqueles dois regimes por via das encíclicas Non abbiamo bisogno, de 1931, e Mit brennender Sorge, de 1937, ambas de Pio XI.
Também são preocupantes as declarações do chanceler da Pontifícia Academia das Ciências, o arcebispo argentino Marcelo Sánchez Sorondo que, no seu regresso de uma viagem a Pequim, declarou que “os chineses são, de momento, os que melhor põem em prática a Doutrina Social da Igreja”! A afirmação esquece que a China não só desrespeita os mais elementares direitos humanos – recorde-se, por exemplo, o recurso frequente à pena de morte, a sua política repressora da natalidade, a ausência de liberdade política, religiosa, etc. – como também é, na actualidade, um dos países em que os católicos são mais perseguidos.
Sánchez Sorondo permitiu-se até exaltar a ‘superioridade moral’ da China comunista. Segundo o chanceler da Academia das Ciências, Pequim “defende a dignidade da pessoa humana” (!!) e, mais do que outros países, está a levar à prática as recomendações da encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, “assumindo uma chefia moral que outros abandonaram”, numa clara alusão aos Estados Unidos da América!!!
Não sei se a China continua a ser o Império do Meio, mas certamente ainda é, infelizmente, o Império de Mao, que em português soa ao que verdadeiramente é. Nesta hora difícil para os heroicos católicos chineses, valha-lhes a oração dos seus irmãos na fé, a solidariedade dos verdadeiros democratas, a promessa do Papa Francisco ao Cardeal Zen e, sobretudo, a divina certeza de que nem o mal, nem o Mao, prevalecerão contra a Igreja de Cristo (Mt 16, 18).

Fonte: Observador

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

PORTUGUÊS DE MALACA FALOU À IMPRENSA SOBRE A CONTRIBUIÇÃO CULTURAL PORTUGUESA

Foto de Nova Portugalidade.

O nosso amigo José de Santa Maria, português de Malaca, falou à imprensa malaia sobre a valiosa contribuição dos portugueses para a cultura daquele país asiático. Portugal está naquela área da Ásia desde 1511 - e dela nunca saiu verdadeiramente. Os portugueses têm de meter na cabeça que o seu país não é o que parece. É maior e é global.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

BEM-VINDA, ANUNCIAÇÃO

Foto de Nova Portugalidade.

"Anunciação", de Álvaro Pires de Évora, também conhecido entre os italianos como "Álvaro Pietro di Portogallo". Maravilha da arte portuguesa de Quatrocentos, esta obra foi ontem adquirida pelo Estado português realizado em Nova Iorque. Está agora a caminho de Portugal.