sexta-feira, 18 de maio de 2018

O Rei do Açúcar

Foto de Nova Portugalidade.

Simão Gonçalves da Câmara, o Magnífico.

Neto do grande João Gonçalves Zarco, 3° Capitão-Donatário do Funchal, foi Simão Gonçalves da Câmara (Funchal, 1460 – Matosinhos, 1530) uma das referências do seu tempo e um nome imortal da gesta portuguesa.

Nascido na rica família que detinha a Capitania do Funchal, foi homem de riquezas incontáveis que usou no engrandecimento da sua terra e do seu país. 

Fidalgo culto e cavalheiresco, participou e financiou várias expedições que garantiram o poderio lusitano no Norte de África, nomeadamente em Safim, Azamor, Arzila, Castelo Real, Cabo de Gué, Mazagão, Ceuta e Tânger demonstrando sempre lealdade e coragem moral e física, inclusive quando, indisposto com uma inquirição do Rei D. Manuel I ao seu governo da Capitania, pretendeu exilar-se em Espanha: tendo conhecimento no caminho de que Arzila se encontrava sitiada, a ela rumou para ajudar na sua defesa, atirando para trás das costas o que considerava uma ofensa à sua honra, acto valoroso e patriótico que acabou reconhecido pelo Rei.

No seu tempo o Funchal foi elevado a cidade (1508) e a Diocese (1514), remontando a essa época a o início da construção da magnífica Sé que ainda serve a Ilha da Madeira.

Dono de uma magnífica fortuna que lhe advinha dos rendimentos madeirenses, especialmente os da cana sacarina que no seu tempo transformou o arquipélago Atlântico no grande fornecedor de açúcar do mercado europeu, ficou conhecido por “o Magnífico” pela liberalidade e sumptuosidade com que viveu.

Exemplo disso é a famosa representação enviada à Corte Papal em agradecimento pela bula com que Leão X elevou o Funchal a Diocese: para além da enorme e rica delegação, das muitas riquezas da Ilha enviadas, de um belo puro sangue árabe, mandou Simão, o Magnífico que fossem construídas estátuas em alfenim de todo o Colégio Cardinalício em tamanho natural, mostrando assim a riqueza e arte dos madeirenses no trabalho da pasta de açúcar, e impressionando decisivamente a Cúria, onde seu filho D. Manuel de Noronha serviria como secretário papal, apenas dela saindo para tomar posse como Bispo de Lamego.

Em 1528, querendo descansar dos seus trabalhos, renunciou ao governo da Capitania na pessoa do seu filho mais velho, retirando-se para Matosinhos onde veio a falecer em 1530.

Esta sua representação, encomendada como era costume madeirense na época nas melhores oficinas flamengas, terá sido feita – possivelmente - já pelo seu filho, João Gonçalves da Câmara. Conhecida por “Triptíco de Santiago Menor e de São Filipe”* (1527-1531), é atribuída a Pieter Coecke van Aelst, e apresenta no painel central os dois apóstolos, enquanto que nos laterais são representados Simão Gonçalves da Câmara e seus filhos (à esquerda) e D. Isabel Silva e suas filhas (à direita), imortalizado assim a memória do poderio e riqueza daquele a quem com toda a propriedade poderemos chamar "o Rei do Açúcar".

LRP 



Nova Portugalidade

DEUS - PÁTRIA - REI

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Arrogância mundialista e humildade da Portugalidade

Foto de Nova Portugalidade.


Não há códigos sociais e institucionais universais. Só quem desconhece ou despreza os códigos dos outros se pode surpreender com coisas destas. O Ocidente tem de reaprender a viver com as diferenças civilizacionais e não ousar ensinar os outros a macaquear fórmulas nossas, importantes para nós, mas que para outros não passam de ofensas. Certamente que na aldeia global dos propagandistas da pseudoformose exigida pelos mundialistas - com bombas e corpos expedicionários, se necessário - um aperto de mão, um afago na cabeça de uma criança, umas patorras em cima de uma mesa, um beijo, uma conversa sobre doenças ou dinheiro; tudo isso faz parte da civilização. Ora, para os outros que não são como nós, coisas dessas são tidas como exibição de grosseria. Durante muito tempo - demasiado tempo - não nos preocupamos e eles fingiam, calavam ou disfarçavam o mal-estar. Agora, isso acabou.

Ao longo dos anos em que vivi na Ásia, apercebi-me que os europeus (pomposamente chamados expatriados, pois recusam a palavra imigrante) ali faziam tudo, sem nunca se preocuparem em abrir um vulgar dos and dont's. No fundo, esses insignificantes sátrapas julgam que estar num país é conhecer um outro mundo: o inglês que leva como prenda uma garrafa de vinho ao casal marroquino amigo, o "expatriado" que no Irão exige que os seus convidados comam a chouriçada na brasa, o europeu que obriga o chinês a comer o coelho à caçadora, ou aquele outro - vi com os olhos que a terra há-de comer - que insistia em falar sobre as intimidades da família real aos tailandeses; tudo isso faz parte do reportório infindo de patetices que acaba por sair caro à nossa imagem de ocidentais. Já nem falo, claro, da imposição dos horários e dos regimes laborais, do dia de descanso, do tipo de regime político, da exigência de leis sobre o divórcio, da contracepção, das regras de urbanismo, dos modelos de ensino, da ideia de natureza, da maioridade legal, do "trabalho infantil", da "idade legal para o casamento", dos prémios de produtividade e dos 13.º e 14.º vencimentos, dos "rendimentos mínimos garantidos", das objecções de consciência... uma lista que nos ocuparia em fastidioso elencar de diktats.

Num desses debates descabelados que bem podiam ser substituídos por uma hora de música clássica, um dos vociferadores terminou o estendal canoro falando dos "países civilizados", referindo-se à Europa e aos EUA, contraponto de "países bárbaros" como o Irão, a Índia, a China e, porque não, à Rússia. Esquecia-se o bípede que o Irão carrega 4000 anos de civilização às costas, a China 5000 e a Índia para mais de 8000. 

Como foi diferente a construção da Portugalidade. O seu sucesso, plasmado neste sentimento de pertença ao mundo, mas profundamente vinculado a uma forma precisa de pensar e de agir, permitiu que esta civilização se fizesse com materiais diversos e que do Brasil a Goa, de Bombaim a Macau, homens e mulheres comuns, com percursos culturais e civilizacionais diferentes, construíssem algo de absolutamente novo que foi, e sê-lo-á cada vez mais no futuro, a solução mais inteligente e humana aos problemas do mundo. 

MCB


DEUS - PÁTRIA - REI

terça-feira, 15 de maio de 2018

sábado, 12 de maio de 2018

Estórias da História: 12 de Maio de 1490: Morre Santa Joana Princesa, fi...

Estórias da História: 12 de Maio de 1490: Morre Santa Joana Princesa, fi...: Santa D. Joana de Portugal,  (também chamada Santa Joana Princesa embora oficialmente apenas seja reconhecida pela Igreja Católica como ...

Vamos ganhar esta batalha: contra os difamadores, o Museu dos Descobrimentos, da Expansão e da Portugalidade

Foto de Nova Portugalidade.


Chamava em 1994 Vitorino Magalhães Godinho a atenção para “alguns historiadores e pensadores europeus que receiam ser acusados de advogados do imperialismo, e assim acentuam uma visão negra da expansão europeia. (...) Um movimento, por vezes virulento, que se empenhou em demolir o conceito de Grandes Descobrimentos - da abertura do globo graças às navegações de Portugueses e Castelhanos". 

Praia, vinho e sardinhas à parte, os turistas só vêm a Portugal porque aqui se situou em tempos a cabeça de um império que mudou o destino do mundo. Tudo ou quase tudo nesta terra lembra o mundo que os portugueses descobriram (Descobrimentos) e dominaram (Expansão). Tudo o mais são vergonhas, complexos e pequenezes indignas do nosso passado e do presente dos Estados nascidos da nossa Expansão. Chega de auto-mutilação e da tirania dos desconstrutores. Comboio fantasma, sala de horrores e parque temático da anti-Expansão, não!

O importante, sendo um museu português, é que dê expressão ao amor familiar e ao orgulho desta comunidade, ou seja, um percurso que eleve e robusteça o patriotismo encarado como seiva da cidadania. Não, não podemos aceitar uma Disney anti-portuguesa. Nós não o faremos, e vamos dar luta rija e teimosa até que Lisboa tenha o seu Museu dos Descobrimentos, da Expansão e da Portugalidade. 

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Nova Portugalidade

DEUS - PÁTRIA - REI