sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Os portugueses na China: Antes de Macau

Foto de Nova Portugalidade.


A chegada dos portugueses ao Mar da China provocou natural inquietação entre os chineses, confrontados com estes novos intrusos na ordem internacional sinocêntrica conformadora das relações entre actores. Ao sistema internacional existente no Extremo-Oriente antes do advento da ordem internacional contemporânea, convencionou-se chamar sistema tributário. Tendo por vértice o Império do Meio, ao qual oito politéias circunvizinhas prestavam tributo – Coreia, arquipélago Ruy Kyu, Tonquim-Aname, depois Vietname; Sião, Birmânia, Principados Laos, arquipélago Sulu, Nepal, Butão e Turfan - para além de quatro reinos vassalos situados na orla periférica, ou seja, pacificados e em fase de sinização (Manchúria, Mongólia, Turquestão chinês e Tibete), decompunha-se do topo à base numa rede precisa e vertical, sem possibilidade de replicação, pois cada relação era única ligando os actores em obrigações e direitos específicos. Marcada pela concepção confuciana da ordem cósmica onde cada actor sabia o seu lugar no mundo, aceitava os seus deveres e responsabilidades e reconhecia superiores e inferiores. O sistema obedecia a uma cultura diplomática muito codificada. O sistema tributário partia de um princípio estabilizador – a superioridade da China – e ganhava consistência no plano das relações reais entre os actores. Alguns, iguais em potencial, aceitavam tacitamente a desigualdade conceptual do sistema e norteavam as relações com grande realismo, não deixando de cultivar o equívoco como estabilizador de boas relações com as autoridades chinesas. Ao contrário do sistema internacional europeu, das suas práticas e cultura, o sistema tributário reduzia à mínima expressão os contactos entre actores, desconhecendo práticas de negociação feitas de cedências e busca de consenso, convertendo o ritual em matéria de facto das relações. Decorria desta concepção a inexistência de órgãos governativos com atribuições exclusivas para o exercício exclusivo da política externa, assim como a inexistência de tratados escritos.

Não deixa, pois, de estranhar que os primeiros contactos entre portugueses e chineses colocassem em relevo a estranheza mútua, alguma suspeição, muitos atritos protocolares, susceptibilidades ofendidas e, mesmo, violência. Para os chineses, o assentamento de comerciantes bárbaros barbudos nas suas costas, não diferia da indignação provocada pela infestação de piratas, bandidos e outros malfeitores, gente insubmissa, desrespeitadora das leis, “corruptora de usos e costumes chineses”(3). Para a turbulência dos primeiros contactos terão sido determinantes a desobediência – ou pelo menos a informalidade – com que os mercadores portugueses de Malaca iniciaram o trato comercial com a China (1513), a erecção de um fortim na desembocadura do Rio das Pérolas (1517), o envio por D. Manuel I de uma carta tida por irreverente na fórmula de tratamento devida ao imperador Zhèngdé e até as cortesias europeias desconhecidas entre os chineses, nomeadamente a de salvar com pólvora seca à vista de um porto amigo. Em 1522, pese advertências feitas para que não regressassem a Cantão, a pequena frota do trato sob comando de Martim Afonso de Melo foi atacada por juncos chineses, evadindo-se a custo e regressando a Malaca. Tendo fracassado o intuito de estabelecer uma feitoria nas proximidades de Cantão, a actividade portuguesa revelou-se mais a norte, em Liampó e Chinchéu, na costa de Zhejiang, ali desenvolvendo atividade comercial sem autorização das autoridades locais, comércio clandestino florescente objeto de frequentes queixas. Em finais da década de 1540, uma vasta operação policial, fantasiada e empolada, é certo, por Fernão Mendes Pinto, mas acção repressiva que não deixou de ser minuciosamente reportada pelo governador Zhu Wan ao poder central, eliminou esse foco de perturbação da vida da província. Anos volvidos, já afeiçoados aos modos asiáticos, sempre cultivando o paradoxo, usando da diplomacia formal como da informal, os portugueses de novo se estabeleceram na foz do Rio das Pérolas. Do pano das tendas, o bandel transformou-se em madeira dos armazéns e, logo, na pedra dos edifícios desafiantes Os Folangji, agora intermediários entre a China e o mundo exterior, ora gozando da indulgência da ordem legal pluralista que a nova dinastia Qin iria promover na sua fase inicial, ora submetendo-se a ásperos tratos pelos mandarins locais, fariam de Macau a única cidade de feição europeia em terra firme chinesa.

Miguel Castelo-Branco




Cuidado com as fraudes chinesas

Foto de Nova Portugalidade.


Não possuo bagagem erudita em questões de história naval que me permita esgrimir argumentos sobre uma oportuna polémica a respeito da tese da prioridade chinesa no movimento dos descobrimentos pré-colombinos e pré-gâmicos. Contudo, um interesse mínimo pela questão levou-me a adquirir alguma bibliografia ultimamente surgida, a qual permite desmontar o atrevimento deGavin Menzies, o tal autor pago regiamente por Pequim para produzir obras sobre o carácter pioneiro dos "descobrimenos chineses". Menzies é ex-oficial da armada britânica, um diletante não reconhecido por qualquer entidade, pelo que todo o trabalho que tem elaborado repercute improviso, ausência de curriculum e desconhecimento de bibliografia básica.

Escavando nos arquivos imperiais de Pequim, Menzies foi confrontado com um mapa mundo supostamente cartografado no primeiro quartel do século XV pelo eunumo sino-muçulmano Zheng He, no decurso das supostas viagens transoceânicas que o teriam levado à costa ocidental da América, à África Oriental e à Austrália. De facto, a peça cartográfica é uma cópia executada em 1763 por Mo Yi Tong a partir da matriz do século XV, mas acrescentada por todas as contribuições portuguesas, castelhanas e britânicas. A tese, copiosamente regada de imprecisões cronológicas e abusos interpretativos, apenas me sugere uma explicação: a China tem ambições mundiais e quer, pagando a improvisados historiadores, secundarizar a prioridade europeia no processo de mundialização. Lembra-me as teorias sem pés nem cabeça do "arianismo" do século XIX - vigorosamente repelida pela arqueologia - , do Homem de Piltdown, do russismo durante a vigência da URSS (atribuía-se a um tal Popov o descobrimento de tudo) ou, mais recentemente, da genética islâmica por detrás de tudo e mais alguma coisa. 

MCB

Delírios nórdicos

Foto de Nova Portugalidade.


Tal como os chineses há anos pagaram somas astronómicas a historiadores sem escrúpulos, pretendendo fazer crer que Zheng He chegara à América antes de Colombo e ao Cabo antes de Bartolomeu Dias - convidando-se imerecidamente para a mesa dos propulsores da primeira globalização - parece ter chegado a hora de os nórdicos se pretenderem sentar à mesa dos fundadores de civilizações, comparando-se aos gregos, aos romanos, aos espanhóis e as portugueses.

Anda por aí uma vaga torrencial de livrinhos e documentários onde se espalha a ideia de a Europa dever aos vikings a sua construção. É evidente que esses hirsutos e malcheirosos selvagens saídos das cubatas das brumas nórdicas para pilhar, queimar e matar não foram só rapinadores. Coube-lhes abrir o comércio que ao longo do curso do Volga uniu economicamente Bizâncio e o Islão abássida à Europa oriental e do norte, como lhes coube papel assinalável na edificação do Rus. Contudo, as razias, as destruições e a quase erradicação da cultura que provocaram na Irlanda, nas costas de Inglaterra e da França foram tão desastrosos que só dificilmente os poderíamos aceitar como iguais. Só falta aparecer algum historiador a gabar os méritos dos Hunos na construção da civilização. Sejamos claros: a cultura vinking estaria para o século VIII como os piratas somalis para os nosso tempo. Tudo o mais são delírios.

MCB

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

51º ANIVERSÁRIO DE S.A.R., A SENHORA DONA ISABEL DE BRAGANÇA


Neste dia abençoado por Deus, desejamos a Vossa Majestade longa Vida, Saúde, Paz, Amor e Alegria junto da Vossa Real Família, Bem-Amada por todos nós.

Que Deus A Guarde e lhe dê toda a força para vencer.

Feliz Aniversário.


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VIVA A NOSSA RAINHA!

VIVA A FAMÍLIA REAL!

VIVA PORTUGAL!