terça-feira, 22 de maio de 2018

Fundação de Versalhes paga na totalidade o restauro do manto da rainha D. Amélia



A Fundação de Versalhes vai pagar a totalidade do restauro do manto da 
rainha D. Amélia, exposto no antigo edifício do Museu Nacional dos Coches, 
em Lisboa, revelou fonte desta entidade à agência Lusa.

O donativo no valor de seis mil euros desta fundação com sede em Nova 
Iorque foi feito no âmbito de uma campanha pública de angariação de fundos 
para o restauro do manto, lançada no início deste ano.

Isabel Raposo de Magalhães, membro da direcção do Grupo de Amigos do 
Museu Nacional dos Coches (GAMNAC), explicou à Lusa que o afilhado da 
rainha D. Amélia, D. Duarte Pio de Bragança, "empenhou-se pessoalmente na campanha de mecenato promovida em prol do restauro do manto da rainha", 
tendo conseguido o apoio da Fundação de Versalhes, presidida por Barbara de Portago.

De acordo com a directora do Museu Nacional dos Coches, Silvana Bessone, 
existe a intenção de requalificar uma sala do Picadeiro Real para expor o manto, depois de restaurado, bem como outras peças. O objectivo é criar um núcleo 
dedicado à rainha D. Amélia, a quem se deve a preservação da colecção e a 
criação do actual Museu Nacional dos Coches.

Por outro lado, a direção do GAMNAC pretende destinar a totalidade do 
dinheiro entretanto angariado na campanha, de muitos doadores anónimos, 
para o restauro do quadro a óleo da rainha, pintado por Vittorio Matteo 
Corcos, em 1905, que se encontra na escadaria do museu.

A campanha tinha sido lançada porque o manto - classificado como bem de 
interesse nacional - se encontra "muito degradado", segundo fonte da entidade. 
Esta peça de vestuário foi oferecido pela cidade de Paris à rainha D. Amélia, por ocasião do seu casamento com o príncipe D. Carlos, futuro rei, em 1886.

O GAMNAC existe desde 2015 mas nunca teve actividade nem associados. 
Isabel Raposo de Magalhães, que é funcionária do museu e esteve muitos 
anos ligada à área da conservação e restauro, decidiu reactivá-lo, contando 
agora com 150 associados. Esta campanha é a primeira iniciativa do Grupo de Amigos.

O manto será restaurado na oficina de conservação do Museu dos Coches, com supervisão do Instituto José de Figueiredo, por se tratar de uma peça 
classificada. Sobre o valor necessário, Isabel Raposo de Magalhães explicou 
que "os materiais envolvidos são caros, e qualquer intervenção em têxteis é 
muito demorada, além de que o manto é de grandes dimensões".

De corte em veludo rosa prateado, o manto é forrado de cetim da mesma cor e constituído por nove tiras de veludo unidas entre si longitudinalmente, de 
modo a formarem pequenas abas na extremidade superior e um leve estrangulamento a meia altura. Um delicado bordado contorna a peça, 
desenhando uma cercadura onde pontuam rosas, folhagem diversa e fino 
reticulado a ponto de fundo, segundo a descrição da peça no inventário do 
museu.


Fonte: Público

sábado, 19 de maio de 2018

Morre da cidade do Porto o 51º Grão-Mestre da Ordem do Templo



ORDO SUPREMUS MILITARIS TEMPLI HIEROSOLYMITANI - OSMTH
Magnum Magisterium
Nota de Falecimento e Esclarecimento
Cidade do Porto, 18 de maio de 2018.
Estimados Freis e Freiras em Cristo, pertencentes à OSMTH-Porto - Portugal e de todo o mundo coube a mim como Príncipe Regente (Vice Gran-Maestro) em exercício, atendendo à vontade soberana do Grão-Mestre Dom Fernando Campello Pereira Pinto de Sousa Fontes informar-lhes sobre o seu falecimento ocorrido hoje dia 18 de maio de 2018, às 10:00 horas depois de longo período de tratamento e internações hospitalares.
Seu corpo está sendo velado na Igreja da Lapa, na cidade do Porto, Portugal.
Durante mais de cem dias acompanhei diariamente o estado de saúde do Grão-Mestre e em todos os momentos, com raras exceções, ele demonstrava sua preocupação com os destinos da Ordem.
Solicitou-me o Grão-Mestre que lhe prometesse que faria cumprir a sua soberana vontade após o seu falecimento, o que faço através deste primeiro comunicado oficial e nota de esclarecimentos:
- Disse-me ele que havia solicitado à uma pessoa de sua inteira confiança que guardasse consigo um envelope lacrado e devidamente selado no qual ele fazia a nomeação do próximo Grão-Mestre e outros membros para regerem a Ordem após o seu falecimento;
- Que convocasse a realização de um “Convenção Geral” em um prazo não superior a cem dias após o seu falecimento para a abertura do envelope que me será entregue pela pessoa de sua confiança na hora oportuna, segundo ele;
- Lembrou-me o Grão-Mestre que fazia isso por gozar de “todas as honras, atribuições, prerrogativas e privilégios vinculados a sua soberania e que suas decisões são definitivas e inapeláveis”. Disse ainda que, por esta razão, ficava revogada toda e qualquer norma que possa ter existido e que possa vir a ser contrária à sua soberana vontade”, conforme atestado pela testemunha que presenciou tal declaração que me outorgava esta incumbência;
- Diante deste relato informo que no dia 18 de agosto, do corrente ano, às 18:00 horas, estaremos realizando um Convenção Geral de corpo presente na Igreja da Lapa, cidade do Porto, Portugal, onde estaremos homenageando o Grão-Mestre Dom Fernando e também abrindo o envelope deixado por ele o qual aguardamos que nos seja entregue, conforme informado pelo Grão-Mestre, anunciando, assim, o nome do novo Grão-Mestre e demais nomeados por Dom Fernando como sua última vontade;
- Desta feita, convidamos a todos os Mestres Templários, Grão Priores, Priores, Grão Oficiais, Oficiais e membros da Ordem para estarem presentes a este ato e prestarem suas homenagens a Dom Fernando. Esta data foi escolhida porque sabemos que não existe coincidência visto que o Grão-Mestre Jacques Bernard De Molay e o Grão-Mestre Dom Fernando Campello Pereira Pinto de Sousa Fontes morreram em um dia 18. O primeiro em março de 1314 e o segundo em maio de 2018, este quando a Ordem do Templo completa 900 anos de existência. Também escolhemos esta data porque no dia 20 de agosto é comemorado o dia de São Bernardo de Claraval autor da Regras da Ordem do Templo.
Trazemos para vossas reflexões as palavras do Grão-Mestre Jacques Bernard De Molay proferidas em 1307, na reunião que participou em Chipre com os altos escalões da Ordem para anunciar o que estava prestes a acontecer naquele mesmo ano.
Disse o Grão-Mestre: Nós somos os guardiões da verdade Cristã. Nós sabemos quem foi o verdadeiro Jesus e o que Ele, na verdade, desejou. Desejou uma verdadeira fraternidade da qual todas as pessoas pudessem fazer parte, uma fraternidade onde a única religião fosse a consciência do bom e do belo que existe em cada espírito humano... O reino de Deus é o reino da verdadeira Justiça. É o reino da tolerância. É o reino da Fraternidade. Esse é reino pelo qual devemos lutar. O reino que merece o nosso sangue...”
Contamos com a presença de todos!
Recebam o meu Fraternal e Tríplice Abraço Templário
NON NOBIS DOMINE  NON  NOBIS   SED  NOMINI  TUO  DA  GLORIAM  
Maria Suzana Sendim Figueiredo Pinto de Fontes
Príncipe Regente, em Exercício

E D. Duarte, estaria preparado para ter uma nora de Hollywood? “Absolutamente, não”


A Rua dos Duques de Bragança, em Lisboa, deve o seu nome ao palácio da família aristocrata portuguesa, a mesma de que descende D. Duarte. Sem palácio, mas com uma casa num terceiro andar na dita rua, o duque, com 73 anos, recebe as visitas com o mínimo de cerimónia. “Vou pedir pizzas”, exclama. Dito e feito: meia hora depois, estavam três em cima da mesa, bem como pratos, talheres (à vontade não é à vontadinha) e um sortido de bebidas: uma coca-cola, uma cerveja artesanal e três sidras, duas delas de frutos vermelhos.
O casamento do princípe Harry e de Meghan Markle é já no sábado — D. Duarte, herdeiro da coroa portuguesa e um dos vários monarcas europeus não reinantes, tem as suas maiores afinidades distribuídas por outros reinos que não o de sua majestade, Isabel II. É onde estão os “primos”, como diz. Holanda, Luxemburgo, Bélgica, Áustria, Baviera e por aí em diante, só para termos uma amostra de como estas árvores genealógicas são complexas e cheias de nós cegos.
Há 23 anos, foi o próprio casamento do duque que deu que falar. Três mil convidados, uma igreja monumental, a dos Jerónimos, preceitos protocolares até mais não, e uma multidão de gente à porta com direito a acepipes e ecrãs. Até convites falsos houve, uma verdadeira festa. Este fim de semana, D. Duarte e D. Isabel não vão a Windsor.
D. Duarte tem três filhos: Afonso, o mais velho, tem 22 anos, Maria Francisca já tem 21 e o mais novo, Dinis, tem 18. Não será completamente despropositado antecipar o próximo casamento real português. Por cá, a febre com a realeza pode não ser nem metade da dos ingleses, mas é preciso admitir que de um conto de fadas (ou de príncipes e princesas) todos precisamos de vez em quando.
Como é que anda a sua relação com a família real britânica?
Tenho uma relação próxima com o príncipe Eduardo e com o príncipe Carlos. Eu e o Príncipe Eduardo trabalhamos juntos num programa internacional chamado Prémio Duque de Edimburgo, que em Portugal se chama Prémio Infante D. Henrique, do qual sou o presidente honorário. Com o Príncipe Carlos tenho-me encontrado em várias ocasiões e tido conversas muito interessantes, nos aniversários dele, etc… Gostei muito da Camila, pareceu-me uma mulher interessantíssima, inteligente e muito culta. Tivemos uma conversa muito interessante.
Quando é que esteve, pela última vez, num evento oficial da família real?
Em primeiro lugar, costumo estar nas reuniões do grupo de apoio ao Prémio Duque de Edimburgo. Convidam-me duas vezes por ano para encontros muito interessantes que acontecem no Palácio de St. James, em Londres, ou em vários outros palácios históricos. São pessoas que dão uma contribuição para o prémio. Neste caso, um senhor do Porto, muito simpático, pagou a minha contribuição vitalícia. Depois, há aniversários e casamentos de outras famílias, dos meus primos. A minha bisavó materna foi a princesa Isabel, filha de D. Pedro II do Brasil, uma senhora interessantíssima, mas esse lado da família não é assim tão numeroso. O meu bisavô paterno foi o rei D. Miguel e descendem dele os reis da Bélgica, os grã-duques do Luxemburgo, os príncipes do Liechtenstein e mais uma dúzia de famílias reais europeias. É curioso porque se criou uma rede de solidariedade familiar muito forte, as pessoas gostam muito de se encontrar e de conviver.
Foi convidado para o casamento do príncipe Harry?
Não.
Mas estava à espera de ser?
Não. Pessoalmente, não conheço a lista de convidados, mas imagino que seja muito mais pessoal do que política. No casamento do príncipe herdeiro, a lista foi sobretudo política, com governantes, Commonwealth, casas reais reinantes e com os amigos pessoais. Neste, julgo que será muito mais à base de relações pessoais. Não estou a ver a família a convidar figuras políticas, provavelmente porque a rainha achou que o casamento devia ser mais familiar.
Isso por ser o casamento do número seis na linha de sucessão, certo?
Sim, não tem peso nenhum. Tem um peso mediático muito simbólico pelo facto da rapariga ser de origem africana, mista. Isso tem um impacto muito grande em todas as comunidades que não são de ascendência europeia. Imagino que estejam muito contentes com isso. Os ingleses têm tido a habilidade de aproveitar circunstâncias que, à primeira vista, saem fora do comum e de lhes dar uma mensagem política inteligente.
Nesse sentido, acha que a família real faz um balanço positivo deste casamento?
Creio que sim. Quer dizer, conversando em particular com ingleses, percebe-se que há muitos, obviamente, muito chocados. Aliás, nesse aspeto, os ingleses nunca foram conhecidos pela sua tolerância. Tudo o que não seja inglês… Mesmo que fosse uma rapariga escocesa já iam discutir, quanto mais uma americana, meio africana. Acho eu. Lembro-me de uma história de um amigo cujo filho ia casar com uma escocesa. E ele dizia: “Esta coisa de o meu filho ir casar com uma mestiça”. “Mestiça?” “Sim, com uma escocesa”. E isto só porque não era bem inglesa.
Portanto, se não fosse Meghan Markle, este casamento passaria mais despercebido.
Estes casamentos são um ótimo negócio para Inglaterra, não é? Vão imensos turistas, vendem-se imensas lembranças, fazem-se selos de correio. Mas acho que estão a fazer um esforço para não dar a impressão de que, por ser com esta, o casamento é menos solene, para não parecer que há menos entusiasmo. Ou então, foi o governo a dizer que convinha aproveitar o momento para distrair as pessoas do Brexit. Para as relações com os Estados Unidos, por exemplo, o casamento é certamente muito bom. A grande preocupação do Estados Unidos é que não haja qualquer tipo de discriminação e isto mostra uma modernidade da Inglaterra, por aceitar bem um casamento destes. Podia ser mais chocante, mas até está dentro de uns certos limites, apesar de tudo.
Mas hoje as pessoas já olham para as famílias reais de forma diferente. Acha que a casa real britânica tem contribuído para esta mudança de perspectiva?
Há uma caricatura muito engraçada de uma artista inglesa em que se vê o príncipe Philip desmaiado no chão e a rainha a dizer: “Philip, querido, ela é Markle, não é Merkel”. Acredito que deve ser bastante chocante para a rainha e para o príncipe Philip que o neto case com uma rapariga divorciada e já com uma história de vida complicada. Mas aceita-se. Porquê? Porque faz parte da cultura da nossa época. E o que acontece é que, em todas as alturas, as famílias reais se adaptaram sempre aos valores culturais da sua época, tentando moderá-los, tentando dar exemplos de outro tipo de comportamento mais clássico. Mas acabam por se adaptar e isso é uma constante histórica. Na Idade Média, os reis participavam nas batalhas, porque tinham de ser guerreiros. Na Renascença, preocupavam-se muito com a cultura, com o progresso e com a ciência, eram os valores da época. Hoje em dia, qual é o valor aparentemente mais fundamental? É a democracia. Então as famílias reais fazem casamentos muito democráticos. Também aconteceu na Suécia e na Noruega. A própria rainha de Espanha é um exemplo. Até agora, a força e o prestígio da instituição monárquica tem sabido ultrapassar problemas que surgiram, às vezes por falta de preparação das rainhas e dos príncipes que casam com elas. Já o marido da rainha da Holanda, o príncipe Bernardo, teve um problema muito complicado porque recebeu dinheiro de uma indústria americana para favorecer a compra de uns aviões. A reação dos holandeses foi: “Coitada da rainha que tem de aturar a estupidez deste marido”.
Considera então que a monarquia britânica soube lidar com essas transformações.
Há um filme chamado “A Rainha” que retrata isso muito bem. O facto de a população dos países onde há monarquias vibrar imenso e sentir-se muito próxima dos problemas das famílias reais mostra exatamente a importância da instituição. Ninguém  fica muito preocupado se a filha do Presidente da República se divorcia, por exemplo. No entanto, existe uma ligação afetiva que dá uma face humana ao Estado e que nos leva a considerar o Estado não só como aquela máquina dos políticos e dos cobradores de impostos, mas com qualquer coisa de humano. Os presidentes inteligentes e competentes, como o nosso actual ou como foi o general Ramalho Eanes, sabem interpretar isso e sabem perceber que o que o povo quer de um presidente é que ele tenha o comportamento de um rei.
Voltando à comparação com o divórcio da filha de um presidente, porque é que há menos tolerância? É porque a monarquia está intrinsecamente associada a determinados valores e a república não?
Por um lado sim, é isso. Por outro lado, porque é uma ligação familiar. Os povos conhecem os seus reis desde sempre. São muitas gerações, em geral. Qual é o inconveniente principal das monarquias? É exatamente essa ligação afetiva muito forte que, quando as coisas correrem mal, causa também perturbação e infelicidade às populações. Houve, recentemente, o caso de uma monarquia em que as coisas correram muito mal, o Nepal. Aparentemente, tinha havido ali um assassinato dentro da família real, foi um drama enorme e o país acabou por cair nas mãos dos maoistas. São casos extremamente raros. O Japão tem uma monarquia de 2000 anos, com a mesma dinastia, e nunca teve um drama com a família real. Pelo menos, que se saiba. Deve ter havido mas foram abafados. Quando as coisas correm mal, como foi o caso da princesa Diana, há um drama nacional. Nós temos dramas parecidos, mas com o futebol.
Mas, para alguém que tinha entrado em cena há relativamente pouco tempo, a princesa Diana teve um grande impacto, interferindo mesmo na relação dos britânicos com a Rainha. Na história das monarquias europeias, há um pré e um pós princesa Diana?
Depois desse drama, houve uma sondagem em que se perguntou ao povo inglês se, caso a Inglaterra se tornasse numa república, quem é que seria o candidato mais provável. O segundo foi o Richard Branson e o número um foi o príncipe Carlos. De facto, a popularidade do príncipe Carlos não teve nada a ver com aquilo que veio nos jornais. Os jornais estiveram muito hostis contra ele, mas na verdade fabricaram muito o drama. Eram dominados por grupos económicos e o que aconteceu foi que a alta finança inglesa estava muito incomodada com as posições que o príncipe Carlos estava a assumir em defesa dos mineiros, da arquitetura rural e da justiça e fizeram aquela campanha toda para desestabilizá-lo. Ele também se prestou, obviamente. Hoje, toda a imprensa quer que ele abdique e seja o filho, mas acho que isso não vai acontecer.
Esteve no casamento de William, em 2011?
Não. Casamentos de famílias reais fui ao da Holanda, Luxemburgo, Bélgica, Marrocos, Jordânia e de outras famílias reais não reinantes na Europa, da Áustria, Baviera. É onde estão os nossos primos, os familiares mais chegados. Ah, e da Dinamarca, sou muito amigo da família real dinamarquesa.
Imagina, nestes momentos, como será quando um dos seus filhos casar?
Atenção dos media vai haver, de certeza. Impõe-se também saber se o casamento é em Portugal ou no estrangeiro, porque, normalmente, os casamentos são a convite da família da noiva. O importante para eles é que seja um casamento equilibrado, com pessoas do mesmo meio cultural e, sobretudo, que haja uma identidade espiritual, fundamental para um casamento ser feliz. Os outros aspectos são menos importantes. Quando o marido ou a mulher têm vergonha de coisas que o outro faz, porque acha que é ridículo ou que é possidónio, ou que dá mau aspecto, já é um problema cultural. Pelo que tenho visto a nível internacional, quando o nível cultural é semelhante, a raça tem muito pouca importância. Vejo casamentos muito felizes de europeus com africanos ou asiáticos, porque conseguiram ter uma identidade e valores espirituais semelhantes, mesmo com religiões diferentes. Aliás, acho que hoje em dia o racismo tem muito pouco a ver com a raça propriamente dita, tem a ver com a cultura. Lembro-me, por exemplo, do tempo português em Angola. Havia casamentos mistos que funcionavam lindamente bem porque, precisamente, eram pessoas que tinham o mesmo nível cultural, fosse ele popular ou erudito.
É essa a expectativa que deposita nos seus filhos, que escolham alguém do mesmo nível cultural?
Exactamente.
Tendo em mente a possibilidade de não casarem com aristocratas.
Pois, exactamente. O importante é que os maridos e as mulheres dos meus filhos percebam que, ao entrarem na nossa família, assumem obrigações e que não podem fazer o mesmo que fariam se estivessem noutra família qualquer. Têm que ter uma certa responsabilidade para com o país. Se estivessem noutra família qualquer, a prioridade era somente ter sucesso na vida, sem se preocuparem muito com outras causas. No nosso caso, espero que mantenham esse sentido de responsabilidade para com Portugal e para com o futuro do país.
E está preparado para a possibilidade de ser uma atriz ou um ator de Hollywood?
Absolutamente, não. Deve ser muito problemático ver a mulher ou o marido na cama com outro, deve ser muito complicado. E deve ser quase como estar casado com um piloto de linha aérea, sempre fora de casa.
Quem é que acha que vai casar primeiro?Não faço ideia, só espero que não sigam o exemplo do pai.
Imagina os portugueses a acompanharem esse momento, tal como agora vemos no Reino Unido?
Bem, o nosso casamento teve mais sucesso do que alguns casamentos reais europeus. Todas as pessoas que convidei vieram, o que foi um problema. Contava que muitos não viessem, pela distância geográfica ou por opções políticas, e acabei por ter 40 presidentes de câmara e metade eram do Partido Comunista, não estava à espera que viessem assim tão entusiasticamente. Depois, também vieram convidados de países longínquos, da Nova Guiné, da Austrália, de África. Tivemos de fazer uma receção no claustro dos Jerónimos, depois da missa. Na parte de fora, havia imensa gente a ver. Com a ajuda de amigos, organizou-se uma festa de rua com comidas, bebidas e música. Tínhamos ecrãs grandes lá fora. Não digo que vá ser um casamento tão espetacular como o nosso… Não faço ideia, tudo depende da situação. Se os portugueses estiverem em crise, então a festa vai ser muito grande. Se estiverem todos muito bem, de barriga cheia, então talvez seja um pouco mais discreta.
Mas acha que a mobilização será a mesma?
Creio que sim. Também depende do orçamento, não é? Não vou convidar tanta gente. No nosso estiveram 3000 e depois houve os que não tinham sido convidados. Falsificaram convites. Houve situações muito cómicas. Pessoas que eram conhecidas dos jornais e que os seguranças, por isso, deixaram passar, mas que não tinham sido convidadas, receberam convites falsos. Houve quem tivesse falsificado convites e mandado para algumas personalidades conhecidas, entre as quais a Lili Caneças. Eu não conhecia a senhora, não tinha razão nenhuma para convidá-la. Na altura, vieram perguntar-me o que fazer e eu deixei entrar. O Mário Soares foi o último a entrar, ainda o recebi. Quando cheguei, estava com o meu irmão Miguel. Vínhamos num carro descapotável e com uma escolta voluntária dos alunos do Colégio Militar. Na altura, havia uma campanha para o uso do cinto de segurança e perguntaram se podiam usar uma imagem para essa promoção. Dissemos que sim, claro. Mal entrámos no carro, pusemos o cinto. No final, as pessoas ficaram muito ofendidas porque acharam que tínhamos vendido as imagens.
Fonte: Observador
Publicada por 

sexta-feira, 18 de maio de 2018

O Rei do Açúcar

Foto de Nova Portugalidade.

Simão Gonçalves da Câmara, o Magnífico.

Neto do grande João Gonçalves Zarco, 3° Capitão-Donatário do Funchal, foi Simão Gonçalves da Câmara (Funchal, 1460 – Matosinhos, 1530) uma das referências do seu tempo e um nome imortal da gesta portuguesa.

Nascido na rica família que detinha a Capitania do Funchal, foi homem de riquezas incontáveis que usou no engrandecimento da sua terra e do seu país. 

Fidalgo culto e cavalheiresco, participou e financiou várias expedições que garantiram o poderio lusitano no Norte de África, nomeadamente em Safim, Azamor, Arzila, Castelo Real, Cabo de Gué, Mazagão, Ceuta e Tânger demonstrando sempre lealdade e coragem moral e física, inclusive quando, indisposto com uma inquirição do Rei D. Manuel I ao seu governo da Capitania, pretendeu exilar-se em Espanha: tendo conhecimento no caminho de que Arzila se encontrava sitiada, a ela rumou para ajudar na sua defesa, atirando para trás das costas o que considerava uma ofensa à sua honra, acto valoroso e patriótico que acabou reconhecido pelo Rei.

No seu tempo o Funchal foi elevado a cidade (1508) e a Diocese (1514), remontando a essa época a o início da construção da magnífica Sé que ainda serve a Ilha da Madeira.

Dono de uma magnífica fortuna que lhe advinha dos rendimentos madeirenses, especialmente os da cana sacarina que no seu tempo transformou o arquipélago Atlântico no grande fornecedor de açúcar do mercado europeu, ficou conhecido por “o Magnífico” pela liberalidade e sumptuosidade com que viveu.

Exemplo disso é a famosa representação enviada à Corte Papal em agradecimento pela bula com que Leão X elevou o Funchal a Diocese: para além da enorme e rica delegação, das muitas riquezas da Ilha enviadas, de um belo puro sangue árabe, mandou Simão, o Magnífico que fossem construídas estátuas em alfenim de todo o Colégio Cardinalício em tamanho natural, mostrando assim a riqueza e arte dos madeirenses no trabalho da pasta de açúcar, e impressionando decisivamente a Cúria, onde seu filho D. Manuel de Noronha serviria como secretário papal, apenas dela saindo para tomar posse como Bispo de Lamego.

Em 1528, querendo descansar dos seus trabalhos, renunciou ao governo da Capitania na pessoa do seu filho mais velho, retirando-se para Matosinhos onde veio a falecer em 1530.

Esta sua representação, encomendada como era costume madeirense na época nas melhores oficinas flamengas, terá sido feita – possivelmente - já pelo seu filho, João Gonçalves da Câmara. Conhecida por “Triptíco de Santiago Menor e de São Filipe”* (1527-1531), é atribuída a Pieter Coecke van Aelst, e apresenta no painel central os dois apóstolos, enquanto que nos laterais são representados Simão Gonçalves da Câmara e seus filhos (à esquerda) e D. Isabel Silva e suas filhas (à direita), imortalizado assim a memória do poderio e riqueza daquele a quem com toda a propriedade poderemos chamar "o Rei do Açúcar".

LRP 



Nova Portugalidade

DEUS - PÁTRIA - REI

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Arrogância mundialista e humildade da Portugalidade

Foto de Nova Portugalidade.


Não há códigos sociais e institucionais universais. Só quem desconhece ou despreza os códigos dos outros se pode surpreender com coisas destas. O Ocidente tem de reaprender a viver com as diferenças civilizacionais e não ousar ensinar os outros a macaquear fórmulas nossas, importantes para nós, mas que para outros não passam de ofensas. Certamente que na aldeia global dos propagandistas da pseudoformose exigida pelos mundialistas - com bombas e corpos expedicionários, se necessário - um aperto de mão, um afago na cabeça de uma criança, umas patorras em cima de uma mesa, um beijo, uma conversa sobre doenças ou dinheiro; tudo isso faz parte da civilização. Ora, para os outros que não são como nós, coisas dessas são tidas como exibição de grosseria. Durante muito tempo - demasiado tempo - não nos preocupamos e eles fingiam, calavam ou disfarçavam o mal-estar. Agora, isso acabou.

Ao longo dos anos em que vivi na Ásia, apercebi-me que os europeus (pomposamente chamados expatriados, pois recusam a palavra imigrante) ali faziam tudo, sem nunca se preocuparem em abrir um vulgar dos and dont's. No fundo, esses insignificantes sátrapas julgam que estar num país é conhecer um outro mundo: o inglês que leva como prenda uma garrafa de vinho ao casal marroquino amigo, o "expatriado" que no Irão exige que os seus convidados comam a chouriçada na brasa, o europeu que obriga o chinês a comer o coelho à caçadora, ou aquele outro - vi com os olhos que a terra há-de comer - que insistia em falar sobre as intimidades da família real aos tailandeses; tudo isso faz parte do reportório infindo de patetices que acaba por sair caro à nossa imagem de ocidentais. Já nem falo, claro, da imposição dos horários e dos regimes laborais, do dia de descanso, do tipo de regime político, da exigência de leis sobre o divórcio, da contracepção, das regras de urbanismo, dos modelos de ensino, da ideia de natureza, da maioridade legal, do "trabalho infantil", da "idade legal para o casamento", dos prémios de produtividade e dos 13.º e 14.º vencimentos, dos "rendimentos mínimos garantidos", das objecções de consciência... uma lista que nos ocuparia em fastidioso elencar de diktats.

Num desses debates descabelados que bem podiam ser substituídos por uma hora de música clássica, um dos vociferadores terminou o estendal canoro falando dos "países civilizados", referindo-se à Europa e aos EUA, contraponto de "países bárbaros" como o Irão, a Índia, a China e, porque não, à Rússia. Esquecia-se o bípede que o Irão carrega 4000 anos de civilização às costas, a China 5000 e a Índia para mais de 8000. 

Como foi diferente a construção da Portugalidade. O seu sucesso, plasmado neste sentimento de pertença ao mundo, mas profundamente vinculado a uma forma precisa de pensar e de agir, permitiu que esta civilização se fizesse com materiais diversos e que do Brasil a Goa, de Bombaim a Macau, homens e mulheres comuns, com percursos culturais e civilizacionais diferentes, construíssem algo de absolutamente novo que foi, e sê-lo-á cada vez mais no futuro, a solução mais inteligente e humana aos problemas do mundo. 

MCB


DEUS - PÁTRIA - REI