domingo, 21 de janeiro de 2018

Teatro: a verdade nua e crua

Está explicada a crise do teatro nacional: é por falta de ‘maturidade do público’ que esta nobilíssima arte não atrai mais espectadores!

Ainda não foi há muito tempo que, na iminência do encerramento de um teatro, o país entrou em pânico: choveram os protestos, circularam os abaixo-assinados, vociferaram os artistas, pronunciaram-se os políticos e até interveio, in extremis, o chefe de Estado, bombeiro de todos os fogos, até mesmo os naturais.
Com certeza que o teatro é importante para a cultura nacional e, nesse sentido, é compreensível que o Estado incentive a sua prática. Mas não se compreende por que carga de água os portugueses devem financiar, com os seus impostos, certos projectos, que não só são deficitários como manifestamente degradantes.
O belo é um transcendental, segundo São Tomás de Aquino, isto é, a expressão sublimada do ser, da verdade e do bem: algo é belo na medida em que é verdadeiro e bom. Não é arte uma obra que não expresse valores, por muito que a estimem os seus autores ou o público, cuja preferência nem sempre coincide com o que é artisticamente melhor.
Todos têm direito à criação e expressão artística, desde que não ofendam ninguém, como é óbvio. Mas daí não decorre que qualquer manifestação artística tenha que ser subsidiada pelo erário público. Se o autor de um romance não pode pretender que o Estado subsidie a edição, que direito têm às subvenções estatais as companhias de teatro?! Se forem de qualidade as suas representações, com certeza que a crítica e o público corresponderão mas, se não for o caso, porque devem os contribuintes financiar uma actividade que é deficitária, precisamente porque é medíocre?!
Alguns exemplos da actualidade são mais do que suficientes para ilustrar que não há exagero nesta crítica.
‘The Portuguese’ é um musical que começou a ser preparado em 2015, foi estreado no passado dia 13 no auditório dos oceanos do Casino de Lisboa e que se prevê que ficará em cena, com três representações semanais, pelo menos até ao final de Março. Segundo o autor, cuja sinceridade deve ser elogiada, é um espectáculo “completamente absurdo” e não serve “para pensar, não é nada intelectual, não é nada para a parte de trás do cérebro” (sic). Que é então? “É uma grande maradice (sic) que eu ainda não sei muito bem o que é”, nas palavras de uma das actrizes intervenientes, Ana Brito e Cunha. Na realidade, é uma paródia à história de Portugal, que é contada aos turistas de “forma sarcástica, cómica, às vezes musical”. Por exemplo, a expansão marítima portuguesa é “representada com banheiras sobre rodas a fazerem de caravelas e Fernando Pessoa”. Também há uma “partida de póquer entre António de Oliveira Salazar e James Bond”, canções dos Abba e das Spice Girls, que são, como é sabido, grupos tradicionais de música portuguesa. Enfim, uma palhaçada …
Outro tanto se diga de ‘Actores’, “uma peça em que” – refere a imprensa – “a repetição, a exaustão e a humilhação são atiradas para o palco”. Segundo ampla reportagem, o encenador confessa que “queria que, nesta navegação por estilhaços dos percursos individuais, o grupo atracasse (sic) em momentos em que fosse a ficção a transbordar para o lado da realidade, em que biografia e peças/telenovelas se vão intersectando, através de manifestações físicas próprias das personagens que assaltam os actores”. Estamos entendidos, não estamos?!
Mas não desanimem, que há ainda pior, nomeadamente no teatro municipal Sá da Bandeira, em Santarém. Aí esteve recentemente em cena “um espectáculo em que uma actriz apareceu nua e a dizer palavrões”. “Trata-se da adaptação e encenação do romance O Mandarim, de Eça de Queiroz” – em que, por sinal, não consta que haja mulheres nuas, nem palavrões – por Pedro Barreiro, o agora demitido director artístico e programador desse teatro, que reconheceu que esta história tinha assumido “um carácter um bocado circense”. A artista em causa, Sandra Oliveira, “não tardou a reagir, considerando que ‘resumir esta peça a uma gaja nua a dizer asneiras’ é de um desrespeito enorme pelo trabalho de todos os envolvidos”, sobretudo – digo eu – o responsável pelo guarda-roupa. Atente-se à pulcritude da linguagem da actriz, sintomática da elevação cultural e evidente interesse artístico e educativo da peça.
E o público? Segundo as contas da vereadora da cultura da Câmara Municipal de Santarém, ‘O Mandarim – Apóstrofe e Paciência’ contou com “47 pessoas a assistir à estreia e (…) 70 euros de receita”! Outro dado significativo: 197 espectadores estiveram no total das quatro representações da peça em Dezembro passado mas, como 127 eram convidados, só 70 pessoas pagaram bilhete, ou seja, houve uma média de menos de vinte presenças pagas por sessão.
Mas, claro, este insucesso não se deve à pouca qualidade das peças, mas ao público que, pelos vistos, já nem de circo gosta. Como disse a vereadora da cultura, “é importante ter espectáculos contemporâneos, mas não podemos ter tudo do mesmo, sobretudo quando ainda não existe maturidade do público”. Portanto, a culpa é do povo, que é imaturo, coitado! Fica explicada a crise do teatro nacional, mas salva-se a honra de vereadores, autores, programadores, directores, encenadores, actores, outros e outras dores: afinal, é por falta de “maturidade do público” que esta nobilíssima arte não atrai mais especta-dores!
Ao invés destas indignas e ruinosas experiências, os musicais ‘Wojtyla’, ‘Calcutá’, ‘Partimos, vamos, somos’, entre outros, foram experiências de grande êxito, graças à beleza de uma empolgante mensagem de fé, de amor e de esperança.
Consta que George Bernard Shaw ofereceu a Winston Churchill dois convites, para a estreia de uma sua peça teatral: um para o primeiro-ministro, e o outro para um amigo dele … ‘se o tiver’! Churchill agradeceu os bilhetes, desculpou-se por não poder ir à estreia, mas disponibilizou-se para uma segunda representação … ‘se houver’! Moral da história: é preferível que uma má peça se fique pela estreia, do que o Estado subsidiar, com dinheiros públicos, peças medíocres e deficitárias a que ninguém vai assistir e que desprestigiam o país.

sábado, 20 de janeiro de 2018

O Epílogo da Monarquia: oito séculos de História que se desfizeram num dia

Foto de Nova Portugalidade.


Na manhã de 5 de Outubro de 1910, um conjunto de republicanos chefiados por José Relvas proclamava a República Portuguesa na varanda do edifício da Câmara Municipal de Lisboa. Mais do que olhar unicamente para o golpe de estado ocorrido neste dia, que pôs termo à Monarquia Portuguesa, convém olhar para as grandes questões de fundo que explicam os motivos que levaram à derrocada da Realeza ao fim de oito séculos de existência. 

Se atentarmos mais para o processo no seu todo, podemos constatar que a data de 5 de Outubro foi apenas um ponto final na decomposição da instituição da realeza, que se vinha arrastando há várias décadas. A crise do Ultimato em 1890 já havia servido para propalar o movimento republicano e desprestigiar a figura do Rei, que foi duramente atacado pela eficaz máquina de propaganda do Partido Republicano. Os Republicanos não se poupavam a críticas e moveram uma feroz perseguição contra D. Carlos, apresentando-o como «anti-português», ao mesmo tempo que o Partido se auto-proclamava monopolizador do patriotismo. 

O fracasso financeiro e económico da Monarquia Constitucional, em conjunto com a descrença no modelo político de então, cujo rotativismo entre Progressistas e Regeneradores não ofereceria alternativas viáveis para a solução dos graves problemas estruturais que afligiam o país, contribuíram decisivamente para a descredibilização do regime. Além do mais, a decisão de D. Carlos no final do seu reinado de governar com mão-de-ferro através da ditadura de João Franco revelou-se desastrosa, pois isolou o monarca e atraiu um sem número de hostilidades. O resultado foi o completo isolamento do Rei e da própria instituição monárquica, isolamento esse ainda mais acentuado devido ao facto de as grandes cerimónias régias, como os casamentos, não terem um carácter popular e aberto ao público, como acontecia em Inglaterra. Sem o apoio das massas, a Monarquia estava sozinha. 

Na verdade, a Monarquia que existia em 1910 já não era uma Monarquia no sentido tradicional. Primeiro, porque os governantes liberais da Monarquia desde 1834 a tinham concebido como um «Estado cívico», uma comunidade soberana de cidadãos patriotas, apenas sujeitos à lei, e que aceitavam um chefe de Estado dinástico, mas com poderes limitados pela Constituição. Segundo, porque depois da guerra civil de 1832-34, os liberais tinham atacado e enfraquecido as instituições da antiga Monarquia, como a grande nobreza e a Igreja, nomeadamente através da expropriação do seu património. Diminuíram ainda a importância política da fidelidade à dinastia reinante. Os liberais definiram geralmente a Monarquia Constitucional como a «melhor das repúblicas», combinando o princípio da igualdade e o da soberania nacional com o respeito prudente pela tradição dinástica e católica, de modo a não suscitar reações. Mas a Monarquia era ainda a «melhor das repúblicas» porque todos os seus governantes, desde a Regeneração de 1851, se esforçaram por integrar e contentar a esquerda democrática radical. A cultura política da Monarquia sofreu desta forma uma evolução no sentido da «republicanização», especialmente no tempo de Fontes Pereira de Melo.

D. Carlos, segundo constava, dizia que em Portugal havia uma «Monarquia sem monárquicos». Como muitos concluíram, a Monarquia constitucional era já de facto «uma República com um Rei». Por isso mesmo, para a derrubar nunca teria sido preciso fazer uma revolução social ou institucional – isto é, atacar uma grande nobreza, ou um Igreja autónoma e poderosa. Bastaria dispensar o Rei – para o que, devido ao papel do Rei como árbitro da vida política, se poderia contar sempre com aquela parte da classe política descontente com as escolhas de governo do monarca: em 1910 eram muitos os políticos nesta situação. 

Facilmente se compreende, vistas estas razões, a frágil e débil resistência que o golpe de 5 de Outubro encontrou por parte das forças do Rei. Poucos eram aqueles que ainda sentiam uma devoção pessoal ao jovem e inexperiente D. Manuel II, que, após o regicídio do pai, não soube lidar com a situação extremamente delicada e complexa que herdou. O resultado era mais do que previsível: a República seguiu-se e um novo capítulo da História portuguesa iniciar-se-ia.

Miguel Martins



Portugal, a nação do missionário e do mártir, gloriado pelo Santo Padre

Foto de Nova Portugalidade.

"Como foi possível que vós, embora sendo poucos, fizestes tanto na santa cristandade? Onde Portugal encontrou forças para acolher sob seu domínio tantos territórios da África e da Ásia, para estendê-lo até às mais distantes terras americanas? Onde, senão naquela ardente fé do povo português, cantada por seu maior poeta, e na sabedoria cristã dos seus governantes, que fizeram de Portugal um dócil e precioso instrumento nas mãos da Providência, para a actuação de obras tão grandiosas e benéficas?

Afinal, enquanto homens exímios, conscientes da própria responsabilidade, como Afonso de Albuquerque e João de Castro governam com rectidão e prudência as várias colónias portuguesas e prestam ajuda e protecção aos zelosos anunciadores da fé – que grandes monarcas como João III se empenham em mandar naqueles países Portugal se impõe ao mundo pela potência de seu império e pela sua gigantesca obra civilizadora. Quando, ao invés, a fé declina e o zelo missionário fica desencorajado, quando o braço secular ao invés de proteger, perturba, ao invés de encorajar, paralisa a vitalidade missionária, em particular com a supressão das ordens religiosas, então, naturalmente, com a fé e a caridade, dispersa-se e fragiliza-se toda aquela primavera de bens, da qual havia nascido e se alimentado.

Méritos a Portugal por ter sempre associado os povos do ultramar à sua boa sorte, buscando elevá-los ao seu mesmo nível de civilização cristã. Nós contamos sobre essa louvável tradição para a realização de um dos sonhos mais presentes na Igreja católica dos últimos tempos: a formação do clero autóctone. De vossa parte, amado filho e veneráveis irmãos, fazei tudo o que for possível para que essas esperanças não sejam vãs, mas se tornem em breve uma consoladora realidade."

Encíclica SAECULO EXEUNTE OCTAVO do Sumo Pontífice PAPA PIO XII, ao Patriarca de Lisboa, aos Arcebispos e Bispos de Portugal em celebração do 800º aniversário da nação portuguesa.



Quando a poderosa França tremia ante o Rei de Portugal

Foto de Nova Portugalidade.

Eis uma carta dos tempos em que a Justiça, a Política e as Relações Diplomáticas eram um conjunto oficiosamente íntimo.

Dos tempos em que o Rei de Portugal fazia a Europa tremer...

Datada de 28 de Junho de 1552, trata-se de uma autêntica súplica do Rei de França , Henrique II, a D. João III de Portugal, para que liberte e indulte os franceses que estão presos e condenados à morte, por pirataria, em Lisboa.

Assim começa a carta:

"Muyto alto e muyto poderoso e muyto excelente princepe, noso muyto caro e muyto amado irmão, primo, compadre e antyguo aliado."

Quase não parece uma carta entre pares...



Raríssimo é este comportamento num chefe de Estado

Foto de Nova Portugalidade.

"D. Carlos estimava muito os pescadores, e eles ainda hoje se lembram do rei a quem falavam, não com a subserviência dos políticos, mas de igual para igual, como a um pescador de maior categoria. Às vezes D. Carlos encontrava-os no mar alto.- Então que tal a pesca? - Nada.- Também vocês estão aqui, e ali em baixo, a três milhas, o peixe anda aos cardumes.- Mas com este vento como é que a gente há-de lá ir? - Botem os cabos!... - E voltando atrás, levava-os a reboque do iate até ao sítio da abundância."

Raul Brandão
in Algarve.




sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

REAL DE LISBOA VAI VISITAR O PALÁCIO DA MITRA (LOURES)


No próximo dia 27 de Janeiro, pelas 10:00, a Real Associação de Lisboa realiza mais um Roteiro Real desta vez para uma visita ao Palácio da Mitra - Santo Antão do Tojal (Loures).

O Palácio da Mitra foi mandado construir pelo primeiro Patriarca de Lisboa, D. Tomás de Almeida, entre 1728 e 1732, no lugar do antigo Palácio dos Arcebispos que já existia desde o séc. XIII. O seu conjunto arquitectónico, que inclui o Paço do Patriarca, o Palácio-Fonte e a Igreja/Capela do Patriarca, é único no contexto do urbanismo rural português. Nesta visita, vamos ter o privilégio de entrar num espaço privado e descobrir este exemplar único da arquitectura barroca, onde se destacam uma série de azulejos emblemáticos do séc. XVIII, as figuras de convite, escultura com mármores de Carrara ao gosto italiano e um jardim/horta onde ainda se conservam os pombais.

Esta visita, guiada pelo nosso associado Joel Moedas Miguel, tem lugares limitados e um custo de € 15,00 por pessoa. O ponto de encontro será no terreiro fronteiro ao Palácio.

Para mais esclarecimentos e inscrições, contacte-nos através do endereçosecretariado@reallisboa.pt, pelo telefone 21 342 81 15 ou presencialmente na nossa Sede nos horários habituais.


Contamos consigo!

A Direcção
Real Associação de Lisboa
Praça Luís de Camões, 46 2° Dto
1200-243 Lisboa
Tlf.: (+351) 21 342 81 15
Horário de atendimento: segunda a quinta-feira das 15:00 às 17:30, sexta-feira das 10:00 às 12:45


Nota - a Inscrição só é válida após o pagamento, não sendo possível o reembolso em caso de desistência.

CELEBRAÇÕES DO CENTENÁRIO DA BEATIFICAÇÃO DE SÃO NUNO DE SANTA MARIA

Foto de Real Associação de Guardas de Honra  dos Castelos, Panteões e Mon. Naci.