terça-feira, 17 de julho de 2018

Não, não foi a Inglaterra: o dia em que a bandeira de Portugal flutuou sobre Malta

Foto de Nova Portugalidade.
Na imagem, os navios do Marquês de Nisa em campanha pelo Mediterrâneo.


A ocupação napoleónica de Malta, e a resistência da população local ao invasor, foram momentos marcantes da História da estratégica ilha mediterrânica. Os franceses tinham chegado em 1798, quando Napoleão, que cruzava o Mediterrâneo a caminho do Egipto, desembarcou no antigo bastião dos cavaleiros de São João. Malta, até ali inexpugnável, caiu como maçã madura, abolindo Napoleão a Ordem de São João, extinguindo a nobreza e anexando o pequeno país ao território da república francesa. Rapidamente concluída a campanha de subjugação do povo maltês, embarcou depois Napoleão para esse Egipto que tantas felicidades lhe traria.

A resistência aos franceses iniciou-se imediatamente após a partida de Napoleão. Instigados pelo clero católico contra a república ateia que Napoleão lhes trazia, os malteses obrigaram a guarnição francesa, grande de uns cinco mil homens, a refugiar-se na grande fortaleza de Valeta. A sua situação inicial era, contudo, desesperada. Sem armamento moderno e impossibilitados pela geografia do recebimento de reforços, alimentos e armas, os malteses achavam-se, contudo, perante uma luta desigual. 

Seria a intervenção portuguesa a transformar o equilíbrio de forças. Enquanto a armada de Napoleão era afundada pela do inglês Nelson na baía de Aboukir, em pleno delta do Nilo, colocava-se a portuguesa a caminho da Malta sublevada. Portugal enviara para o Mediterrâneo uma poderosa força naval constituída por sete navios de linha e duas fragatas. Essa esquadra era comandada pelo Marquês de Nisa, Dom Domingos Xavier de Lima, e tinha por objectivo a intercepção de navios, comerciais ou militares, de pavilhão gaulês. A rebelião dos malteses, contudo, foi correctamente interpretado como oportunidade preciosa para que se roubasse à França um importantíssimo ponto de controlo do Mediterrâneo. Coube, pois, à armada portuguesa a distinta honra de ser a primeira a apoiar a insurreição.

Os portugueses chegaram à costa de Malta a 19 de Setembro de 1798. Dirigiram-se ao porto de Valeta, onde os franceses resistiam, então sem grande dificuldade, ao cerco que lhes imposto por uma multidão maltese sem meios adequados a um assédio competente. Os portugueses ofereceram às milícias maltesas coisa de quinhentos mosquetes, assim como o apoio valioso da sua artilharia e um destacamento de quatrocentos homens que desembarcaram na ilha para auxiliar os locais. Em Mdina, hastearam-se as bandeiras dos Cavaleiros de Malta, do Rei de Nápoles seu suserano e de Portugal, libertador do país. Os ingleses, aliados de Portugal, chegaram somente semanas depois. Lastimavelmente, todavia, o contributo português que historiadores como Henry Frendo estimam como decisivo para que a sorte das armas acabasse por sorrir ao povo de Malta foi apagado, e quase totalmente esquecido. Trata-se de atroz injustiça que a Inglaterra muito fez para incentivar e que Portugal em pouco tentou contrariar. 

RPB


Um povo valente que entregou os seus filhos ao mar profundo

Foto de Nova Portugalidade.

Já a investigar para um novo trabalho que sairá em 2020, haja tempo, saúde e condições, desta vez sobre as sociedades nascidas dos descobrimentos e da expansão, detenho-me no manuscrito do diário de bordo de um navio da frota portuguesa da segunda metade do século XVIII, a nau Nossa Senhora da Viagem. Contrariando os lugares-comuns do suposto improviso, “aventura” e atitude a-científica dos portugueses, ali está condensado e aplicado um saber profundo, meticulosamente anotado e exprimindo o grande conhecimento náutico acumulado ao longo de séculos de navegação: as latitudes e longitudes, os fenómenos meteorológicos e o regime dos ventos, as correntes, o avistamento de animais marinhos e aves, a identificação de outras embarcações, respectivos pavilhões e nomes, as condições sanitárias da tripulação, a gestão da água e alimentos, a descrição dos portos de aguada; tudo anotado de hora a hora pelo redactor do diário. Neste imenso e infatigável trabalho de notação, detenho-me no registo de acidentes ocorridos na longa viagem de quarenta e três dias, de Lisboa à São Salvador, realizada em meados de 1762. 

“Domingo, 29 de Agosto de 1762. Ontem, pelas três horas da tarde morreu o marinheiro Manuel Moreira. É o quarto que tem morrido depois de sairmos de Lisboa (…)”. 

Folheio o diário desde o dia da partida e, depois, o diário de torna-viagem, de Fevereiro de 1763 e verifico que numa mera viagem de rotina e policiamento da rota do Brasil morreram oito tripulantes. Multipliquemos por cem, duzentos, trezentos e por mil estes números e ali está, sem rodriguinhos piegas, o custo humano dessa grandiosa, temerária e teimosa empresa portuguesa ultramarina que se prolongou por séculos e tocou todos os cantos do planeta. Quanto sacrifício verteu este povo nos caminhos do mar que foi palco da nossa grandeza e sepulcro de tantos Manuéis Moreira, quanta coragem silenciosa de homens simples e esquecidos teve esta nação de acumular para que hoje 300 milhões, do Brasil a Timor, se exprimam na nossa língua. É evidente que para muitos, tudo aquilo foi em vão, que prefeririam que aqui neste canto escalvado do sudoeste europeu tivéssemos ficado, europeus de terceira, transidos de medo entre a meseta hispânica e o oceano tenebroso. Esses, sim, não compreendem, não respeitam nem amam Portugal. 

Miguel Castelo-Branco

II Seminário Internacional de História Indo-portuguesa

Foto de Nova Portugalidade.

Hoje desejo partilhar convosco o II Seminário Internacional de História Indo-portuguesa, Lisboa, do Instituto de Investigação Científica Tropical, ano de 1985. Não foi nada fácil de adquirir esta obra, onde se encontra uma comunicação do senhor Goertz, respectivamente dedicada a uma detalhada descrição dos métodos de ataque e defesa dos Portugueses num dos cercos aquando a guerra contra a Liga Islâmica. Não é todos os dias que se enfrenta 150.000 Muçulmanos zangados, apoiados por 360 elefantes, 20.000 cavalos e inúmeras peças da mais grossa artilharia do Mundo, dispondo de apenas 1.200 soldados portugueses.

Goertz faz referência ao corpo português como uma unidade profissional acostumada à guerra, possessa por uma inabalável Fé, disciplina de ferro, auto-controle e espectacular organização, chegando mesmo a dizer que a forma como os lusos se bateram desafia a compreensão de qualquer homem.

Apesar da superioridade muçulmana na artilharia, as armas portuguesas de infantaria tiveram um factor decisivo para a vitória, possuindo mosquetes/espingardas de melhor calibre e alcance, assim como armas brancas (espadas e armaduras) de maior qualidade.

No entanto, a componente que se mostrou de maior importância para assegurar a nossa sobrevivência foi a “trinchea entulhada”, um tipo de trincheira inventada pelo português Agostinho Nunez, dedicada a um melhor e mais facilitado uso das armas de fogo sobre o adversário, oferecendo também uma significativa protecção contra artilharia mais pesada.

Grandes elogios são feitos ao capitão-mor Dom Francisco de Mascarenhas pela sua liderança. Segundo Goertz, foi demonstrada pelo capitão; experiência, engenho, enorme espírito de liderança, uma frieza incrível face ao perigo e uma determinação que inspirou confiança e afecto nos soldados, com quem partilhou todas as dificuldades.

Este cerco, um dos mais espectaculares da história militar mundial durou sete meses, acabando os Muçulmanos, segundo as crónicas de António Castilho, com doze mil mortos, enquanto que os Portugueses sofreram quatrocentas perdas humanas.

Poucas são as batalhas que atingiram o mesmo nível de fúria e violência e, mais importante ainda, poucos foram os soldados que, com tão diminuta guarda, venceram um exército tão superior em números quando uma simples rendição lhes teria poupado tanto sofrimento.

Miguel Ângelo pintou na Capela Sixtina um português a salvar um africano e um muçulmano do Inferno, como vemos na imagem. Segundo o professor Manuel Gandra foi o próprio pintor, Miguel Ângelo, quem identificou o português no Juízo Final da Sixtina numa carta que remeteu a um embaixador português.

Ricardo da Silva



Essa Portugalidade que deslumbrava o Papa de Roma

Foto de Nova Portugalidade.

Do Papa Pio XII ao Patriarca de Lisboa, aos Arcebispos e Bispos de Portugal

A ATIVIDADE MISSIONÁRIA PORTUGUESA

"[...] 
9. Como foi possível que vós, embora sendo poucos, fizestes tanto na santa cristandade? Onde Portugal encontrou forças para acolher sob seu domínio tantos territórios da África e da Ásia, para estendê-lo até às mais distantes terras americanas? Onde, senão naquela ardente fé do povo português, cantada por seu maior poeta, e na sabedoria cristã dos seus governantes, que fizeram de Portugal um dócil e precioso instrumento nas mãos da Providência, para a atuação de obras tão grandiosas e benéficas?

10. Afinal, enquanto homens exímios, conscientes da própria responsabilidade, como Afonso de Albuquerque e João de Castro governam com retidão e prudência as várias colônias portuguesas e prestam ajuda e proteção aos zelosos anunciadores da fé – que grandes monarcas como João III se empenham em mandar naqueles países Portugal se impõe ao mundo pela potência de seu império e pela sua gigantesca obra civilizadora."

PIO PP. XII


segunda-feira, 16 de julho de 2018

UM EQUIVOCO CHAMADO MARCELO R.S.


                                           “O Povo gosta, o povo quer, o povo tem!”
                                                  Carlos Félix

    Nas últimas eleições presidenciais ocorreu um fenómeno nunca visto: a população portuguesa foi votar para escolher entre os 10 candidatos que se apresentaram a sufrágio, aquele que seria, nos prazos constitucionais, o próximo Presidente da República, função também ela definida constitucionalmente.

    Deste modo os eleitores elegeram um doutorado em Direito, que passeou pelo jornalismo e pela política partidária, tendo assentado arraiais como comentador, onde preparou – nas barbas de toda a gente – a própria candidatura ao cargo de mais alto magistrado da Nação (pelo menos antigamente era assim que se dizia), para quando a oportunidade surgisse. E surgiu.[1]

    E a maioria dos eleitores (52%) que se dignaram ir votar, lá depositaram a sua cruzinha no actual inquilino do Palácio de Belém.

    Esqueceram-se que o homem é um hiperactivo, ligado à corrente em permanência e que quer ir a tudo e a todos, numa paráfrase mal engendrada da célebre frase dos Lusíadas “ e se mais mundo houvera, lá chegara”…

    Como se isto já não fosse problema suficiente, o senhor também quer comentar tudo e todos!

    Daqui resulta o equívoco de que, afinal, a população portuguesa julgando que tem um ser de carne e osso a exercer as “altas” funções de Chefe do Estado, na sua forma republicana – o que já de si não é grande coisa – passou a ter um comentador (se é que tal pode ser considerado uma profissão), em vez de.

    A questão que fica é esta: será que para as próximas eleições se irá mudar a Constituição, para que se deixe de eleger um Chefe de Estado e se eleja um “Comentador-Mor”?

    Cruel dilema.

    O que se passa assemelha-se a termos, por ex., eleito um carpinteiro para PR, que em vez de exercer a função (a tal que é “alta”), continuasse a fazer prateleiras, cadeiras e outro mobiliário e assentasse, quiçá, uma marcenaria em Belém…

     O senhor Presidente comenta tudo, o que se passa ou deixa de passar, inclusive os jogos da bola – esse mundo absolutamente desqualificado e pouco recomendável – e pelo meio viaja sofregamente (aproveitando para ler livros e tudo), como se não houvesse amanhã.

    Também para ir assistir a jogos da selecção (uma selecção que perdeu sobretudo por falta de atitude), aproveitando pelo meio, para dizer olá ao Presidente Putin – que deve ter ficado impressionado com esta nova maneira de fazer diplomacia – numa espiral de gastos e desconcertos em que nunca mais houve tino desde que o General Eanes abandonou o cargo.

    Desatinos que ninguém escrutina, nem estão interessados em escrutinar – deste modo o PR também não levanta objecções aos gastos perdulários dos deputados, dos membros do Governo e dos gabinetes dos senhores ministros, etc..

É um fartote!

    Foi ainda tirar uma foto com o Trump, apesar do Yankee gostar mais do “Twiter” do que de “selfies” e a melhor coisa que conseguimos saber (além da propaganda ao vinho da Madeira) foi que “fez criticas gestuais” quando o anfitrião da casa pintada de branco falava!

    O nosso comentador, perdão, Presidente, numa ânsia de consolar tudo e todos; “integrar”; aumentar a coesão (vá-se lá saber de quê); ser inclusivo, etc., anda numa fona participando em todas as manifestações religiosas (porque não as “seitas”?) – mesmo as que são insignificantes, não têm nada a ver com a nossa matriz cultural, ou até são suas inimigas; pendura roupa no Casal Ventoso (se quiser um dia passar lá por casa, não se acanhe, ok?); embarca numa cruzada estúpida, demagógica e perigosa, em querer trazer toda a casta de “migrantes” para dentro do país (não se esqueça de arranjar umas tendas para montar nos jardins do Palácio de Belém); condecora todo o bicho careta que lhe aparece pela frente, incluindo gente de mau porte que conspirou contra o país e permite-se participar numa “homenagem” a um cantor rock, cujo único mérito pessoal conhecido, foi ter conseguido recuperar-se do vício da droga, num espectáculo circense pimba, pífio e de muito mau gosto, para onde conseguiu arrastar (ou foram eles que se juntaram?) o Presidente da AR e o Chefe do Governo.

    Só faltou o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça…

    Será que o ilustre varão não se enxerga correndo o risco de, qualquer dia, ninguém o suportar e querer ouvir ou ver?

    Será que toda esta gente não tem a menor noção que a Dignidade dos cargos (permanentes) que ocupam (transitoriamente), necessita ser preservada e que eles não têm o direito, pela sua má conduta, de a pôr em causa?

    Será que não têm o menor escrúpulo sobre a “Gravitas” da antiga sociedade romana?

    Não há, entretanto, um único problema importante (um único) do País que seja devidamente equacionado, decidido e tratado.

    Tudo é desatino, desarticulação, corrupção, relativismo moral, negociatas.

    O resto é circo para empatar e entreter tolos, que é aquilo por que nos querem fazer passar.

    O pão, esse, continua a ser pago com o aumento da dívida (que é impagável…).

    Mas como o povo gosta, o povo quer, o povo tem…

    Que bela Democracia que temos.

    Para imbecis.


                                                            João José Brandão Ferreira
                                                                  Oficial Piloto Aviador


[1] Sem embargo nesta “democratíssima” sociedade em que vivemos deve referir-se que na contagem dos votos apuraram-se 51,17% de abstenções; 1,24% de votos nulos e 0,92% de votos brancos. Ora manda o mais elementar bom senso que qualquer eleição para valer, deveria contar com pelo menos 51% de votantes, entre a massa dos eleitores recenseados.

domingo, 15 de julho de 2018

D. Afonso de Bragança visitou o Banco Alimentar

Foto de CAUSA REAL.

Durante a visita do Príncipe da Beira, o Senhor Dom Afonso, ao Banco Alimentar, SAR esteve em contacto directo com aqueles que todos os dias ajudam a alimentar Portugal. 

O Príncipe da Beira teve a oportunidade de aprender como funciona esta instituição tão importante, tendo felicitado todos os intervenientes na organização.


DEUS - PÁTRIA  - REI

quinta-feira, 12 de julho de 2018

DEUS - PÁTRIA - REI: Touradas...

DEUS - PÁTRIA - REI: Touradas...: O partido dos animais e os seus peões de brega, Bloco e Verdes, querem proibir as touradas em Portugal. E chegam a invocar textos ecl...