quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O JANTAR DOS CONJURADOS DO NORTE, ESTE ANO SERÁ EM BRAGA

Foto de Real Associação de Braga.



Para as pessoas que são do norte do país e que por qualquer motivo não podem estar presentes no Jantar organizado pela Real Associação de Lisboa, as Reais Associações de Braga e Viana do Castelo, convidam V.ª Ex.ª a participar no “Jantar dos Conjurados” que se realizará no dia 30 de Novembro de 2017, pelas 20 horas, no T4 Restaurante & Bar, em Bragano qual o Senhor Dr. Carlos Aguiar Gomes, Mestre da Militia Sancta Mariae e Presidente da Associação Famílias, fará uma intervenção sobre o tema “E hoje o que fariam os Conjurados”.

Preço do Jantar:
Adultos: 18,00 €
Crianças:
Até aos 4 anos: não pagam
dos 5 aos 10 anos: 9,00 €

As inscrições encontram-se limitadas à capacidade da sala pelo que deverão ser feitas com a maior brevidade possível e impreterivelmente até ao dia 26 de Novembro, para o e-mail da Real Associação de Braga, devendo ser enviada a indicação do nome, ou nomes dos participantes e um telefone de contacto, acompanhadas do respectivo comprovativo de depósito ou transferência bancária efectuada para:

Caixa Económica Montepio Geral
IBAN: PT 50 0036 0038 99100 5387 3550
BIC/SWIFT: MPIOPTPL

T4 Restaurante & Bar
Rua Cidade do Porto, 139 a 141
4705-084 Braga
Tel.: 258 823 771

Para mais informações contactar por favor a Real Associação de Braga, através do email: realassociacaobraga@gmail.com, ou para os telemóveis dos Presidentes da Direcção, das Reais Associações de Braga e Viana do Castelo, respectivamente Dr. Gonçalo Pimenta de Castro 919 932 154 e Dr. José Aníbal Marinho, 961 318 001.

Este evento conta também com a colaboração da Real Associação do Porto.

Com os Melhores Cumprimentos

José Aníbal Marinho




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terça-feira, 14 de novembro de 2017

AMANHÃ: JANTAR MENSAL DA REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU

Foto de RAV Real Associação De Viseu.

Próxima quarta-feira, dia 15 de Novembro, Jantar da Real Viseu, no Clube de Viseu, 20:15h. Convidados: Com.te do RIV14, Senhor Coronel João Alves de Bastos e o Ten.-coronel João Alvelos da organização Cruz de Malta. Havendo convidados, enfatizamos a presença mais numerosa de participantes. Leve um amigo. As melhores saudações.

Foto de RAV Real Associação De Viseu.

RAV Real Associação De Viseu 

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

JUVENTUDE MONÁRQUICA DO PORTO REALIZA JANTAR DE CONFRATERNIZAÇÃO

Foto de JMP Porto.

Jantar de Amigos e Associados JMP:


Dia 17 de Novembro vamos jantar e confraternizar no Café Ceuta.

Jantar aberto a todos os interessados, bastando efectuar inscrição por email (porto@juventudemonarquicaportuguesa.pt) ou por mensagem para a nossa página.


A marcar já na agenda!


Ideias de futuro: Portugal, Portugalidade, Europa

Foto de Nova Portugalidade.


O que pode ser Portugal nesta Europa? No mínimo, coisa nenhuma; no máximo, o quase nada que é nos nossos dias. Será deprimente constatar que Portugal não cumpre, no século oitavo do seu nascimento, as características essenciais de um Estado. Aceite-se a fórmula comum - e reiterada, para interesse de alguns e exasperação de tantos outros, a todos os estudantes de Direito e Relações Internacionais - do que faz o Estado e notar-se-á que Portugal já o não é. É Portugal superior a todos os poderes na ordem interna e inferior a nenhum na ordem externa? Decididamente, já não: di-lo a própria Constituição da República quando, no ponto quarto do seu artigo oitavo, subordina o direito português ao comunitário. Conduz Portugal os seus assuntos soberanamente e atentando unicamente na vontade democraticamente expressa do povo português? Já não, também, ou não se pediria à Comissão Europeia que opinasse e emendasse o seu Orçamento de Estado. Exerce Portugal controlo sobre o seu território? É questão confusa. Em muito do seu mar não, pois entrega-o, pelo Tratado de Lisboa, ao arbítrio de quem não é português, não fala uma palavra de português e nada sabe de Portugal. E, se o tem em terra, não se percebe, pois abdicou da sua fronteira. Preserva, finalmente, Portugal o poder de cunhar moeda e de manter relações livres com outras nações? Não, também, pois aceita harmonizar a sua política externa com a da UE, por um lado, e porque, por outro, tolera não ter moeda própria. Cientificamente, matematicamente, pelo sentido próprio dos conceitos, Portugal já não pode ser realmente classificado como um Estado soberano.

Esse abandono por Portugal de liberdades antigas fez-se traiçoeira e silenciosamente. Jamais se perguntou aos portugueses se desejavam abdicar da sua categoria de Estado livre. Não existiu um momento definidor, de debate claro e argumentos claros, sobre se de decisão tão grande resultariam benefícios suficientes e, se assim fosse, se a decisão podia ela própria ser tomada. Naturalmente, não pode ninguém negar as muitas virtudes da colaboração com e na Europa. Como nação também europeia - também, não só - Portugal não pôde nunca, nem teria podido em décadas recentes, apartar-se do movimento integrador. Será ponto assente em mentes razoáveis que muito há a ganhar em facilidades de exportação para grandes economias nossas vizinhas como a França, a Alemanha, a Espanha ou a Inglaterra. É do interesse nacional que assim seja, e seria contrário ao interesse nacional pedir que se dificultassem as relações, afinal extensas e frutuosas, que temos com as nações-irmãs do continente. Mas faz, sim, sentido pedir que se repense a natureza da relação e, por isso, os detalhes para que se possa manter o essencial. O espartilho duro e inflexível em que se transformou a União Europeia tem de ser amansado e alargado, ou rebentará por si mesmo. Não seria bom para Portugal, e seguramente não o seria para a Europa em geral, que soçobrasse instituição que tanto fez para manter a concórdia europeia e que pode ainda, se devidamente reformada e actualizada, trazer vantagem aos povos do continente.

Para o Luxemburgo ou a Bélgica, esse debate parecerá distante e, talvez, sem sentido. Para Portugal - que, como se disse, é nação europeia sem ser apenas nação europeia - é a discussão essencial. Há, afinal, a Portugalidade a considerar. Para lá do mar, falam a nossa língua e são produto e parte da nossa civilização trezentos milhões de homens e mulheres. A UE (alemã, francesa, italiana) é, agregada, a maior economia do globo? A Portugalidade é a sexta; mais, é da nossa cultura e património nosso e dos povos com que a partilhamos. Extraordinário, pois, que tão pouca atenção se lhe dê e tão pouca exploração se faça do que ela é do que pode vir a ser. No debate fundamental do que pode vir a ser a Portugalidade, a UE actual - mas não, se repensada a relação que Portugal tem com ela, a UE em si - é necessariamente um entrave ou, pelo menos, motivo de desaceleração. Quando Portugal propunha - numa demonstração rara de bom senso e largueza de horizonte - um Schengen da Portugalidade, não deixou de surgir quem argumentasse que aquele bom passo se nos encontrava interditado pela pertença à UE e ao seu próprio espaço de livre circulação de pessoas. Encontrar solução para essas contradições, harmonizando a Europa com a Portugalidade, é a missão que porá à prova quantos sabem que ou o espaço civilizacional português passa a prioridade nacional ou é o próprio país que acabará por extinguir-se.

É possível ter o melhor de dois mundos? O que sabemos é que Portugal não deve ter de escolher entre a família (a Portugalidade) e os amigos europeus. Mas, na Europa, tornou-se-nos imprescindível a recuperação daqueles poderes essenciais de que abdicámos e sem os quais não podemos chamar-nos um povo livre. É assim porque, como é princípio natural em qualquer democrata, os povos - e o nosso também - devem poder resolver por si, e sem a intervenção de outros, os seus assuntos. Portugal deve dar-se com quem quer e como quer; Portugal deve abrir a fronteira, ou fechá-la, a quem deseja; deve fazer a sua lei em Lisboa e gastar como preferir o seu dinheiro. Deve, sobretudo, esforçar-se para conseguir da União Europeia o estatuto especial que reconheça simultaneamente Portugal como nação europeia e da Portugalidade; isto é, que permita uma amizade fundada na dignidade e a harmonização entre a própria UE e a integração portuguesa, entre as nações do mundo português, que tão natural é a Portugal e tão fundamental parece ser para o seu futuro. Voltarmos a ser Estado livre e com o que poderia bem ser, um dia, uma união de países portugueses que juntasse Lisboa a Brasília, Díli, Luanda e Maputo, eis o que nos exigem em uníssono a História e o futuro. Se tanto pudermos fazer preservando a amizade da Europa e os laços profundos que com as nações europeias mantemos, ganharemos nós e ela.

RPB


Para mostrar aos ignorantes: o dia em que a África abraçou Portugal

Foto de Nova Portugalidade.

A conversão do Rei do Congo

A promessa de Diogo Cão foi apoiada pelo rei, que insistiu para que ele regressasse no prazo previsto; deixaram marca desta viagem numas rochas de Matadí: «Aqui chegaram os navios do ilustre rei João II de Portugal.» Na armada regressaram os quatro reféns, agora convertidos em experientes conhecedores da língua lusitana. Enviou um deles, com presentes, à corte congolesa, com o pedido de devolverem os portugueses que ali tinham ficado; regressados os portugueses ao barco, entregaria os outros três. Cumprido o compromisso por ambas as partes, Diogo Cão continuou com o reconhecimento da costa atlântica e percorreu umas duzentas léguas a sul do rio Congo.

No regresso desta exploração, foi visitar o rei congolês, que já estava a par das intenções do rei português através das informações dadas pelos quatro africanos. Diogo Cão corroborou essas informações e insistiu nos desejos do seu rei em estabelecer relações com ele. Então, este decidiu enviar uma embaixada, em 1488, a pedir o envio de «padres, clérigos, frades e outros ministros dos ofícios divinos, os quais nos instruam na lei e nos mandamentos da santa fé». Também pediu «artesãos, mestres canteiros e carpinteiros, agricultores... de maneira que o rei pudesse mandar construir templos, outras coisas e palácios, e que todos pudessem fazer no seu reino qualquer outra coisa que fosse necessária ao culto da fé e ao serviço da vida» (Rui de Pina). Enviava, como presentes, ao rei de Portugal, dentes de elefante, tecidos de palmeira e outros objectos de marfim. Todos os membros da embaixada foram doutrinados e fizeram-se cristãos, tendo actuado o rei e a rainha como anfitriões do baptismo e todos tendo recebido o nome dos padrinhos.

«Sua Majestade desejou que permanecessem no reino durante todo o ano de 1490, para que aprendessem a língua vulgar do seu reino, praticassem bem os artigos da fé católica, os mandamentos da nossa lei e os outros divinos ministérios e mandamentos; e que compreendessem bem todas aquelas coisas, para que não fossem embora ignorantes.»
No final deste ano, saiu esta embaixada de Lisboa com vários religiosos e chegou ao rio Congo no dia 29 de Março de 1491. No caminho, em direcção à capital, atravessaram primeiro a província ou senhorio de Sonyo, governada pelo tio do rei; «por intermédio de um dos rapazes doutrinados, pediu que lhe administrassem o baptismo, porque era homem de idade e, entre irem e virem de ver o rei, podia correr perigo de morrer, não queria perder aquela mercê de Deus que tinha em casa» (Barros, ibidem, Cap. 9). O seu filho também pediu para ser baptizado, e ambos receberam este sacramento no dia 3 de Abril de 1491: foi o primeiro baptismo que se administrou naquelas terras.

Os cerca de duzentos e cinquenta quilómetros que ainda os separavam da capital do Congo foram percorridos em vinte e três dias. O rei «recebeu-os com sumo agrado e cortesia, apreciando muito a oferta das várias coisas que lhe tinham trazido do rei de Portugal. Começaram logo a tratar do principal, catequizaram o rei e seis dos seus senhores principais e baptizaram-nos solenemente num oratório, que os religiosos tinham posto no seu palácio, no dia da Santa Cruz, em Maio de 1491» (Mateo de Anguiano, Misiones capuchinas en África: La Misión del Congo, n.º 7). Recebeu o nome de João, em honra do rei português. Pacheco Pereira acrescenta que o rei não quis que se baptizasse mais gente, «dizendo que coisa tão santa não devia ser dada a nenhum vilão. Grave, grave havia sido ter de deixar as muitas mulheres que ele sempre tivera...».

José Luis Cortéz Lopez

Na imagem, os portugueses prostram-se frente ao Rei do Congo, convertido em príncipe cristão e em vassalo do Rei de Portugal.




Pelo São Martinho, o nosso galeão São Martinho

Foto de Nova Portugalidade.


Quarenta e oito peças de artilharia, cinquenta e cinco metros de comprimento, sólida construção portuguesa e tripulação boa e experiente: eis o que fazia as virtudes do famoso galeão São Martinho, nau capitânia do Duque de Medina-Sidónia na malograda investida da Invencível Armada contra a Inglaterra. Quando Portugal e a Espanha se uniram sob a mesma coroa, em 1580, acabava de ser lançado ao Tejo o São Martinho. Cinco anos mais tarde, com o rebentamento da guerra entre a Monarquia Católica e Isabel de Inglaterra, o galeão rápido se impôs, pela qualidade da sua construção e a força do seu armamento, às restantes naves de Filipe I de Portugal e II de Castela. Medina-Sidónia, a quem o Rei havia confiado a conquista da Inglaterra, tomou-o como capitânia da Grande e Felicíssima Armada, a frota que hoje conhecemos como Armada Invencível e que os ingleses recordam como "the Spanish Armada".

À cabeça da Armada, o São Martinho zarpou de Lisboa em 28 de Maio de 1588. As desventuras da frota não são tema para nós, e o fim trágico que veio a ter não deixará de ser conhecido dos leitores. Interessa-nos, apenas, o São Martinho e os detalhes da sua expedição a norte. Haverá, quanto a isso, que notar a prestação positiva do vaso e sua tripulação em condições que, como sabemos, foram adversas e de pesadas consequências para a Monarquia Ibérica. O São Martinho participou no resgate do São João, também ele galeão português e também ele comandado por capitão castelhano, defrontando e batendo sozinho uma força de doze galeões ingleses. Vitorioso, regressou com o São João à formação, e com ele regressou à Península. Se lhe chamam San Martín, confundindo a Monarquia dos Habsburgo com Castela, fazem, pois, mal. Era São Martinho, de bandeira portuguesa, construção portuguesa, artilharia portuguesa e tripulação portuguesa. Tivesse o comando sido português também e talvez não tivesse sido vencida a caricatamente chamada Invencível Armada.

Rafael Pinto Borges

domingo, 12 de novembro de 2017

ACREDITO FIRMEMENTE QUE PORTUGAL TEM UMA MISSÃO IM...

Real Associação da Beira Litoral: ACREDITO FIRMEMENTE QUE PORTUGAL TEM UMA MISSÃO IM...: Cardeal Raymond Burke, autor do livro "O Amor Divino Incarnado". Foto: DR O Cardeal Burke esteve em Portugal para apresenta...

Uma embaixada portuguesa ao Sião em 1859

Foto de Nova Portugalidade.

"No segundo mês [ de Fevereiro de 1859)] o Rei de Portugal enviou Isidoro Francisco Guimarães, governador de Macau, que veio ao Sião como seu embaixador, com José Maria da Fonseca como vice-embaixador e Sìsùkoomeewáruuprassù [Francisco de Mello Baracho] como terceiro enviado, todos acompanhados de outros nobres portugueses.


Chegaram a bordo de um vaso chamado Mongdikoo [Mondêgo]. O comandante do navio era Triikonggarii [Capitão de Mar e Guerra José Severo Tavares ?].

(...) O Rei ordenou que os enviados portugueses fossem recebidos e trazidos para Banguecoque. (...) Foram hospedados no edifício de tijolo destinados a visitantes estrangeiros, o qual se situa no canal phadung krungsaseem.

(...) O Rei recebeu-os no Dusith Mahaaprasad (sala do trono do palácio real) e estes ofereceram-lhe um samovar de prata, uma grande carpete, duas cenas de batalhas emolduradas, um livro sobre a Rússia, uma caixa contendo perfumes, um telescópio e duas caixas de frutas cristalizadas. Outras ofertas destinadas ao Rei Phrapinklao [Phrabat Somdet Phra Pinklao Chao Yuhua, segundo rei de Rama IV] incluíam um samovar de prata, um par de molduras, uma caixa de perfumes, binóculos, um óculo e duas caixas de licores doçaria. 

(...) O Rei indicou o comité para o representar (...). O tratado consistia em vinte e sete artigos. No dia da assinatura do Tratado e aposição dos selos, vinte e uma salvas foram disparadas no forte Widchajeentharáprasàd e o vaso de guerra português [que estava fundeando em frente do palácio] correspondeu à saudação com vinte e uma salvas."

Retirado da Crónica do Quarto Reinado da Era de Bangkok. Trad. de Miguel Castelo-Branco.



FOTOGRAFIAS E VÍDEOS DA FESTA SE SÃO NUNO NA VILA ...

Real Associação da Beira Litoral: FOTOGRAFIAS E VÍDEOS DA FESTA SE SÃO NUNO NA VILA ...: Soutaria TV - Canal TV 107878 no MEO Kanal OURÉM | Festa de São Nuno De Sant...

BASTA de humilhações: Portugal reduzido a carpete

Foto de Nova Portugalidade.


Diz o adágio que uma imagem diz mais que mil palavras. O provérbio mostrou estar correcto; ou antes, está-lo-ia se da nossa língua antiga não fosse possível extrair expressão exacta do nosso infamante estado: opróbrio, abuso, saque, vergonha, ultraje. Ontem, no encerramento do Web Summit de Lisboa, demonstração clarividente do colapso do amor próprio do Estado português e da consciência patriótica nos seus líderes: uma horda ignota, rapazes de todos os pontos do globo, jantando no Panteão Nacional; isto é, enchendo-se ao lado dos cenotáfios do Gama, de Camões e de Álvares Cabral, comendo sobre os ossos de Amália e convertendo em banal cantina o que é templo dos nossos maiores homens, dos seus feitos e da sua memória.


Contra o Web Summit em si, nada a dizer: bom é que o mundo ande de olhos postos em Portugal, e bom é, também, que o nome de Lisboa seja hoje sinónimo de inovação e energia criadora. Mas não, pede a Nova Portugalidade e exigem todos os portugueses de coração sincero e firme coluna vertebral, desta maneira. Não reduzindo-nos a tapete do mundo e não, definitivamente, ultrajando o Panteão Nacional, que é tumba física ou simbólica dos mais altos filhos de Portugal.

Se assim nos tratamos nós, que consideração poderá Portugal exigir das outras nações? A questão não é desajustada, tem mérito e é penosamente reveladora. Seria imaginável que a França usasse o seu próprio Panteão Nacional para servir jantar a "empreendedores" vindos de sabe-se lá onde? Alguém vê o Reino Unido rebaixando Westminster e Saint Paul's com comes e bebes, permitindo a desgraça de gotas de vinho sob cúpulas e de coxas de franco sobre a tumba de Nelson, Fleming e João de Gaunt? E a Rússia, toleraria almoços na catedral de São Basílio, no Kremlin, na Dormição, aos pés de Nossa Senhora de Kazan? Serviria a Espanha pães e bolos na basílica do Escorial e em Santiago de Compostela? Fale-se com verdade, com direcção e com clareza: Portugal é um grande país e merece que o conheçam como grande país, mas não se comporta como grande país. 

Exige-se pedagogia básica, paciente, já quase infantil do patriotismo. Há que explicar a quem manda o que é Portugal. Parece haver quem julgue que este país - terra pequena que se fez imensa, condado que se ergueu império, povo que saiu da periferia para tornar-se agente maior da História - nasceu ontem e que, havendo nascido ontem, pode acomodar estas inconsciências de gente sem memória e respeito próprio. Ora, assim não é, e por isso exigimos - de nós e dos outros - a consideração devida aos povos graúdos. Uma coisa é certa: se o espectáculo deprimente de ontem - miúdos de países que não existiam há trinta anos enfardando no Panteão - não prova a absoluta urgência que fazia a Portugal uma Nova Portugalidade, nada provará. Sim, precisamos muito deste ministério da dignidade, da espinha e do patriotismo que é a NP. Para recordar os portugueses do que são e convencê-los a ajustarem correctamente o ângulo do queixo: frente aos nómadas do "empreendedorismo", sempre altaneiro; ante os grandes portugueses do passado, nossos avós e nossa inspiração, respeitosamente baixo.


DEUS - PÁTRIA - REI

sábado, 11 de novembro de 2017

São Martinho Tours, tornou-se intercessor e modelo de apostolado para todos nós


Nasceu em 316 na Panônia (atual Hungria), numa família pagã que da parte do pai (oficial do exército romano) fez de Martinho um militar, enquanto o Pai do Céu o estava fazendo cristão, já que começou a fazer o Catecumenato.
Certa vez quando militar, mas ainda não batizado, Martinho partiu em duas partes seu manto para dá-lo a um pobre, e assim Jesus aparece-lhe durante a noite e disse-lhe: “Martinho, principiante na fé, cobriu-me com este manto”. Então este homem de Deus foi batizado e abandonou a vida militar para viver intensamente a vida religiosa e as inspirações do Espírito Santo para sua vida.
Com a direção e ajuda do Bispo Hilário, Martinho tornou-se monge, Diácono, fundador do primeiro mosteiro na França e depois sacerdote que formava os seus “filhos” para a contemplação e ao mesmo tempo para a missão de evangelizar os pagãos; diferenciando-se com isso dos mosteiros do Oriente.
Por ser fiel no pouco, São Martinho recebeu o mais, que veio com a sua Ordenação para Bispo em Tours. Isto não o impediu de fundar ainda muitos outros mosteiros a fim de melhor evangelizar sua Diocese. Entrou no Céu em 397.
São Martinho de Tours, rogai por nós!

Vasco da Gama: o Homem

Foto de Nova Portugalidade.


Apesar de ser conhecido essencialmente pela viagem de descobrimento do caminho marítimo para a Índia em 1498, importa conhecer a vida do homem que muitas vezes se obscurece atrás do brilho dessa épica demanda. 

Vasco da Gama terá nascido na vila de Sines, muito provavelmente no ano de 1469. O seu pai pertencia ao círculo da Casa Ducal de Viseu e detinha um lugar na Ordem de Santiago, além de ter ocupado também o cargo de alcaide-mor e capitão da vila de Sines. A sua mãe, Isabel de Sodré, provinha de uma família com uma longa tradição de ligação com a Ordem de Cristo. 

Escasseiam elementos acerca dos primeiros anos da vida de Vasco da Gama. Sabe-se que em inícios da década de 1490 era já cavaleiro da Ordem de Santiago e fidalgo pertencente à Casa Real. O primeiro momento de relevo assinalável data de 1492, quando, por ordem do “Príncipe Perfeito”, Vasco chefiou a apreensão dos navios franceses nos portos de Setúbal e do Algarve, como consequência da tomada de um navio português por forças francesas.

Não são inteiramente claras as razões que levaram D. Manuel I a escolher Vasco da Gama como capitão-mor da armada a ser enviada à Índia. A cronística coeva não permite compreender o porquê da escolha de um fidalgo aparentemente pouco conhecido para chefiar uma expedição de tal magnitude para o projecto imperial manuelino, limitando-se a apresentar os aspectos óbvios: segundo os cronistas, Vasco da Gama era um jovem que poderia perfeitamente enfrentar os perigos daquela viagem. O que hoje se admite é que esta escolha estaria relacionada com negociações levadas a cabo entre as diferentes facções políticas presentes na Corte, algumas das quais opostas ao envio da armada ao Índico, bem como ao facto do Rei português pretender não tanto um marinheiro experiente, mas sim um diplomata que estabelecesse relações com o chefe de Calecute. 

Independentemente dos motivos concretos, Vasco da Gama foi escolhido para capitanear a armada que zarpou de Lisboa a 8 de Julho de 1497 e chegou a Calecute a 18 de Maio de 1498. A viagem de regresso seria recheada de perigos e contratempos, mas, finalmente, a frota abarcou em Lisboa entre Julho e Agosto de 1499. 
D. Manuel ficou entusiasmadíssimo ao saber do sucesso da viagem, e depressa outourgou mercês a Vasco da Gama. Assim, este tomou lugar no Conselho Real, foram-lhe concedidos os títulos de Dom e de Almirante da Índia, e foi-lhe atribuída ainda a prerrogativa de enviar anualmente à Índia 200 cruzados para comércio próprio livre de tributação. Por alvará de Dezembro de 1499 foi-lhe igualmente concedida a posse hereditária da vila de Sines e dos seus rendimentos, o que levou a uma disputa com a Ordem de Santiago que detinha a posse da dita vila. Em 1501, Vasco da Gama desposou D. Catarina de Ataíde, ligando-se por esta via a duas importantes famílias do Reino, os Ataídes e os Almeidas. 

Durante os anos que se seguiram à viagem inicial foram enviadas duas outras expedições à Índia, em 1500 e em 1501, comandadas respectivamente por Pedro Alvares Cabral e João da Nova. A respeito da armada organizada em 1502, os cronistas coevos referem que o comando desta fora inicialmente dado a Pedro Álvares Cabral, acabando, todavia, por lhe ser retirado e entregue a Vasco da Gama. 

Entrando de regresso em Lisboa em 1503, Vasco da Gama foi numa fase inicial principescamente recebido, em virtude dos seus sucessos nas negociações com a Índia. O ouro pago em tributo pelo governante de Quíloa foi entregue a D. Manuel, tendo o Almirante da Índia sido agraciado com novas mercês. Contudo, as relações de Vasco da Gama com a Coroa parecem ter rapidamente perdido a harmonia. Têm sido apontados como factores determinantes deste afastamento os relatos que se foram conhecendo da excessiva violência empregada pelo Almirante na sua viagem de 1502, os rumores das riquezas que acumulara e, sobretudo, o descontentamento da Coroa com o comportamento de Vicente Sodré que, ficando na Índia com o objectivo de defender os interesses portugueses, naufragara perto do Mar Vermelho, aonde se dirigira numa tentativa infrutífera de capturar embarcações muçulmanas, permitindo o ataque das forças do Samorim de Calecute à feitoria portuguesa de Cochim. 

Para mais a disputa com a Ordem de Santiago pela posse de Sines arrastou-se, acabando Vasco da Gama por ser intimado pelo Rei a abandonar a vila. O Almirante recolheu-se primeiramente a Évora e mais tarde a Niza e Lisboa, de onde procurou reaproximar-se de D. Manuel e consolidar a sua posição social. Por volta de 1518, esse esforço levou-o a peticionar junto do Rei para que lhe fosse concedido o título nobiliárquico de Conde, pedindo autorização para deixar o Reino caso tal não lhe fosse concedido. No ano seguinte, Vasco da Gama adquiriu do duque de Bragança as terras da Vidigueira e Vila de Frades sendo que, após esta doação, em Dezembro de 1519, D. Manuel nomeou-o Conde da Vidigueira. 

O percurso de ascensão social de Vasco da Gama atingiu assim a sua cúspide e a sua importância no panorama político do Reino ganhou novo fôlego com a subida ao trono de D. João III, em 1521. Três anos mais tarde Vasco da Gama rumava novamente à Índia, desta vez para assumir o governo do Estado da Índia e o título de vice-Rei. 

Chegado a Cochim, Vasco da Gama adoeceu e acabou por falecer nesta cidade na véspera de natal de 1524.O seu nome só seria realmente propagado com a elaboração dos "Lusíadas" de Camões, obra que lhe deu um destaque e notoriedade que perduraram pelos séculos e se mantêm até hoje. 

Miguel Martins


Nova Portugalidade

O banquete de peixe: quando Dom Sebastião assombrou Filipe II

Foto de Nova Portugalidade.


Coube a Frei Bernardo da Cruz, capelão-mor da armada portuguesa, deixar-nos na Crónica de El-Rei Dom Sebastião a memória de um dos mais prodigiosos acontecimentos gastronómicos da petite-histoire portuguesa do século XVI.

Na quadra natalícia de 1576, germinava já o magno plano de uma campanha militar em África, Dom Sebastião de Portugal e o seu tio Filipe II de Espanha encontraram-se em Guadalupe, povoado situado na Estremadura espanhola, para lá de Cáceres. Como ditava o protocolo, cabia ao anfitrião presentear o real hóspede com um lauto banquete de acolhimento, e ao convidado retribuir com um novo banquete por ocasião da sua partida.

Como era prática, a quadra festiva da celebração do nascimento de Jesus Cristo era marcada por imoderado consumo de viandas, doçarias e vinhos, a que se seguia uma semana de dieta que interditava alimentos provenientes dos matadouros, quaisquer que estes fossem, até mesmo aves e enchidos. Dom Sebastião, colocado perante o dilema de não poder servir carnes à corte espanhola, pediu parecer aos seus conselheiros eclesiásticos, que logo encontraram uma solução concordante com os preceitos religiosos, mas que exigia uma pesada logística num tempo em que não havia meios outros que o sal para preservar os alimentos, e as especiarias para dissimular a sua degradação. A comitiva portuguesa saiu de Lisboa no dia 11 de Dezembro e, dias depois, uma imensa caravana de mulas seguiu na peugada do Rei português. Felizmente, fazia um frio seco e inclemente que favorecia a carga colocada no dorso dos animais. A coluna deslocava-se dia e noite sem parar, sendo preciso que se renovassem os animais de carga. Finalmente, dias depois do Natal, chegaram a Guadalupe.

Grande expectativa e curiosidade havia no círculo do Rei de Espanha. Como podia Dom Sebastião mostrar-se digno da sua condição de grande Príncipe cristão se se estava em semana de dieta rigorosa?

Trancaram-se em rigoroso segredo os cozinheiros e criados nas grandes cozinhas do Mosteiro de Guadalupe e ali estiveram um dia e uma noite a preparar o banquete. Quando, finalmente, se abriram as portas da cozinha e a procissão de criados transportou para a grande sala onde estavam os Reis e a alta nobreza das duas Coroas, o assombro foi geral. Dom Sebastião serviu ao Rei espanhol 190 pratos de peixe, marisco, ostras, guisados e pastéis de legumes, fritos, cozidos, conservas imersas em escabeche, numa tão grande gama de iguarias que a todos deixou deslumbrados. Após o sardapalesco e interminável jantar de peixe e marisco, entrou nova maré de sabores, desta vez doces nunca antes provados pelos palatos espanhóis.

Tão farta era a mesa que, vendo estoirados o Rei e grandes de Espanha, Dom Sebastião mostrou que faltava demonstar uma vez mais a sua qualidade de Príncipe Cristão, mandando chamar toda a população da vila de Guadalupe para distribuir o manjar real.

Miguel Castelo-Branco

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A Rússia czarista era um caso de sucesso

Foto de Miguel Castelo Branco.

A primeira Duma russa foi eleita em 1906. Eleições livres, com liberdade de imprensa, liberdade absoluta para partidos, candidatos e programas num império que depois a mentira bolchevista quis fazer crer tratar-se de uma autocracia que espezinhava direitos e perseguia e condenada ao exílio a nata da inteligência. Uma mentira em que muitos persistem, repetindo à exaustão esse mito e quase desculpando as atrocidades dos sovietes, de niilistas e demais dinamitistas. A verdade - importa lembrá-lo - é que dessas eleições saiu uma assembleia dominada pelos Liberais (179 deputados), com forte presença das nacionalidades não-russas do Império (121 deputados), Trabalhistas (94 deputados), Conservadores Outubristas (17 deputados) e representantes da extrema-direita (15 deputados). A Rússia passaria os sete anos subsequentes numa espiral de crescimento económico, desenvolvimento industrial e explosão de iniciativa individual que só encontraria paralelo no actual "milagre chinês". Se a Primeira Guerra não tivesse eclodido, nunca o país se precipitaria na tirania comunista. Não só a oposição direitista às reformas do czar se foi esbatendo com o aumento da prosperidade, como os grupúsculos comunistas se foram eclipsando um a um ao longo desses anos de glória económica. 

A Rússia imperial iria, pois, transformar-se num regime representativo se um acontecimento fortuito não se tivesse atravessado no caminho. O comunismo foi uma involução tremenda, um recuo de 70 anos na libertação dos russos, pois voltou a fazer tábua-rasa da cidadania, da lei e dos direitos de expressão, associação e propriedade. A Rússia de 1906-1913 era um Estado europeu. A Rússia de 1991 vegetava no despotismo "asiático".




Dona Carlota Joaquina

Foto de Nova Portugalidade.

A lenda negra de Carlota Joaquina

Mentiras da História de Portugal

Li em tempos As Lobas do Escorial, de Michel del Castillo, verdadeiro novelo erótico-paródico e dei-me conta das flagrantes similitudes com muita da panfletagem posta a circular nas décadas de 1830 e 1840 contra uma das mais inteligentes, argutas e politizadas mulheres de finais do Antigo Regime em Portugal e Espanha. Carlota Joaquina, infanta de Espanha, Princesa Real de Portugal e, depois, Rainha de Portugal, uma das mais ridicularizadas e caricaturadas figuras desse extraordinário momento de transição da ordem antiga para o Liberalismo, merece sem dúvida um lugar destacado na história da difamação. Não obstante terem sido impugnadas as lendas e acintes contra ela postos a circular por uma sub-literatura inquinada a extremos de pornografia - vide Sara Marques Pereira, D. Carlota Joaquina e os Espelhos de Clio, Lisboa, Livros Horizonte, 1999 - persiste a lenda de uma mulher desbragada, desequilibrada, presa de furores de uma Messalina, matéria quente que comprova o sucesso antecipado dos enredos baixos; espelho, afinal, da irresistível atracção que as pessoas vulgares têm pelo sórdido.

Conhecidas são as Cartas Inéditas de Carlota Joaquina, editadas por Francisca Nogueira de Azevedo. Ali, não há vislumbre de loucura, de desequilíbrio nem qualquer palavra que indicie o estendal de imundície que logo se instituiria.

Tratando-se de uma das principais protagonistas da intriga política que culminaria com a invasão de Portugal e Guerra Civil entre legitimistas e pedristas, sempre me questionei sobre o lugar e o papel de Carlota Joaquina nesse crisol de ódios caseiros [inspirados e pagos de fora] e que culminou com a instauração de uma nova ordem política na década de 1830. Não, uma figura insignificante, medíocre e torpe não poderia ter alcançado o lugar que Carlota Joaquina ocupou ao longo de quase duas décadas. O ódio contra ela foi crescendo, atingindo culminâncias após a sua morte e continuando a acastelar-se de anedotas e piadas ao longo de um século - vide de Francisco de Assis Cintra, Os Escândalos de Carlota Joaquina, 1934; vide Laurentino Gomes, 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil, Rio de Janeiro, Planeta, 2007 - a tal ponto que se converteu em anexim do partido derrotado. O século XIX foi particularmente cruel com as mulheres - que haviam dominado o século XVIII - e a ordem burguesa triunfante tratou de as reduzir a mínimos de visibilidade, inteligência e importância, pelo que Carlota Joaquina - por ser mulher, por ser política, por ser tenaz e, também, por ser espanhola - reuniu o complexo de medos e preconceitos de uma nova sociedade.

A lenda negra de Carlota Joaquina tem por promotor um tal Jose Prezas, aventureiro espanhol que em 1808 se insinuou junto da Corte e passou a ocupar funções de secretariado da então Princesa Real no Rio de Janeiro. Tratava Prezas de todas as matérias atinentes à relação de Carlota Joaquina com a agitada vida da corte espanhola, num momento em que se iniciava em Espanha - por força da aliança com Napoleão, logo transformada em ocupação francesa - uma sangrenta luta pelo poder. Carlota Joaquina tinha ambições e estava decidida a jogar toda a sua capacidade na ocupação da regência espanhola. Era uma ardente defensora a ordem antiga, mas temperada pela leitura e alguma curiosidade pelo Iluminismo católico. Ferozmente anti-revolucionária, não era contudo uma imobilista. Na sua correspondência evidencia-se a capacidade de procurar compreender o que estava em curso na Europa pós-1789, havendo até na sua correspondência curiosas notas e reflexões sobre a possibilidade de dominar o curso dos acontecimentos por meio de concessões negociadas com sectores aberturistas do Antigo Regime e com os homens de "ideias avançadas" (liberais). Não deixa, porém, de ser uma evidência que era uma fiel depositária de um conceito de ordem política centrada na Coroa, uma católica devota e uma inimiga declarada de forças obscuras cuja menção se nos afigura desnecessário referir. Ora, entre 1808 e 1812 (Cortes de Cádis), Prezas foi o confidente da Princesa Real. Em Cádis decidiu-se que a regência passaria para um orgão colegial - Conselho de Regência - e não para um Príncipe/ Princesa de sangue, pelo que Carlota Joaquina abandonou as suas pretensões. Prezas, subitamente desempregado, passou a exercer chantagem sobre a sua benfeitora, pedindo-lhe uma pensão por serviços prestados. Carlota Joaquina sacudiu a criatura, não temeu as ameaças. De secretário, Prezas transformou-se em inimigo e partiu, convertendo-se em apóstolo das "novas ideias", coisa não rara noutros momentos da história, quando rancores, ódios, invejas comezinhas se coroam de princípios para melhor se justificarem. Assim foi com Junqueiro contra D. Carlos e até com Herculano contra o Portugal Antigo.

A obrazinha de Prezas seria publicada em França em 1827 (Memorias secretas de la Princeza del Brazil) pelo editor Carlos Lavalle e Sobrinho. Brest era, na França que antecedeu a Revolução de Julho (1830), um viveiro de imprensa anti-monárquica. A edição das Memórias Secretas - correspondência apócrifa do punho de Prezas - transformou-se num dos estandartes dos "exilados". Paga por Mendizábal, foi acolhida com grande júbilo. Não se compreende como D. Pedro, filho de Carlota Joaquina, pôde dar assentimento a tal repugnante ultraje à memória da sua mãe, entretanto já falecida. Como sempre digo a um bom amigo, a política é coisa perigosa como repugnante - um Minotauro sem alma e sem princípios - mas há limites para a indecência.

Miguel Castelo-Branco


Nova Portugalidade


Recordando João Ferreira Rosa - Tributo


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

JANTAR DOS CONJURADOS 2017

Foto de Luis Barata.

A Causa Real convida todos os portugueses a celebrar a Restauração da Independência de Portugal, com a Família Real.

Para informações e inscrições: