quarta-feira, 24 de junho de 2015
terça-feira, 23 de junho de 2015
Alegria - O motivo da mudança | O que somos e o que queremos ser
Quando existe tempo para reflectir ou mesmo sentir, normalmente é quando se estabelecem as melhores conclusões. Quando existe esse tempo, por exemplo em período de repouso ou de férias, e nos deparamos com o Portugal profundo, do Alto Minho ao Alentejo e depois ainda o Algarve, composto pelo nosso povo, as nossas gentes, as ermidas seculares, os castelos da reconquista aos mouros, os monumentos, os padrões portugueses, as estátuas evocativas do nosso passado inspirador, os trajes, as tradições, as estórias e as histórias da História portuguesa, os legados, o folclore, a nossa música, a atitude portuguesa, a gastronomia, a vinicultura, as belas praias e paisagens, etc, etc, qualquer um que seja minimamente sensível sente, neste contexto de especificidade lusa, a indesmentível ligação ao nosso passado, aos nossos Reis. É impossível não constatar essa afinidade! Existe, até mesmo de facto, um nexo causal, um elo, ainda hoje fortíssimo, que une esse Portugal quase milenar aos seus Reis. Pensar sobre este País é inevitável ter sempre de contar com os Reis dos portugueses.
Todavia, o Rei não se encontra hoje entre nós. O Portugal dos Mares e das Descobertas, do azul e branco deixado por Afonso Henriques e Sancho I, foi (a)tingido por um manto vermelho que traduz pouco orgulho, pouca alegria e, acima de tudo, pouquíssima ligação àquele nosso passado, não nos indicando o melhor caminho para sermos, ao menos, quem sempre fomos. Separaram os portugueses daquele que lhes deu identidade.
Desde 1910 que o eixo directo a Aljubarrota, bem como à aventura dos Descobrimentos, foi interrompido, e presentemente, em república, na sua terceira versão de regime, é como se fingíssemos continuar jogar o mesmo Jogo da Glória, jogo que uma vez a teve mas que agora já não a tem, como uma criança a jogar ao Super Mario Bros. numa consola, mas sem ter o Super Mario.
Carecemos, pois, de nos repensar enquanto colectivo para que possamos ter a certeza se queremos continuar como estamos ou, ao menos, tentar, termos a ousadia de procurar uma alternativa que nos estimule novamente, que nos devolva a esperança, o orgulho e, sobretudo, a alegria de sermos portugueses como já prosperamente fomos. Neste contexto, nada como recordar as sintomáticas palavras de Miguel Villas-Boas que falava acerca da alegria de estar perante o nosso Rei, uma alegria que um monárquico sente (e que já tive a fortuna de sentir) mas que um português clarificado e esclarecido com o seu passado e com o seu presente também não pode deixar de sentir: «Passava Ele e com Ele passavam a Reconquista, Aljubarrota, as Descobertas, as Caravelas, a Restauração… eis Sua Majestade que Nele contém a História de Portugal!».
Como um dia escrevi: Alegria só em Monarquia!
PPA
Fonte: Incúria da Loja
OS BRASÕES DA SALA DE SINTRA



Os Brasões da Sala de Sintra
O Rei Dom Manuel I, o Venturoso (1495 a 1521), foi quem fez reunir pelo reino de Portugal todos os brasões, insígnias e letreiros, para acabar com o livre arbítrio no uso das armas e concessão de brasões. Com este material, transcrito e falado, planeou fazer um livro onde fossem pintados os brasões. Consta que existiram três livros de brasões, dos quais restaram apenas dois. O Livro Antigo dos Reis d’Armas, escrito por António Godinho, escrivão da Câmara Real, teria desaparecido quando um terremoto destruiu o Cartório da Nobreza. Restaram o Livro do Armeiro-Mor, datado de 15 de agosto de 1509, escrito por João Rodrigues, Rei de Armas de Portugal e o Livro da Torre do Tombo, escrito pelo Bacharel Antonio Rodrigues, também Rei de Armas de Portugal.
Após a conclusão da obra o Rei mandou pintar o tecto da Sala dos Brasões no Paço Real de Sintra, actualmente denominado Palácio Nacional de Sintra, com os brasões das 72 principais famílias lusas da época, ilustres em honra, história e bens. A execução ocorreu entre os anos de 1515 e 1520 e todos os brasões estão assentes no ventre de veados, sobre cujas cabeças repousa o timbre de cada família. No centro do tecto da sala, que mede 14 por 13 metros, encontram-se as armas do Rei, circundadas por seis brasões portugueses representando sua descendência masculina (os príncipes) e dois brasões em lisonja representando a sua descendência feminina (as princesas). Abaixo destes estão os setenta e dois brasões da mais notável nobreza da época, dispostos em ordem de importância.
A – Armas do Rei Dom Manuel I, B – Infante Dom João, C – Infante Dom Luís, D – Infante Dom Fernando, E – Infante Dom Afonso, F – Infante Dom Henrique, G – Infante Dom Duarte, H – Infanta Dona Isabel, I – Infanta Dona Beatriz
1 – Família Noronha, 2 – Família Coutinho, 3 – Família Castro, 4 – Família Ataíde, 5 – Família Eça, 6 – Família Meneses, 7 – Família Castro (da Penha Verde), 8 – Família Cunha, 9 – Família Sousa, 10 – Família Pereira, 11 – Família Vasconcelos, 12 – Família Melo, 13 – Família Silva, 14 – Família Albuquerque, 15 – Família Andrade, 16 – Família Almeida, 17 – Família Manuel, 18 – Família Febos Moniz, 19 – Família Lima, 20 – Família Távora, 21 – Família Henriques, 22 – Família Mendonça, 23 – Família Albergaria, 24 – Família Almada, 25 – Família Azevedo, 26 – Família Castelo-Branco, 27 – Família Abreu, 28 – Família Brito, 29 – Família Moura, 30 – Família Lobo, 31 – Família Sá, 32 – Família Corte-Real, 33 – Família Lemos, 34 – Família Ribeiro, 35 – Família Cabral, 36 – Família Miranda, 37 – Família Tavares, 38 – Família Mascarenhas, 39 – Família Sampaio, 40 – Família Malafaia, 41 – Família Meira, 42 – Família Aboim, 43 – Família Carvalho, 44 – Família Mota, 45 – Família Costa, 46 – Família Pessanha, 47 – Família Pacheco, 48 – Família Sotomaior, 49 – Família Lobato, 50 – Família Teixeira, 51 – Família Valente, 52 – Família Serpa, 53 - Família Gama, 54 – Família Nogueira, 55 – Família Bethancourt, 56 – Família Góis, 57 – Família Pestana, 58 – Família Barreto, 59 – Família Coelho, 60 – Família Queiroz, 61 – Família Ferreira, 62 – Família Sequeira, 63 – Família Cerveira, 64 – Família Pimentel, 65 – Família Góis, 66 – Família Arca, 67 – Família Pinto, 68 – Família Gouveia, 69 – Família Faria, 70 – Família Vieira, 71 – Família Aguiar, 72 – Família Borges
A – Armas do Rei Dom Manuel I, B – Infante Dom João, C – Infante Dom Luís, D – Infante Dom Fernando, E – Infante Dom Afonso, F – Infante Dom Henrique, G – Infante Dom Duarte, H – Infanta Dona Isabel, I – Infanta Dona Beatriz
1 – Família Noronha, 2 – Família Coutinho, 3 – Família Castro, 4 – Família Ataíde, 5 – Família Eça, 6 – Família Meneses, 7 – Família Castro (da Penha Verde), 8 – Família Cunha, 9 – Família Sousa, 10 – Família Pereira, 11 – Família Vasconcelos, 12 – Família Melo, 13 – Família Silva, 14 – Família Albuquerque, 15 – Família Andrade, 16 – Família Almeida, 17 – Família Manuel, 18 – Família Febos Moniz, 19 – Família Lima, 20 – Família Távora, 21 – Família Henriques, 22 – Família Mendonça, 23 – Família Albergaria, 24 – Família Almada, 25 – Família Azevedo, 26 – Família Castelo-Branco, 27 – Família Abreu, 28 – Família Brito, 29 – Família Moura, 30 – Família Lobo, 31 – Família Sá, 32 – Família Corte-Real, 33 – Família Lemos, 34 – Família Ribeiro, 35 – Família Cabral, 36 – Família Miranda, 37 – Família Tavares, 38 – Família Mascarenhas, 39 – Família Sampaio, 40 – Família Malafaia, 41 – Família Meira, 42 – Família Aboim, 43 – Família Carvalho, 44 – Família Mota, 45 – Família Costa, 46 – Família Pessanha, 47 – Família Pacheco, 48 – Família Sotomaior, 49 – Família Lobato, 50 – Família Teixeira, 51 – Família Valente, 52 – Família Serpa, 53 - Família Gama, 54 – Família Nogueira, 55 – Família Bethancourt, 56 – Família Góis, 57 – Família Pestana, 58 – Família Barreto, 59 – Família Coelho, 60 – Família Queiroz, 61 – Família Ferreira, 62 – Família Sequeira, 63 – Família Cerveira, 64 – Família Pimentel, 65 – Família Góis, 66 – Família Arca, 67 – Família Pinto, 68 – Família Gouveia, 69 – Família Faria, 70 – Família Vieira, 71 – Família Aguiar, 72 – Família Borges
PUBLICADA POR REAL ASSOCIAÇÃO BEIRA LITORAL
EX-PRESIDENTES VÃO CUSTAR MAIS DE UM MILHÃO DE EUROS POR ANO

Todos os ex-presidentes utilizam gabinetes e assessores pagos pelo Orçamento do Estado. E têm direito a carro e assessores.
Quando deixam de ser presidentes - à semelhança do que acontece noutros países -, os chefes de Estado têm algumas regalias. Ao que o DN apurou - apesar dos custos serem variáveis de ano para ano -, em média cada presidente gasta 300 mil euros anuais. Juntando Cavaco Silva a partir de Março de 2016, os gastos vão passar de cerca de 900 mil euros anuais (de Soares, Eanes e Sampaio) para 1,2 milhões.
Os direitos dos ex-presidentes incluem - a partir do momento em que cessam funções - uma subvenção mensal igual a 80% do vencimento do presidente da República. Ou seja: 5335 euros ilíquidos.
Ao contrário de outras, esta subvenção - em caso de ser aceite - é acumulável com "pensões de aposentação, de reforma, de sobrevivência ou a remuneração na reserva a que o respectivo titular tenha igualmente direito". Mas nem sempre foi assim. Em 1984 Mário Soares aprovou a lei - e Eanes promulgou- que não permitia a um ex-presidente acumular reformas. Só em 2008 a lei mudou.
Com a mudança legislativa, Ramalho Eanes passou a ter direito a mais de um milhão de euros em retroactivos. O Estado tentou pagar, mas o ex-presidente recusou.
Ainda assim os gastos com ex--chefes de Estado devem rondar os 1,2 milhões anuais a partir de 2016. Além das subvenções vitalícias, há os gastos com os gabinetes a que - por lei - todos têm direito. E usam-no. O orçamento da Presidência paga assim o apartamento de Ramalho Eanes nas Avenidas Novas, ajuda a pagar uma parte das despesas da Fundação Mário Soares, junto ao Parlamento, bem como os custos do gabinete de Jorge Sampaio, que ocupa a Casa do Regalo, no topo da Tapada das Necessidades.
Publicado por Rui Pedro Antunes no Diário de Notícias
PUBLICADA POR REAL ASSOCIAÇÃO BEIRA LITORAL
segunda-feira, 22 de junho de 2015
RECOLHA DE ASSINATURAS PARA REFERENDAR ACORDO ORTOGRÁFICO
Os promotores de uma Iniciativa de Referendo ao Acordo Ortográfico lançaram esta sexta-feira uma campanha de recolha das 75 mil assinaturas necessárias para que o Parlamento vote este projecto de lei. Manuel Alegre, Pacheco Pereira, Bagão Félix e Garcia Pereira são alguns dos políticos que integram a lista de mandatários.
Um grupo de cidadãos, entre os quais se contam políticos de vários quadrantes, escritores, artistas, cientistas e outras figuras públicas, lançou esta sexta-feira uma Iniciativa de Referendo (IR) ao Acordo Ortográfico (AO), que se encontra agora na fase de recolha de assinaturas.
Manuel Alegre, António Arnaut e Helena Roseta, da área do PS, Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite e Mota Amaral, do PSD, ou Bagão Félix e António Lobo Xavier, do CDS, são alguns dos políticos que aceitaram ser mandatários desta iniciativa, que vem dar cumprimento a uma moção aprovada no Fórum Pela Língua Portuguesa, realizado em Abril passado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Para que o projecto de lei de referendo ao AO seja obrigatoriamente votado no Parlamento, será necessário reunir 75 mil assinaturas, um objectivo que o jurista Artur Magalhães Mateus, porta-voz da comissão executiva da IR, acredita que irá ser atingido, ainda que critique a discrepância entre este número e as 7500 assinaturas que a lei exige a quem pretenda candidatar-se a Presidente da República.
O facto de uma anterior petição contra o AO ter reunido mais de 110 mil assinaturas sugere que a tarefa é exequível, mas já não será provavelmente tão fácil, tendo em conta os anteriores momentos em que o Acordo foi à Assembleia da República (AR), conseguir que esta vote favoravelmente a realização do referendo.
É por isso que os responsáveis desta Iniciativa de Referendo insistem na necessidade de os cidadãos levarem os políticos a assumir compromissos nesta matéria. “Estamos em vésperas de eleições legislativas e na antevéspera das presidenciais, e é preciso que os candidatos a deputados e os candidatos à Presidência da República compreendam que há uma maioria de cidadãos portugueses para quem a questão do Acordo Ortográfico é muito importante”, diz Magalhães Mateus.
Reconhecendo que nem o Presidente da República em exercício nem a AR na sua actual composição “deram seguimento” às anteriores tentativas de travar a aplicação do AO em Portugal, o porta-voz desta iniciativa afirma “depositar esperanças no próximo Presidente e nos próximos deputados”.
Daí que este jurista considere essencial conseguir que um e outros se comprometam já a fazer o que estiver ao seu alcance para travar o AO. E Mateus recorda que um dos candidatos presidenciais, Henrique Neto, “já fez uma declaração específica, afirmando que se for eleito sujeitará a entrada em vigor do tratado do AO a um período de suspensão de cinco anos”, para debate e consulta a especialistas.
Um dos argumentos dos adversários do Acordo é justamente o de que este foi aprovado contra o juízo da esmagadora maioria dos especialistas. Entre 2005 e 2008, no período que culminaria com a aprovação pelo Parlamento português do 2.º Protocolo Modificativo do AO, foram pedidos pareceres a 27 personalidades e instituições, dos quais 25, recorda-se nesta Iniciativa de Referendo, “foram negativos em relação à ratificação”.
Se elogia Henrique Neto, Magalhães Mateus não hesita em censurar Sampaio da Nóvoa. “Diz que é exigir de mais pedirem-lhe que escreva pelo Acordo, mas não se pronuncia a respeito de essa mesma exigência ser feita a crianças em idade escolar e a funcionários públicos”.
Com uma comissão organizadora formada por Cristina Pimentel, Helena Buescu, Ivo Miguel Barroso, Maria Filomena Molder e Teresa Cadete, esta Iniciativa de Referendo inclui entre os seus mandatários, para lá dos políticos já referidos, figuras como o ensaísta Eduardo Lourenço, o penalista Manuel da Costa Andrade, o ex-ministro da Cultura José Sasportes, o jurista, e dirigente do MRPP, Garcia Pereira, o cineasta António-Pedro Vasconcelos, o sexólogo Júlio Machado Vaz, os jornalistas Miguel Sousa Tavares e Constança Cunha e Sá, os poetas e críticos Gastão Cruz e Pedro Mexia, o maestro António Victorino de Almeida, o músico Pedro Abrunhosa ou o escritor Afonso Reis Cabral, para citar apenas alguns.
Nomes aos quais se junta um vasto conjunto de académicos de diversas áreas disciplinares, como António Feijó, vice-reitor da Universidade de Lisboa, o teórico da literatura Vítor Aguiar e Silva, ex-reitor da Universidade do Minho, António Fernando Nabais, presidente da Associação Nacional de Professores de Português, o cientista Henrique Leitão, prémio Pessoa em 2014, e ainda o filólogo Fernando Paulo Baptista ou Francisco Miguel Valada, autores de obras sobre o AO.
Sublinhando que o que está em causa “não é referendar a língua portuguesa, mas sim a decisão de a alterar sem que se consultem os cidadãos”, Magalhães Mateus argumenta não ser impossível que mesmo os partidários do AO admitam subscrever esta IR, permitindo que as pessoas se pronunciem.
Admitindo que são recolhidas as assinaturas necessárias, que a proposta passa no Parlamento e que o Presidente da República promulga a lei, os portugueses serão então chamados a pronunciar-se. E se for aprovada a formulação proposta na IR, a pergunta colocada será esta: “Concorda que o Estado Português continue vinculado a aplicar o ‘Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa’ de 1990, bem como o 1.º e o 2.º Protocolos Modificativos ao mesmo Tratado, na ordem jurídica interna?”.
Se a maioria responder “não”, estará então aberto o caminho para Portugal se desvincular do tratado internacional do Acordo Ortográfico de 1990. Caberia ao Governo renegociá-lo e apresentar ao Parlamento uma proposta de resolução no sentido da desvinculação, e o Presidente da República teria depois de revogar os vários actos de ratificação anteriores.
Quem quiser subscrever a Iniciativa do Referendo, encontra as folhas de assinaturas disponíveis no sitehttps://referendoao90.wordpress.com/, bem como no grupo do Facebook Cidadãos contra o “Acordo Ortográfico” de 1990, cujo endereço é https://www.facebook.com/cidadaoscontraAO90?fref=ts.
Ao contrário do que sucedia na anterior petição contra o AO, que se podia assinar on line, sem quaisquer outras diligências, a lei impõe neste caso que as folhas de assinaturas sejam impressas e preenchidas com o nome, número de Bilhete de Identidade (ou de Cartão de Cidadão) e assinatura de cada subscritor. Uma logística mais complexa, que implica que as folhas, devidamente preenchidas, sejam digitalizadas (frente e verso) e enviadas por email parareferendoao90@gmail.com, ou, em alternativa, enviadas pelo correio para a Faculdade de Letras de Lisboa, ao cuidado de Maria Cristina Pimentel ou Helena Buescu.
Publicado por Luís Miguel Queirós no Jornal Público
PUBLICADA POR REAL ASSOCIAÇÃO BEIRA LITORAL
domingo, 21 de junho de 2015
PRIMEIRAS FOTOGRAFIAS DO PASSEIO DE ANIVERSÁRIO DA REAL DE LISBOA


Homenagen ao Rei Dom Carlos. João Távora, Presidente da Real Associação de Lisboa, e Carmo Pinheiro Torres, Secretária-Geral da JMP, depositam uma coroa de flores.




Real Quinta de Caxias
Assim se passou um sábado em passeio com a Real Associação de Lisboa nos seu XXVI aniversário. Dá Real Quinta de Caxias ao Palácio da Cidadela em Cascais.
PUBLICADA POR REAL ASSOCIAÇÃO BEIRA LITORAL
Mau Pelo, o cuidador da bandeira de D. Maria I em Timor-Leste

Memórias da monarquia portuguesa permanecem escondidas na selva timorense. Guardadas como tesouros durante a ocupação indonésia ou a invasão japonesa por um liurai, guardião das relíquias por herança familiar.
Mau Pelo, liurai timorense, 70 e tal anos – não sabe ao certo -, fato monárquico português que será do século XVIII, azul-escuro cruzado por duas faixas rosa, sujas, tem as mãos secas, finas e cheias de sulcos, apoiadas em duas bengalas. Está sentado numa cadeira de plástico, hirto, quase parece de cera, no interior de uma pequena casa de cimento, branca e azul, no topo de uma escada, também de cimento, com degraus íngremes e de uma altura que obrigam a uma subida pouco natural até lá cima.
Se calhar é propositado, para que nesta casa mais moderna imitem a altura dos degraus de madeira que se tem que subir para chegar à casa tradicional em si, a ‘Uma Lulik’, a casa sagrada, do outro lado do largo, em cuja sombra brincam quatro ou cinco miúdos. Mau Pelo vestiu-se propositadamente para receber a reportagem da Lusa, guiada nesta viagem ao passado por uma equipa do Arquivo e Museu da Resistência Timorense, em Díli, liderada por um seu familiar, Álvaro Rosário Vasconcelos.
O fato está desgastado, com as insígnias nos punhos a desfazerem-se, botões dourados, cada um com as armas de Portugal, as duas bengalas de madeira, decoradas com um punho também dourado, marcado por desenhos de flores e conchas.
Mas é quase um milagre que algo do século XVIII, que já esteve escondido em buracos em vários pontos de Timor-Leste, ainda esteja neste estado. Ou que sequer exista. Como é ainda mais milagroso que tenha sobrevivido, apesar do mau estado em que já se encontra, o que chama aqui os mais curiosos: uma bandeira de D. Maria I, enviada para Timor-Leste e que tem sido guardada, ao lado de vários documentos, esses ainda em pior estado, incluindo um alvará real.
O primeiro guardião destas relíquias foi Mau Dua, depois Manuel – “não tem nome gentio” – depois Mau Pelo. O seguinte chama-se Domingos Lemos e já ajuda o liurai a mostrar os documentos e a bandeira, a fazer a bênção com malus, areca e betel ao parente que serve de guia nesta viagem, Álvaro Rosário Vasconcelos. É também descendente directo da linhagem que deveria cuidar da bandeira, mas a honra ficou com Mau Pelo e quando este morrer passará para o jovem Domingos Lemos, que já é chefe de suco.
Ainda que hoje, como admite, os mais jovens liguem muito menos a estas coisas e os liurais estejam menos presentes na vida diária de Timor-Leste e dos timorenses. O culto à bandeira de Portugal, é um vínculo várias vezes celebrado por reinos timorenses que ainda hoje é, para muitos, algo incompreensível, mal percebido, mal interpretado.
Foi lido, erradamente, como um ato de resistência à ocupação indonésia quando, na prática, como esta bandeira desbotada e degradada o demonstra, já era um símbolo sagrado para os reinos timorenses muito antes, há vários séculos. Contam os Lia Na’in, os ‘pais’ da oralidade histórica e da ligação timorense ao seu passado, que as bandeiras representam alianças históricas, muitas vezes confirmadas com os inquebráveis pactos de sangue.
Fonte: Lusa
Publicada por Real Associação do Médio Tejo
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