quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Quatro mil anos de tradição indo-europeia

Foto de Nova Portugalidade.


Em Terra de Miranda, nos confins de Trás-os-Montes, resiste uma velha tradição cujos traços se perdem na noite dos tempos, reminiscência, talvez, das danças rituais guerreiras indo-europeias presentes em todas as comunidades agro-pastoris a partir da Idade do Ferro e da qual dão conta sucessivos testemunhos de Plínio, Estrabão e Tácito. Os antropólogos encontram similitudes entre os Pauliteiros e as danças que os mancebos da Grécia Antiga, da Roma republicana e da Germânia primitiva executavam por ocasião das festividades religiosas em honra dos deuses protectores dos guerreiros. Tais rituais subsistiram um pouco por toda a Europa até ao advento da era industrial - na Suíça, no sul de França, no País Basco - mas desapareceram assim que as sociedades camponesas entraram em colapso. 

A coreografia insere movimentos que lembram o adestramento militar - o ataque, a defesa, a agilidade - bem como a unidade ritmada. Nas mãos dos dançarinos, dois paus substituindo a espada e o punhal, simulam a luta corpo-a-corpo em que a espada interceptava e detinha a estocada, e o punhal assestava o golpe mortal no inimigo. O saio branco substitui a túnica, o colete lembra o peitoral em couro ou bronze e o chapéu com fitas coloridas evoca o capacete emplumado. As danças são ritmadas por tambores, acompanhados por gaitas-de-foles e adufes, instrumentos antiquíssimos entrados na Península Ibérica por volta do primeiro milénio a.C e já comuns entre os Celtiberos. As castanholas surgem no fim do combate e são executadas pelos bailadeiros-guerreiros como representação da alegria da vitória. 

Graças ao empenho das associações defensoras da identidade cultural dos povos de Miranda, os Pauliteiros são hoje um dos florões do folclore português, actuando um pouco por todo o mundo como embaixadores de um povo orgulhoso da sua exclusividade.

MCB



terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Da unidade galego-portuguesa

Foto de Nova Portugalidade.


"Poucos Galegos se teñen decatado do que Portugal é para nós. Portugal é a Galiza ceive e criadora, que levou polo mundo adiante a nosa fala e o nosso espírito, e inzou de nomes galegos o mapa do Mundo."

"Agora, o galego e o portugués son dúas formas dialectais do mesmo idioma: eso indica que nós temos un maior parentesco con Portugal do que com Castela. Tres falas, três civilizacións; nós pertencemos á civilización da banda occidental, e culturalmente, pois que asi é filoloxiamente, nada temos que ver coas outras dúas. Queiramos ou non, esto trábanos fortemente, estreitamente con Portugal e coa civilización portuguesa."

Vicente Risco, pensador, historiador e escritor galego

Monarcas portugueses antes de Dom Afonso Henriques: Garcia II da Galiza, o primeiro Rei de Portugal

Foto de Nova Portugalidade.


Atribui-se geralmente, por razão que é mais de simplificação histórica que de exactidão, a Dom Afonso, filho de Henrique e fundador do Portugal independente, a distinta honra de haver sido o primeiro a chamar-se a si mesmo Rei de Portugal. Mas essa é, como se dizia, simplificação bem-intencionada, prendendo-se ela com a necessidade de distinguir claramente o Portugal auto-determinado da Galiza-Leão do Portugal condado que lhe estava adstrito. Com efeito, três personalidades se haviam chamado a si mesmos Rei de Portugal antes de Dom Afonso se ter declarado Príncipe de Portugal (1128) e Rei dos Portugueses (1139). Nuno II, Conde de Portugal, Garcia II, Rei da Galiza e Teresa de Leão, mãe de Dom Afonso Henriques.

A separação entre Portugal e a Galiza-Leão não foi, como imaginará o leitor menos exigente, fenómeno súbito. Foi, pelo contrário, primeira manifestação da irrefreável tendência da nação portuguesa - e aqui, dizendo-se "portuguesa", diz-se galaico-portuguesa - para recentrar-se a sul. Nas vésperas do nascimento da monarquia lusa, o Condado de Portugal mostrava-se crescentemente como potência peninsular. Controlando larga extensão territorial do Minho ao Mondego, o Conde podia bem rivalizar, já por esta altura, com o seu soberano galego-leonês em poderio militar e força económica. Foi esse o motivo profundo das ambições portuguesas de independência, e independência foi o que tentou, décadas antes de Afonso Henriques, o último conde da Casa de Vímara. Reinava então em Guimarães Dom Nuno Mendes, que em 1070 se declarou Rei de Portugal. No ano seguinte, marchou contra Garcia II da Galiza, seu antigo soberano, em Pedroso. Foi ingrata a sorte das armas ao conde português, contudo, e este acabou clamorosamente batido. A batalha matou-o a si e a muito da sua hoste.

Vitorioso, Garcia II aboliu aquilo a que hoje se convenciona chamar o "primeiro condado de Portugal". Depois, no que pareceu reconhecimento de certa validade às pretensões de Mendes, declarou-se "Rei de Portugal e da Galiza". Preso mais tarde na sequência de uma rebelião, o monarca seria sepultado em 1090 como "R. DOMINUS GARCIA REX PORTUGALLIAE ET GALLECIAE. FILIUS REGIS MAGNI FERDINANDI. HIC INGENIO CAPTUS A FRATRE SUO IN VINCULIS. OBIIT ERA MCXXVIII XIº KAL. APRIL". A inscrição tumular, em latim, traduz-se como "Aqui jaz o Senhor Garcia, Rei de Portugal e da Galiza, filho do grande rei Fernando, que foi capturado pelo seu irmão com engano. Morreu preso a 22 de março de 1090." Fora o primeiro monarca a afirmar-se chefe de um reino concretamente português.

Sobre Teresa, que foi a primeira mulher a declarar-se Rainha de Portugal e a receber disso reconhecimento papal, escreveremos aqui futuramente.

RPB




segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Sua Majestade Dom João V

Foto de Monarchies of the World.

On this day, in the year 1707, Dom João V was acclaimed His Majesty, by the Grace of God, King of Portugal and the Algarves, before and beyond the sea in Africa, Lord of Guinea and of Conquest, Navigation, and Commerce of Ethiopia, Arabia, Persia, and India, our Lord, João, the fifth of that name in the table of the Kings of Portugal" in the balcony of the Ribeira Palace's Torre do Rei

He sat on a throne which ruled over an Empire which spanned four continents. His reign though plagued with many unsuccessful campaigns and conflicts with France and Spain was a successful one, mainly due to his reforms in government which centralised power and shifted power to the monarch away from the influential clergy and the nobility. 

His reign also prospered due to the riches brought forth from the mines in its colonies, mainly in Brazil. With the riches that came, he boosted the economy and funded many academies of arts and sciences. He was so beloved that he was nicknamed "the Magnificent," and "the Magnamious," he is even referred to as The Portuguese Sun King

He was also the first of the Portuguese monarchs to be granted the title Rex Fidelissimus - Most Faithful King i.e. Most Faithful Majesty, due to his constant and good relations with Pope Benedict XIV.

Sadly most of his reforms crumbled when he suffered a stroke and became partially paralyzed, thus leaving the centralised government as prey to his enemies. 

He died on 31 July 1750

Neste dia, no ano de 1707, Dom João V foi aclamado Sua Majestade, pela Graça de Deus, Rei de Portugal e Algarves, antes e além do mar na África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio de Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, nosso Senhor, João, o quinto desse nome na mesa dos Reis de Portugal "na varanda da Torre do Rei do Palácio da Ribeira
Sentou-se num trono que governava um Império que atravessava quatro continentes. Seu reinado, atormentado por muitas campanhas mal sucedidas e conflitos com a França e a Espanha, foi bem sucedido, principalmente devido às suas reformas no governo que centralizaram o poder e deslocaram o poder para o monarca longe do influente clero e da nobreza.
Seu reinado também prosperou devido às riquezas trazidas das minas em suas colônias, principalmente no Brasil. Com as riquezas que vieram, ele impulsionou a economia e financiou muitas academias de artes e ciências. Ele era tão amado que ele foi apelidado de "o Magnífico" e "o Magnamious", ele é até conhecido como The Sun Sun Sun
Ele também foi o primeiro dos monarcas portugueses a receber o título Rex Fidelissimus - Rei mais fiel, com a Majestade mais fiéis, devido às suas constantes e boas relações com o Papa Bento XIV.
Infelizmente, a maioria das suas reformas desmoronou quando ele sofreu um acidente vascular cerebral e ficou parcialmente paralisado, deixando assim o governo centralizado como presa de seus inimigos.
Ele morreu em 31 de julho de 1750


ACHA QUE CONHECE "A PORTUGUESA"?

Real Associação da Beira Litoral: ACHA QUE CONHECE "A PORTUGUESA"?: Acha que conhece A Portuguesa? Provavelmente, engana-se a si mesmo. Apenas a primeira de três partes do poema de Henrique Lopes de Mendon...

FELIZ 2018! A PORTUGALIDADE ESTÁ DE VOLTA, NOVA PORTUGALIDADE

Foto de Nova Portugalidade.


Dia Mundial da Paz

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