sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Carlos Seixas: Um grande compositor do Barroco português

Foto de Nova Portugalidade.

A tendência hoje dominante de votar a cultura portuguesa ao esquecimento produz uma camada de nevoeiro que oculta grandes nomes e génios do passado luso. Um deles foi Carlos Seixas, o grande compositor português do reinado de D. João V.

Nascido em Coimbra em 1704, veio mais tarde para Lisboa, onde foi admitido como organista na Santa Basílica Patriarcal de Lisboa e na Capela Real. Para além destas funções, compunha e ensinava cravo nas casas da corte. Embora Seixas tenha tido uma curta existência de apenas 38 anos, a somar ao facto de uma grande parte da sua obra ter desaparecido aquando do terramoto de 1755, o pouco que nos chegou apresenta-o como um compositor pleno de talento e um digno representante da escola portuguesa, tendo composto, segundo testemunhos da época, cerca de setecentas Sonatas. Além disto, era um exímio cravista. 

A sua inspiração mais forte parece ter sido no domínio da invenção melódica, em especial nos andamentos lentos e em alguns minuetes, onde encontramos verdadeiramente a alma portuguesa, a saudade, a ternura, e sobretudo uma grande simplicidade, denotando de forma clara a formação de uma escola de música portuguesa bem definida, que se distingue das outras na sua forma de expressão. Na música sacra, Seixas escreveu páginas de grande elegância, demonstrando uma grande mestria na escrita para vozes. O “Dixit Dominus” é uma obra majestosa e de grande riqueza vocal e instrumental.

Há ainda a referir o Concerto em Lá Maior para cravo e orquestra de cordas, que se poderá considerar como a sua obra emblemática, e que constitui um dos primeiros exemplos deste género em toda a Europa, apresentando-se assim como um contributo original para o Barroco musical europeu. Tendo em consideração o período em que foi composto, a primeira metade do século XVIII, pode ser considerado como um fruto do génio criador de Seixas. 

Com tamanho talento, é incompreensível o quão mal conhecido é o nome de Carlos Seixas, que está ao nível de um Vivaldi ou de um Haendel. É tempo de resgatar o lugar legítimo deste grande compositor português na galeria do Barroco europeu.


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