2. A maior discípula de Cristo
S. Agostinho (354-430), doutor da Igreja, como bispo de Hipona na actual Argélia, ensinava que Maria foi a mais fiel discípula de Cristo, porque cumpriu tudo o que Jesus ensinou. “Vale mais para Maria ter sido discípula do que mãe de Cristo”, enaltecendo suas glórias e grandezas.
No seguimento de S. Bernardo (1090-1153), autor da primeira regra dos Templários, Jesus e Maria são mel para os nossos lábios, música para os nossos ouvidos e alegria para nossos corações. “Felizes aqueles cuja vida se passa à sombra da protecção duma Mãe como Maria”, dizia o advogado, bispo, e santo doutor da Igreja, S. Afonso Maria de Ligório (1696-1787). Nossa Mãe espiritual vela continuamente por nós, pecadores, e muitas vezes, nem damos conta da Sua poderosa e eficaz protecção, tão dedicada e carinhosa Ela é. Ó Maria, pedia S. Bernardo, guardai-me e defendei-me sempre, como coisa e propriedade Vossa. Sendo Maria linha recta para chegar até ao Senhor Jesus, muitos se fazem servos, escravos e filhos de Maria.
S. Geraldo Majela (1726-1755), nascido perto de Nápoles, considerava-se pertença de Maria, “pertenço à Senhora”, dizia ele. Com sete anos recebera a Comunhão do Corpo de Cristo, através do arcanjo S. Miguel, pois era muito pequeno e só lhe deram o Pão Eucarístico pelos dez anos. Este grande amigo de Jesus, como redentorista, passava grande parte da noite a adorar o Senhor no Santíssimo Sacramento do Seu amor.
Nos
Templários, além da cavalaria de defesa dos cristãos, existia a cavalaria espiritual, com espiritualidade mais intensa (Cf. G. Ziegler, Les Templiers et la Chevalerie Spirituelle, Paris, 1973).
3. Dores de Maria, nossa Mãe
Sete espadas de dor:
1ª. – Na fuga para o Egipto com o Menino Jesus e S. José.
2ª. – Na profecia de Simeão no templo.
3ª. – Na perda de Jesus com doze anos no templo.
4ª. – Encontro com Jesus no caminho do Calvário.
5ª. – Na crucifixão do Senhor.
6ª. – Com Jesus morto nos seus braços.
7ª. – Nas horas de dor, antes da Ressurreição.
(Poderíamos indicar uma 8ª. Dor e muitos sofrimentos, nas maternais dores pelos filhos actuais.)
Frei Tomé de Jesus (1529-1582), religioso agostiniano que ficou aprisionado como escravo em Alcácer-Quibir, no seu livro Trabalhos de Jesus, deixou escrito – “Maria, desde que foi Mãe do Senhor, viveu sempre sua batalha de amor com perpétuo sofrimento”.
Frei Luís de Sousa (1555-1632), dominicano, no seu livro Considerações sobre as lágrimas da Virgem… … escreveu: “A Paixão de Jesus fez cair a Santa Mãe num abismo de dores e num mar de lágrimas… Viram vossos olhos aquele Rosto, que alegra os anjos do céu, pisado de bofetadas e banhado de sangue”…
Frei Tomé de Jesus deixou escrito:
- “A Senhora ao pé da Cruz, fazia o ofício de remediadora dos pecadores, oferecendo ao Eterno Pai aquele Filho (…) E como S. João perto da Cruz representava a figura dos amados pecadores, quis o Senhor que a todos ficasse obrigação de servir esta Senhora Mãe, e enxugar-lhe suas lágrimas. (Cf. Meus livro, Dores e lágrimas de Maria Santíssima, Mãe de Jesus, 2001.)
S. João Crisóstomo (354-407), doutor da Igreja, dizia que no Calvário Cristo sacrificava a carne e a Virgem Mãe a alma.
Nossa Senhora das Dores
Tem sete espadas no peito,
Que eu bem procuro arrancar
Com carinho e muito jeito. (MSD)
(Calvário, Grão-Vasco – Viseu)
(Lamentações sobre a morte de Cristo,
Garcia Fernandes, 1537)
4. Maria, Mãe da Igreja
Maria, mãe e rainha dos humanos, ampara, cuida e sofre pelos filhos transviados; percorre caminhos do Reino de Jesus, aparecendo em muitos lugares para ajudar, como fez nas bodas de Caná.
Segundo a tradição, terá aparecido a S. Tiago para lhe levantar um santuário, em Saragoça, onde hoje está a basílica de Nossa Senhora do Pilar.
Em 1531, no México, apareceu a S. João Diogo a pedir-lhe um templo em Sua honra, pois era a Senhora, que esmagava a serpente do mal. A cidade do México tem um dos maiores santuários do mundo e um dos mais visitados, como Nossa Senhora Aparecida no Brasil em 1717, em terras de S. Paulo.
(Nossa Sr.ª de Fátima e João Paulo II)
Apareceu em Lurdes (1858) e em Fátima (1917) com mensagens de amor maternal, sendo estes santuários marianos muito visitados, como muitos outros existentes pelo mundo fora.
Santuários marianos importantes
- N. Sr.ª das Neves, St. Maria Maior, Roma – 5 Agosto
- Nossa Senhora de Nazaré, Israel – 25 Março
- N. Sr.ª do Carmo, Monte Carmelo, Israel – 16 Julho
- Nossa Senhora de Lurdes, França – 11 Fevereiro
- Nossa Senhora de Fátima, Portugal – 13 Maio
- Nossa Senhora das Graças, Medalha Milagrosa, Paris – 27 Novembro
- Nossa Sr.ª de Guadalupe, México – 12 Dezembro
- Nossa Senhora Aparecida, Brasil – 12 Outubro
- Nossa Sr.ª do Pilar, Saragoça, Espanha – 15 Setembro
- Nossa Senhora da Piedade (Miguel Ângelo), Basílica de S. Pedro, Vaticano – Sexta
Feira Santa
- Nossa Senhora de Czestochova, Polónia – 15 Agosto
- (…) e tantas outras por todo o mundo cristão.
Santuários marianos na diocese de Coimbra:
- Nossa Senhora do Monte Alto – Arganil
- Nossa Senhora das Preces – Aldeia das Dez, Oliveira do Hospital
- Nossa Senhora da Piedade – Lousã
- Nossa Senhora da Tocha – Cantanhede
- Nossa Senhora do Cardal – Pombal
Este santuário foi precedido por uma igreja templária dedicada a Nossa Senhora do Templo de Jerusalém do tempo de D. Frei Gualdim Pais, que deu forais a Pombal em 1171 e 1176. Esta igreja ficava no largo do cardal e depois de reconstruída ficou a chamar-se de Nossa Senhora do Cardal desde o século XVII.
- Nossa Senhora do Pranto ou das Dores – Dornes, Ferreira do Zêzere. A imagem foi escondida dos moiros no séc. VIII e achada no tempo da Rainha Santa Isabel, que mandou construir este santuário junto a uma torre templária.
Existem muitas outras igrejas paroquiais e capelas dedicadas à Virgem Santíssima, Mãe de Deus. Suas imagens, veneradas pelos cristãos, estão em todos os lugares de culto.
Os cristãos invocam-nA como filhos, aflitos, angustiados, arrependidos, cativos, cegos, desamparados, desavindos, desenganados, deserdados, desesperados, doentes, devotos, navegantes, orantes, tristes, pobres ou pecadores, pois a Senhora é Mãe amada e venerada em tantas terras e lugares (Cf. meu livro, Vida de Nossa Senhora, Mês de Maria, págs. 145-149).
No livro Santuários Marianos, Nossa Senhora de Portugal, de Júlio Gil e Nuno Calvet, de 2003, estão cerca de 270 Santuários com belas fotografias. Cerca de três dezenas estão ligados a Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora das Dores, da Paixão, do Pranto, de Ao pé da Cruz. A maioria dos santuários estão ligados às Glórias de Maria: Mãe de Jesus, Mãe de Deus; Sua Imaculada Conceição; Nossa Senhora da Anunciação, das Graças, da Assunção, do Rosário, da Visitação; Nossa Senhora das Necessidades, dos Remédios, da Saúde; Nossa Senhora do Ó, do Livramento, do Caminho, do Castelo ou da Esperança; Nossa Senhora do Socorro, da Boa Morte, dos Milagres, e sempre, sempre como Mãe Admirável, advogada e auxiliadora dos Cristãos.
À Virgem Santíssima
Num sonho todo feito de incerteza,
De nocturna e indizível ansiedade,
É que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza…
Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade…
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na natureza…
Um místico sofrer … uma ventura
Feita só do perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira…
Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa.
E deixa-me sonhar a vida inteira!
Cheia de graça. Mãe de Misericórdia.
(Antero de Quental)
 |
| (Tomé e Jesus ressuscitado - V.Camuccini - Vaticano) |
|
|
 |
| (Castelo templário Almourol - Tejo) |
* +Fr. Mário Simões Dias - Comendador/Comendadoria de Coimbra Rainha Santa Isabel